Experiências com as quatro melhores coisas da vida: Comer e Viajar

terça-feira, 30 de junho de 2009

Carne crua, sangrando

Uma peça de meio quilo de filé foi temperada com sal e pimenta e selada, depois coberta com queijo provolone ralado com azeite e manteiga antes de ir ao forno muito rapidamente, para ficar bem vermelha por dentro, quase crua, e com o queijo bem derretido por cima. Foi acompanhada por um risoto preparado com o funghi que vinha dentro de um azeite temperado com estes cogumelos, que ficou muito aromático, perfumado e com sabor suave.

Arroz doce

Mesmo fugindo do preparo cotidiano de sobremesas, o Monstro não resistiu a esta sugestão tão nova para ele: Risoto de chocolate.

A receita é como a de um arroz doce: cozinhar os grãos em leite com açúcar, um toque de baunilha e canela. O diferencial é que no final ela se junta a uma receita tradicional de ganache: creme de leite e chocolate amargo.

No lugar do arroz molinho da receita que seguiu, preferiu deixar os grãos AL dente, para fazer contraste com o creme de chocolate que se formou em torno do arroz. O sabor do arroz acaba se esconcendo, e esta textura é o que marca seu espaço. A sobremesa ficou pouco doce, interessante, mas nada de absurdamente sensacional...

Um aperitivo

No Brasil a palavra às vezes soa meio perdida, entre bebida e comida, lanche, entrada, algo um tanto incerto dentro do roteiro de uma refeição. Não período em que esteve na França, o Monstro exprimentou o aperitivo como parte indissociável dos hábitos alimentares. Antes da refeição, uma pequena bebida alcoólica de alto teor (whisky, rum, licor, pastis, absinto), e talvez um pequeno petisco, tudo apenas para abrir o apetite para uma grande refeição. A palavra tem origem no latim, justamente na ideia de "abrir"

Adiando o jantar do sábado, a fome foi enganada com uma versão deste aperitivo: uma pequena taça de vinho do Porto ganhado de presente do casal Melobrito, um patê au roquefort delicioso e com forte sabor do queijo que veio da França e vinha guardado há muito tempo, e umas poucas torradas para acompanhar. O único problema é que um aperitivo tão elaborado pode servir mais como refeição de que como entrada.

Fogo para bajular

Uma das primeiras receitas pouco mais elaboradas que começou a fazer na cozinha retorna à tona sempre que o Monstro quer bajular a esposa. Só precisa de alguns poucos camarões (descascados, para não dar alergia), arroz arbóreo, cebola, vinho branco e um caldo de legumes para fazer o prato preferido dela, um risoto.

Desta vez usou bastante limão para temperar os crustáceos. A maior parte foi temperada e agregada ao arroz já em seu estágio final de preparação com caldo de legumes, para um cozimento rápido, sem perder a textura ideal (resistente à mordida, mas macio) e sem se tornar emborrachado.

Para finalizar, seis camarões rapidamente passados na chapa e flambados na cachaça, só para dar um gosto mais diferente.

Lixo apresentável

Continua sendo ruim, mas pode ter uma boa aparência. O slogan é do site Fancy Fast Food, que descontrói e remonta comidas trash compradas em redes de fast food como o McDonalds.

Na foto, um Big Mac que se transformou em "filé com purê".

sexta-feira, 26 de junho de 2009

A bela voz do povo

O povo falou, e acabou com os críticos.

Quando saiu a última edição da premiação de bares e restaurantes da revista Veja, o Monstro fez um longo comentário sobre a relevância real desse tipo de “concurso”, sobre a falta de objetividade, a falta de parâmetros, o uso mercadológico da crítica e do gosto gastronômico - a reclamação era do quanto essa premiação muitas vezes molda o imaginário coletivo, criando “verdades” absolutas em forma de ranking acrítico. Listou uma lista de argumentos bem pensados e estruturados, mas não teve um efeito tão forte quanto o que disse o povo.

Na edição do Guia da Folha de S.Paulo publicada nesta sexta-feira há um guia muito semelhante ao da Veja, com um diferencial de dar voz às pessoas comuns, através de uma pesquisa DataFolha. E o sensacional é que, no lugar dos restaurantes badalados pela crítica aparecem nomes como o Angélica Grill, acabando com a pretensão do júri de moldar um gosto popular. Viva a voz do povo.

O Guia ouviu 1389 pessoas durante o mês de abril. Elas nomearam seus preferidos em 14 categorias e apontaram ainda os melhores de cada região.

Se por um lado o povo detonou a premiação do júri, por outro a reclamação anterior do monstro faz algum sentido. A escolha do Fasano como o melhor restaurante da cidade, por exemplo, soa estranha. Será que a maioria dessas mais de mil pessoas entrevistadas já foi ao restaurante? Se sim, a economia brasileira vai bem – o Monstro mesmo nunca foi, e acha eu as pessoas responderam por terem na cabeça a ideia de que este já foi eleito várias vezes, então “é” o melhor, e pronto.

Mas tem muita coisa boa nessa lista da voz popular além do Angélica Grill, a churrascaria rodízio podrão de R$ 20 na esquina da rua que lhe dá nome com a alameda Barros (o Monstro nem gosta, mas acha ótimo que quem gosta defenda). O povo elegeu o Famiglia Macini, por exemplo. Com sua massa criticada por ser excessivamente mole, quando deveria ser al dente. Deveria? O que é o certo, o que definem os críticos ou o que o povo gosta e elege? Ah, o Outback, rede global de puro óleo de que o Monstro tanto gosta, está lá, como está o Compadre, com seu bufê de pratos típicos em shoppings como o Center Norte. Entre os bares, aparece o Biroska, aparece o Espetinho, Cerveja e Cia, o Luiz Fernandes, o bar da praça e outros bem simples e populares, sem jornalistas.

E na lista não tem nada de Duo Cuochi, de Erick Jacquin, de Kinoshita, de Rubayat ou do péssimo Ráscal (pior relação custo-benefício do planeta) – como ficaram de fora os queridinhos (e bons) Mocotó e Tordesilhas. Tirando o Fasano, os outros de preços milionários ficaram de fora da lista do povo, que sabe do que gosta, que sabe o que é bom de verdade, e que não está disposto a pagar caro por um nome, uma marca. Prefere uma comida simples e barata, sem invencionices, sem badalação de quem acha que entende de comida. O povo é quem come e quem paga, o povo é quem, de fato, entende.

Para brincar com a comida


Cada um custa US$ 4 lá nos EUA, e chamam de Charlie Ketchup e Marvin Mostarda. Há ofertas em vários tamanhos. Parecem nojentos, mas são divertidos.

Uma nova pedida em domicílio

Às vezes não dá tempo de cozinhar no almoço. Às vezes há problemas na cozinha e não dá para usar para preparar a refeição antes de sair para o trabalho. Outras vezes simplesmente falta ânimo (raro, mas acontece). Quando não faz comida, o Monstro tem duas opções: almoço na rua (normalmente no shopping Higienópolis, o mais perto de casa), ou pedido para entrega em casa. O mais comum do pedido em casa é o Lig-Lig, chinês podrão, mas rápido e barato. O mais comum das idas ao shopping é o Kalil, árabe self-service e muito bom. E recentemente o Monstro arriscou experimentar misturar a entrega com a saída e pedir em casa o árabe.


No almoço desta quinta, pediu uma porção de carneiro assado (com cebolas e batatas) e outra de arroz sírio. No Kalil, o pedido é feito por porções e o pagamento é por peso. R$ 36 por quilo, mais 10% de taxa de entrega. A comida chega ainda quente, fresca e tão boa quanto direto no balcão (e olha que o Monstro também não é fã do sistema de autoserviço).

Todo o cardápio do Kalil está disponível para entrega, e saí a preço acessível com uma variedade, um sabor e um cuidado muito maior de que o tradicional yakissoba podrão da urgência.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

As novas Quartas Bizarras – Um quintal tailandês

Houve um tempo em que havia um projeto. Um projeto de sair sempre às quartas-feiras em busca de comidas estranhas. De ir a restaurantes diferentes dos tradicionais. De comer pratos pouco comuns. Houve um tempo de Quartas Bizarras. Depois de menos de uma dezena de edições, o projeto entre amigos acabou interrompido. Mas volta agora, modificado, simplificado, mas ainda interessante. Apesar do nome, incluindo a palavra “bizarra” uma das maiores dificuldades era encontrar restaurantes muito diferentes, a preços acessíveis e que ficassem abertos às quartas-feiras após o horário de trabalho (com cozinha até pelo menos 23h). Agora, o projeto continua focando comidas novas para o Monstro, mas se torna mais aberto a uma idéia simplificada de conhecer novos lugares, sem serem necessariamente estranhos ou muito diferentes.

Na reestreia, um tailandês. O jantar foi com a esposa foi no Thai Gardens, chique restaurante parte de uma rede internacional com filiais na Europa e nos EUA. Fica na 9 de julho, lá no ponto mais ao sul dela, e tem preços relativamente salgados para o tamanho das porções, mas uma comida gostosa e sabores menos tradicionais para o paladar do Monstro.
Antes mesmo de oferecer os cardápios, o garçom já colocava na mesa uns pasteizinhos de carne, crocantes e com um tempero forte e diferente, com um toque de canela. Muito bons, eles são apresentados como couvert, e custam R$ 6 por pessoa (3 pasteis por pessoa).

Mesmo comendo o couvert, o Monstro ainda pediu uma entrada, rolinhos primavera recheados com legumes e macarrão fininho e transparente. Chamados Pohpia, eles são mais leves que os da versão chinesa, e servidos apenas com molho agridoce. A porção com 5 custava R$ 18.

Como prato principal, pediu um pat thai sai khung (R$ 38), um talharim fininho, com cara de caseiro, servido com um molho de legumes, cebola, broto de feijão, amendoins e dois imensos camarões descascados. Os crustáceos estavam macios e saborosos, e foram suficientes para acompanhar toda a pequena porção da massa, que tinha um leve tempero agridoce. Porção pequena para o preço, mas suficiente para encher bem.

O prato da esposa tinha um tempero bem mais diferente. Era um vegetariano, o vermicelli (R$ 25), que vinha com macarrão cabelo de anjo transparentes (que podem ser feitos de arroz, semolina ou mesmo trigo, muito populares na Ásia, aparentemente eles ganharam o nome na Itália por causa da aparência com “pequenos vermes”), com tempero cítrico, muitos legumes e castanhas de caju. O sabor era mais forte, aromático e muito bom.

A volta do projeto que busca novidades foi interessante para os sabores, por mais que tenhas saído por pouco mais de R$ 50 por pessoa, sem bebidas (só água).

É a comida!

É só descer ao longo do Diário aí embaixo para ver que o Monstro pode até ser bom de cozinha, mas manda mal na câmera. Fotos sem iluminação, sem foco, feitas com uma máquina fotográfica caseira e sem recursos. Além do mais, preocupado com o saor, a apresentação dos pratos também fica devendo um bocado. Nada comparado com as imaens reunidas no que talvez seja o maior aglomerador de blogs de comida do mundo, o Tastespotting (tanto que o Monstro já mandou uma dúzia de fotos para lá e só uma foi aceita até hoje). O problema deles é que às vezes parece importar mais ser um bom fotógrafo de que ter uma boa comida ou um bom texto.

Pois agora passou a existir um espaço para gente como o Monstro no mundo dos sites de comida. Um novo aglomerador já começa zombando do citado Tastespotting e divulgando as fotos rejeitadas por lá. No Tastestopping (quase igual), o que importa é mais a comida de que a imagem. "Banqueteando em segundos", diz o slogan, que mais parece incorporar a campanha presidencial norte-americana que elegeu Bill Clinton - "It's the food, stupid!".

Claro que o Monstro também deve se esforçar ao menos um pouquinho para deixar o blog mais apresetável, mas o foco dele vai continuar sendo a comida, e ele não consegue esperar muitas fotos enquanto o prato esfria ali do lado. Aqui o foco continua sendo a comida, mas ele vai tentar aparecer por lá pelo novo site também agora.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

A dieta do sanduíchão

Pesquisa divulgada nesta quarta-feira na Inglaterra mostra que o “grande vilão” Big Mac é menos calórico e gorduroso de que muita saladinha pronta vendida em supermercados do país. Enquanto o sanduíche tem, sozinho, 490 calorias, a salada menos calórica entre as encontradas tem 516.

Os vilões, segundo reportagem publicada no "Daily Mail", são os molhos e acompanhamentos das pobres e magras folhinhas. Diferentemente do anunciado pela marca líder no Brasil, as maioneses usadas para molhos no Reino Unido têm 110 calorias por colher.

Presente de comer

Desde que o Monstro é Monstro que agora os presents que ganha são todos gastronômicos. Uma panela, um abridor de massa, uma wok, uma faca, um defumador... A surpresa diferente foi o que enviou o primo cuiabano no dia do churrasco de comemoração de aniversário: uma grande picanha, virada do avesso e recheada, sua especialidade, já pronta para ir à brasa e ser servida.

E ela ficou para o fim da festa, guardada com carinho para que fosse comida apenas pela diretoria (na verdade, todo mundo que ainda estava na pequena reunião de bons amigos). Depois de passar por várias carnes pouco comuns nesses eventos, como corações de peru, coelho na mostarda, espetinhos de avestruz, peitos e coxas de pato, além de uma deliciosa costela suína e uma outra bovina, veio a picanha.

Foram quatro horas no forno, embrulhada em papel alumínio, e depois uma rápida finalização direto na brasa. A carne manteve-se num ponto ótimo, ainda vermelhinha por dentro, mas derreteu bem a gordura, que encheu de sabor junto com a linguiça calabresa e o queijo. Um ótimo presente.

Alecrim e doce, sim

Aqueles pedacinhos de alecrim por cima davam impressão de que o bolo era salgado, como uma focaccia daquelas bem gostosas e tradicionais, mas a lista de ingredientes denunciava mais açúcar que o esperado. Sim, é um bolo doce, de limão, azeite e alecrim.


O impressionante é que, sim, o alecrim funciona no bolo doce, encaixando bem seu gosto bem característico junto com o limão. O azeite é que acaba meio perdido (por mais que a versão do Monstro tenha usado um pouco menos que o indicado na receita.

De preparo bem simples, ele estava pronto em menos de 40 minutos, pequenino, mas muito fofo. A receita completa está aqui.

Uma anedota da história

Anedota de Jean Anthelme Brillat-Savarin, autor de um dos livros mais importantes da história da alimentação: "A Fisiologia do Gosto" (de 1825). São análises sobre a importância da gastronômia e estórias como a reproduzida abaixo:

"Os conhecimentos gastronômicos são necessários a todos os homens, pois tendem a aumentar a som de prazer que lhes é destinada: essa utilidade aumenta à proporção que se aplica às classes mais abastadas da sociedade; enfim, são indispensáveis às pessoas de considerável riqueza que recebem muita gente, façam-no ou or razões políticas ou por seguirem as próprias inclunações, ou ainda por obediência à moda.

Elas descobrem nisso uma vantagem especial, pois algo de sua personalidade transparece na maneira como a mesa é disposta; e até certo ponto podem vigiar os depositários forçados de sua confiança, e mesmo dirigi-los em muitas ocasiões.

O príncipe de Soubise resolveu um dia dar uma festa; ela devia terminar com um jantar, e o príncipe exigiu o cardápio. O maître apresentou-se de manhã cedo com um cartão ornado de vinhetas, e o primeiro item sobre o qual o ríncipe pôs os olhos foi o seguinte: cinquenta pernis de porco. "Bertrand", diz ele, "não esás exagerando? 50 pernis de porco! Queres regalar todo o meu regimento?" "Não, meu príncipe, apenas um aparecerá na mesa; mas preciso dos restantes para meu molho ferrugem, meus caldos, minhas guarnições, meus..." "Estás me roubando, e este item não passará." "Ah", diz o artista, mal contendo a cólera, "o senhor não conhece nossos recursos! Ordene, e farei com que esses 50 pernis de porco aos quais se opõe entrem num frasco de crsital não maior que meu polegar."

Que responder a uma asserção tão positiva? O príncipe sorriu, baixou a cabeça e o item foi aprovado."

Não é bem assim - não pode ser

Depois de o filme "Cidade de Deus" espalhar a história de que jornalistas são ruins de cama, a "ofensa" agora vem para a outra faceta semi-profissional do Monstro, o blog. A nova publicação de comida nos Estados Unidos, dentro do "Daily Beast", que reúne notícias de várias fontes diferentes, traz a crítica/devassa Gael Greene falando da velha relação entre sexo e comida, caindo em cima de quem é obcecado por comida... O Monstro divulga um trecho do que ela disse, mas avisa logo que discorda, que não é bem assim, e que dá tempo sim, afinal, comida tem dois sentidos, e o do blog é sobre apenas a segunda prioridade para a sobrevivência.

"Me preocupo que a luxúria que levou gerações anteriores da discoteca para a cama parece muito focada em comida, compras (orgânicos e locais), cozinhar e comer fora, e blogando interminavelmente sobre tudo isso. Não posso acreditar qe ninguém tenha tempo para fazer amor de forma avançada - trocar lençóis, mergulhar em uma banheira perfumada, colocar seu pornô preferido. Se os mais novos nascem ligados a um teclado e seus pais passam aquelas crises de meia idade no computador, ou descobrindo novos restaurantes e enviando mensagens de fofoca para Eater ou Gawker... onde a aventura erótica vai se encaixar? Um uivo não é como um gemido de orgasmo, ou talvez seja para alguns. Em relação à compulsão pelo Twiter. Twitar não leva a beijar como dançar fazia. O que quer que teha se tornado a infidelidade à tarde - quem twitar logo depois vai usar um eufemismo ou uma nota?"

terça-feira, 23 de junho de 2009

Uma imagem do carnivorismo

Do blog "Eat me Daily"

De um lado, um grupo de ajuda para vegetarianos e veganos. Do outro: "Carnivoro? Provavelmente você não precisa de um grupo de apoio, continue sendo sensacional!".

Integração

A disseminação dos kebabs turcos, os sanduíches de influência árabe recheados com aquela carne assada em um fogo vertical, na Europa sempre foi um exemplo da globalização alimentar, da integração entre povos e gostos. Na Alemanha, terra das linguiças, do kassler e do eisbein, onde o porco impera, esta integração era ainda mais relevante.

E conseguiu ficar maior, segundo uma reportagem da revista “Spiegel”. Um salsicheiro acabou de lançar uma lingüiça de Donner,de kebab. Feita com carne de vitelo e tripas de cordeiro, ela evita o porco, e permite que os muçulmanos, que não comem porco por questões religiosas, possam se alimentar de linguiças feitas especialmente para o gosto deles.

Panela francesa

Voltar ao Casserole, tradicional restaurante de inspiração francesa no centro de São Paulo, deixou o monstro feliz. Fazia uns três anos desde a única outra visita, quando já havia se encantado, mas dessa vez foi ainda mais impressionante, apesar de um atendimento de fim de festa por já passar das 23h na última quinta-feira (18). Comida excelente e preços não tão assustadores quanto se lembrava.

Era comemoração dos 28 anos do Monstro, que foi lá com a esposa e Essebê, que veio passar o dia com o filho – só faltou a mestra para ser uma jantar perfeito. Ah, do ponto de vista gastronômico faltou também a entrada mais sensacional de que tem lembrança, uns rolinhos de massa oriental (tipo primavera) recheados com grandes camarões e cobertos com molho de damasco.

Para compensar, pediu uma terrine do dia (R$ 16), duas fatias do preparado de pato com pistache, com sabor equilibrado, intenso sem ser muito forte a ponto de atrapalhar, e um ótimo toque de pimenta verde. Os três pratos principais foram excelentes.

O Monstro foi de perdiz, preparada de duas formas, acompanhada de nhoque à romana e manteiga trufada. Apesar de delicioso, foi o menor dos pratos, uma porção realmente pequena com dois peitos e duas coxas de perdiz e apenas três nhoques. Os peitos foram suavemente empanados, crocantes sem ar de fritura pesada, e as coxas assadas. O nhoque, em discos, estava levíssimo, e o molhinho da manteiga trufada acompanhava aromaticamente.

Para compensar que o prato era pequeno, acabou roubando um pouco dos outros comensais. Primeiro da esposa, que pediu um filé de de vitelo com foie gras, molho de vinho do porto e batatas dauphine (bolinhos fritos de purê). Imenso, o filé era de boi, nada de vitelo, mas estava delicioso, bem assado por fora e vermelho por dentro. O fígado gordo veio grelhado, numa boa fatia por cima da carne, dando um toque suave, sem roubar demais a atenção como poderia se esperar.

Do pai, roubou um pouco do sensacional risoto de codorna com cogumelos, prato imenso, muito bom.
O Casserole sofre do mal dos vinhos caros. Difícil achar algo na carta por menos de R$ 80, o que acaba encarecendo muito a refeição com pratos que custam em torno de R$ 40. Há espumantes nacionais por menos de R$ 50, entretanto, que podem ser uma alternativa, ou garrafas pela metade, que também podem dar o sabor de acompanhamento sem o dessabor dos altos preços.

Churrasco de sucesso


Fatiada fininha, como os críticos tanto odeiam, a picanha estava bem vermelha, macia de derreter na boca, com um pedaço bem pequeno de gordura e deliciosa. O bife ancho, impressionante de tão molinho e gostoso. O cordeiro bem cuidado e com um molho de hortelã que valia a viagem.

O Monstro nem é tão fã da aclamada “melhor churrascaria” da cidade, não chega nem a gostar de rodízio de carne, mas acabou se rendendo no almoço que tinha que ser ali pela região do aeroporto de Congonhas e foi à Fogo de Chão.


Tudo começa com os sensacionais pães de queijo de churrascaria, que parecem ser sempre melhores de que muita casa especializada neles. Lá ele é leve e aerado, sem pesar na barriga e sem atrapalhar a eterna disputa deste tipo de serviço, quando os gulosos tentam dar prejuízo ao restaurante.
A polenta frita servida antes das carnes também chamava a atenção de tão boa, e a mesa de frios é variada e colorida, oferecendo bons acompanhamentos, mas nada de sushi (ufa!), que não têm nada a ver com churrasco.

As carnes são realmente ótimas, e conseguiram surpreender mesmo sem que se esperasse nada fora do normal. O serviço do local é diferenciado e cuidadoso, os garçons perguntam o tempo todo pela preferência do cliente, e as carnes não parecem se esconder. O preço, como era de se esperar, é alto, bem alto, quase R$ 80 por pessoa. Não é nada que se pense em repetir tão cedo, mas que acabou sendo bom de repetir.

Quando esteve nos Estados Unidos, cobrindo a eleição norte-americana e fazendo a terceira edição do Mordidas Políticas, o Monstro visitou a filial da Fogo de Chão em Houston, no Texas, a terra do churrasco no país. Não comeu, mas teve uma longa conversa com o gerente do local, que contou que a carne era produzida lá mesmo, mas sob encomenda do restaurante, com gado alimentado com ração de milho (diferente do gado da américa do sul). Ele disse que o restaurante vivia lotado, que a picanha não fazia tanto sucesso quanto o filé, e que o povo de lá realmente come muito mais de que os dos outros países.

Chocolate para respirar

A maior parte das bombinhas usadas por asmáticos para combater a falta de ar tem sabor desagradável. Mesmo sem o efeito medicinal, a invenção do Le Whif promete funcionar como uma dessas bombinhas, mas com um ótimo sabor de chocolate, e apenas uma caloria.


Parece uma grande brincadeira, mas a campanha na internet dá a impressão de ser séria, fruto de uma pesquisa científica. Cada tubo, semelhante a um de batom, vem com quatro doses de 50 miligramas de chocolate em um pó fino, que deve ser aspirado para a boca (e não para o pulmão), teoricamente oferecendo a sensação de comer o chocolate sem os efeitos negativos de uma barra com 50 gramas. São quatro opções de sabor de chocolate como puro ou com menta.
O pacote com seis tubos, segundo o site oficial, custa dez euros (R$ 30).

terça-feira, 16 de junho de 2009

Pato alaranjado

A enorme quantidade de gordura presente no pato, em suas coxas, ajudam a dar sabor e deixar a carne macia e suculenta quando bem preparada. O Monstro fez com pressa da primeira vez, mas agora teve paciência para grelhar o lado da pele antecipadamente, pôr no forno em assadeira coberta junto com o óleo e suco de laranja e deixar por quase duas horas. A carne soltava fácil dos ossos, se desfazia, derretia na boca.
O acompanhamento escolhido pela esposa foi pouco ortodoxo, mas ótimo. Ela queria um macarrão com molho de tomate. O Monstro aproveitou as vísceras do pato que estavam sobrando, picou fígado e moela, refogou com cebola e juntou o molho de tomate já pronto, formando quase uma bolonhesa de pato.

sábado, 13 de junho de 2009

Comidas especiais

Datas especiais coletivas são um problema. Não dá nem para pensar em ir a um restaurante na noite de dia dos namorados, por exemplo, pois tudo vai estar cheio, bagunçado, com conseqüências naturais sobre o atendimento e até sobre a comida. Mas ficar em casa, quando se tenta fazer algo especial a toda refeição, tira um pouco o lado “sensacional” da data festiva. Mesmo assim lá foi o Monstro, desde um dia antes, preparar algo para dar continuidade à eterna bajulação da esposa.

Depois de desossar as perdizes, ele jogou, ainda na véspera, a carcaça da pequena ave numa frigideira com azeite e deixou torrando um tempinho, junto com cebola, cenoura e alho. Aí pôs vinho branco, ervas, depois água até encher a panela e deixou tudo lá, por horas... O caldo foi então coado e guardado. No dia seguinte ele foi usado para fazer um risotto com arroz arbório e tudo o mais.

Tudo o mais, no caso, era a cebola picada e um dos peitos de perdiz igualmente picado. Assim foi feito o risotto, que, feito com um caldo bem cuidado, fica muito mais saboroso de que usando tabletes comprados (por mais que o monstro não critique o uso de tabletes industrializados).

E teve ainda o lado decorativo para os olhos e para o paladar. As quatro coxas de perdiz foram passadas na chapa e depois colocadas no forno, para serem servidas junto com o arroz. O mesmo foi feito com o peito que havia sobrado inteiro.