Experiências com as quatro melhores coisas da vida: Comer e Viajar

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Férias na praia - A primeira praia

Algumas das entradas neste diário gastronômico mencionam a importância do contexto na busca pela refeição perfeita. É algo que aparece muito claramente no livro de Anthony Bourdain, que procura o prato ideal e diz que mais importante que o sabor em si é o local, a companhia, a bebida, tudo faz diferença.

Isso faz com que as agulhas fritas comidas na praia do Gunga, duas dezenas de quilômetros ao sul de Maceió, a primeira visitada na viagem a Alagoas, sejam lembradas como algumas das mais bem feitas de todos os tempos.

A praia é isolada, fica numa foz de rio, a areia é fininha e branca e a água quente e azul. Estava acompanhado da esposa, de férias, longe da poluição paulistana, e mesmo que os pequenos peixes populares em todo o litoral nordestino em estivessem tão perfeitos, é assim que são lembrados.

Férias na praia - Trasheira com sotaque

Enquanto acompanha entusiasmado o crescimento da oferta da culinária norte-americana, representada por grandes e suculentos hambúrgueres, o Monstro aproveitou que havia perdido o horário de almoço no Recife para relembrar seus primeiros contatos com esta gastronomia "suja".
A Come-Come, lanchonete na avenida 17 de Agosto, em Casa Forte, começou como um trailer que vendia sanduíches, ali perto. Foi crescendo e chegou a ter mais de uma filial na cidade, mas voltou a ser apenas uma casa, que serve até um self service no almoço. A apresentação perdeu um pouco o tato e o cuidado, e a comida é servida em uma bandeja sem proteção.

Os sanduíches continuam os mesmos de mais de duas décadas atrás. O foco deixa de lado os finos e insosos discos de carne para dar atenção aos acompanhamentos. o clássico, chamado especial, vem com queijo, salada, bacon, ovo e creme de milho. Para relembrar ainda mais os velhos tempos, foi comido com catchup, maionese e mostarda, formando um sabor misturado um tanto grosseiro e sem nuances.
Além do sanduíche, se destacam os milk shakes espessos e saborosos, ótimos no calor recifense. Se não houvesse nostalgia, entretanto, era melhor evitar comer tanta podreira descuidada e sem graça.

Férias na praia - Melhor, mas nem tanto

A viagem de férias que deixou o Monstro afastado do seu diário gastronômico por quase um mês começou pelo Recife, terra em que nasceu e viveu por 75% da sua vida. E começou com a tentativa quase frustrada de quebrar um paradigma adquirido em São Paulo, o de que a capital paulista é o único lugar em que se come pizza dignamente no Brasil.

Depois de seis anos na maior cidade do país, o Monstro já compartilhava, um tanto contrariado dessa ideia centralista do povo que vive por aqui. Ele defende, entretanto, que não é que sejam as únicas boas pizzas no país, mas que qualquer pizza ruim de São Paulo, mesmo em padarias, supera pizzas aclamadas em outros lugares. E acabou reforçando um tanto os estereotipos ao jantar na melhor pizzaria do Recife, segundo o júri da revista "Veja", o Armazém Guimarães.

A primeira impressão no local, em uma praça em Boa Viagem, foi de que ia dar tudo certo, Ambiente organizado, forno à lenha à vista, equipe treinada, apresentação bem feita. Até a entrada, una porção de pizza branca deliciosa, fininha, coberta com queijo gorgonzola e acompanhada de pastas de berinjela, sardela e tomate, surpreendeu positivamente.

Na hora da pizza, entretanto, a decepção. Para começar, o pedido veio errado, e a metade marguerita virou somente muçarela. Até aí, nenhum problema, já que erros são aceitáveis. O problema é que em vez de corrigir pedindo uma nova pizza, o próprio garçon e virou aos pizzaiolos e sugeriu, na frente da mesa, que acrescentasse tomates e "umas folhas de majericão". A pizza veio com os tomates crus, as folhas ainda únidas, e ficou sem graça. A própria massa da pizza não confirmava a boa impressão da entrada.

A conta não chegou a ser barata, e a decepção com a pizza deixou claro que é melhor correr atrás de coisas mais garantidas ao longo da viagem, e deixar as pizzas para o cotidiano paulistano.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Medalha

O filé cortado em casa ficou parecendo um medalhão, e estava num ponto bem vermelho por dentro e chapeado por fora. Foi acompanhado por um risoto preparado com cogumelos paris, cebola e ervas.

Teste do pudim

O pudim de leite já esteve aqui no Diário em diferentes versões, incluindo o tradicional com leite condensado e o mais tradicional ainda, creme renversé, que acabou gerando uma polêmica interblogs. Agora veio em uma versão teste, experimentando uma mistura pronta para ele vendida em supermercados.

Antes de mais nada, não havia nenhuma esperança de um grande produto na mistura de caixinha, que dizia ser formada por gemas de ovo e açúcar, basicamente. O processo dele também não é tão mais simples de que o de leite condensado, pois é preciso bater o conteúdo da caixa com leite e caramelizar o açúcar antes de assar o pudim (a grande economia de trabalho é não precisar quebrar os ovos...).

O resultado também não é tão bom, parecendo um flan um pouco mais consistente, mas com um sabor claramente artificial. Não chegava a ser ruim, e todos os servidos comeram sem sofrer, mas é tão sem graça que o Monstro e a esposa nem acabaram de comer e acabaram estragando – não valia as calorias.