Experiências com as quatro melhores coisas da vida: Comer e Viajar

terça-feira, 31 de março de 2009

Filé a Wellington ao Monstro

Um grande jantar para um domingo pós-plantão, para compensar o dia de trabalho. Uma boa peça de filé mignon (mais uma vez, bons preços graças à crise), coberta com um molho pesto e enrolada em massa folhada. Era quase um filé à Wellington, mas com uma cobertura um pouco diferente de queijo e presunto.
De acompanhamento, um purê de mandioquinha preparado com azeite trufado e um pouco de leite (somente os tubérculos amassados com sal, manteiga, leite e azeite).

O filé primeiro foi coberto com azeite, sal e pimenta do reino moída na hora.

Depois foi selado na chapa muito quente – somente um minuto de cada lado.

Aí foi coberto com um molho pesto preparado na hora. Usando um pilão, amassou um maço de folhas de manjericão junto com sal, pimenta do reino, azeite e queijo parmesão ralado.

E foi enrolado em massa folhada que tinha sido comprada pronta e já fora descongelada, e que foi pincelada com um ovo batido.

Seguiu então para o forno, bem quente, em fogo médio, por 20 minutos.

A carne ficou levemente mal-passada, com uma crosta crocante da massa e com a cobertura de pesto um pouco derretida, enchendo a carne de perfume e sabor.

Acompanhado de vinho, o jantar compensou até o sofrimento de ter acordado às 6h da manhã para ir trabalhar (mas seria ainda melhor se fosse num dia de folga, claro).

Whisky e charuto: um belo desjejum

Na primeira bandeja foram servidos um ovo, torrada, geléia, manteiga, café com leite, leite frio e filé de frango frio. ma segunda bandeja veio com grapefruit, açúcar, suco de laranja com gelo, e um pouco de whisky. Depois disso tudo, lavara as mãos e um belo charuto.

Essa boa forma de começar o dia foi adotada pelo premiê birtânico Winston Churchill, durante um voo que tomou para ir aos Estados Unidos em 1954.

O cardápio foi escolhido pelo próprio Churchill, e foi revelado nesta semana pelo jornal "Daily Mail".

segunda-feira, 30 de março de 2009

Caixa de quindim

A curiosidade venceu o ceticismo no último fim de semana, e o Monstro acabou comprando uma caixinha que prometia trazer um quindim já quase pronto.

Em casa, foi só misturar o conteúdo dela com coco ralado e um pouco de leite e jogar na forma que ia ao forno.


Em banho maria e fogo baixo, o preparo deveria levar 35 a 40 minutos. Com este tempo, entretanto, a mistura ainda estava líquida no forno. Foram necessárias quase duas horas (1h40min) pra que o Monstro já estivesse praticamente desistindo e resolvesse tirar do forno.

A surpresa foi que, mesmo sem ficar “dourado” como prometiam as instruções da caixinha, o quindim estava pronto, numa consistência perfeita e com ótimo sabor. A caixinha (cujos ingredientes só eram gema, açúcar e essência de baunilha) surpreendeu, era melhor de que muitos bolos vendidos já com a mistura pronta.

A volta do avestruz, e do arroz

Muita gente ainda estranha, mas a carne de avestruz está aí, nos supermercados, acessível, barata e muito interessante para experimentos culinários como o do último sábado: um risoto.

O Monstro comprou um pedaço de filé pequeno, 300 gramas por R$ 7. Cortou em cubos, temperou com sal e pimenta do reino e refogou no azeite bem quente. Depois tirou a carne da panela e refogou azeite, alho e pouco mais de uma xícara de arroz arbóreo, que foi deglaceado com vinho tinto e ganhou aos poucos um caldo de carne preparado paralelamente até atingir o ponto, cozido, mas ainda al dente, quando a carne voltou.

De coloração mais escura, a carne de avestruz tem um sabor intenso, que se destaca e se diferencia, e é macia e suculenta.

domingo, 29 de março de 2009

Roadkill

Deu no "Brighton Argus", jornal da cidade em que o Monstro morou no sul da Inglaterra, e repercutiu no G1: restaurante se especializa em carne de roadkill, bichos mortos em acidentes na estrada.

O cardápio inclui pratos interessantes, que incluem veados, coelhos e faisões.

O texto diz ainda que comer roadkill é ilegal por lá, e que agências alimentares alertam para os riscos de comer o animal já abatido.

quarta-feira, 25 de março de 2009

No meio do mato

Se até a Casa Branca agora tem uma horta, o Monstro, em sua nova cozinha, também merece ervas frescas. Já que não é possível ter sua própria plantação propriamente dita, ele improvisa com pequenos jarros pendurados junto às panelas na sua quase cozinha americana.

Como o tomilho e o manjericão já estavam ali há algumas semanas, sendo usado de forma escassa e em pequenas quantidades, era hora de fazer algo mais especial e dedicado a elas. Para isso, preparou um macarrão com mato.

Duas pequenas porções de massa foram preparadas em cada prato. Em cada uma, uma cobertura bem suave: um pouco de manteiga derretida temperada com um toque de azeite, sal e pimenta do reino e, sobre cada porção, um pouco das ervas.

A massa com tomilho ficou mais apagada, talvez pela quantidade de folhas. O sabor estava delicado e suave, mas não se destacava tanto. Com o manjericão, que apareceu em maior quantidade, o gosto se fez presente de forma mais intensa, e deliciosa.

terça-feira, 24 de março de 2009

A libido e o vinho

Aquele papo de flerte, de chamar a mulher para tomar um vinho como forma de sedução, funciona, e ganhou comprovação científica. Vinho tinto aumenta a libido feminina.

De acordo com um estudo do hospital Santa Maria Nuova, em Florença, na Itália, beber uma ou duas taças de vinho aumenta o desejo sexual feminino. Mulheres que bebem essa quantidade da bebida por dia são mais sexualmente ativa de que as abstêmias.

Segundo o estudo, que analisou o comportamento de 789 italianas adultas (18 a 50 anos), chocolate amargo pode ter efeito semelhante.

Comida em tempos de crise 2 - lado positivo

"Os motores da gastronomia ao longo da história foram a pobreza e as dificuldades... Essas são as coisas que forçam as pessoas a cozinhar bem, porque elas não têm outra opção. Por outro lado, vai haver sérios problemas para muitos restaurantes, se eles não perceberem o quão drasticamente as coisas mudaram... O lado positivo é que os lixos vão ser os primeiros a desaparecer"

Anthony Bourdain

segunda-feira, 23 de março de 2009

Bistrô de verdade

No meio da efervescência de restaurantes internacionais de São Paulo, poucos franceses se encaixam na proposta real francesa de bistrô – pequenos restaurantes, simples, bons e a preços acessíveis. O Monstro visitou no fim de semana um que sempre consegue impressionar por se encaixar bem nisso, o L’Aperô.

Pequeno, simples, de cardápio igualmente pouco extenso, o bistrô tem uma comida excelente e cobra preços bastante justos. Sem bebida, mas com entrada e café, uma refeição custa em torno de R$ 40 por pessoa, o que acaba tirando até parte dos méritos da Restaurant Week (quando menus custam R$ 39).

Nesta visita, começou a refeição com um patê de foie de canard au porto – o creme de fígado de pato, com gosto suave e delicado e textura quase pastosa. Vem acompanhado de cebolas caramelizadas no vinho do porto e pão, formando uma cominação deliciosa. A porção custa R$ 17, e é praticamente uma refeição.

O almoço escolhido foi um filé ao queijo roquefort acompanhado por batatas sauté e gratin de batatas e abobrinha. A carne era medalhão de filé de verdade e veio no ponto perfeito, bem vermelho por dentro, por mais que os garçons não tivessem perguntado como deveria ser servida. A batata sauté era temperada com ervas e alho frito, e estava muito boa também. O gratin era mais simples, mas completava bem o bem servido prato (R$ 26). O único ponto negativo era que o prato tinha pouco do ótimo molho de queijo, apesar de usar o rfanc~es de verdade, e não o gorgonzola.

O Monstro já foi outra vez ao L’Aperô para tomar um bom vinho e comer petiscos (como o pastel de queijo roquefort). É fácil ir lá, se divertir muito e pagar contas de apenas dois dígitos. Por isso é bom voltar sempre.

Nada se perde, tudo se transforma

O que sobrou do galetão ali de baixo não se perdeu. Voltou a ser almoço alguns dias depois, de forma simples: um risoto de frango com milho, uma minigalinhada.

Picados, os pedaços do frango foram refogados com bacon, cebola, milho (de latinha mesmo) e arroz. Depois foi só cozinhar até o arroz ficar no ponto (o dobro da quantidade de arroz em água), e servir.

Para quem fica curioso com a repetição de risotos, o Monstro repete pratos com arroz misturado por um motivo simples, é ele quem lava panelas e pratos, e quanto menos sujar, melhor.


quarta-feira, 18 de março de 2009

"Comforto" - Lugar de comida caseira é em casa

Comfort Food. O tema tem gerado discussões na “mídia especializada” e em blogs desde que Alex Atala inventou de abrir um restaurante de “comida de casa”, com gosto de comida de vó, dizem. E aí entra a polêmica: melhor galeto do mundo, melhor feijão, melhor ambiente, comida típica brasileira, mistura, fusion... não tem fim. Uns idolatram (mais pela marca de que pelo gosto, provavelmente), outros rejeitam e xingam. Poucos fazem uma análise crítica inteligente e construtiva (como esta)

O Monstro não foi ao Dalva e Dito. Não foi nem ao mais tradicional restaurante de Atala, o DOM – os altos preços, a pompa, a reserva antecipada, faz com que quase ninguém que não seja rico (e que não ganhe jabá), consiga ir lá. O Monstro dedica boa parte do seu orçamento a comida, tem curiosidade, mas até hoje não foi.

Pois mesmo sem ir, decidiu comer o melhor galeto do mundo. Mesmo sem a tal super televisão de cachorro do DeD, inventou de preparar o melhor galeto do mundo, ou pelo menos um bom galeto caseiro de verdade.

Em vez de gastar uma bela centena de reais, comprou um frango desses simples e congelados no supermercado (coisa de R$ 6 por dois quilos). Descongelou e mergulhou numa marinada de vinho branco, suco de três laranjas lima, cebola, alho, alecrim, azeite, azeite trufado, sal, louro (e um pouco da mistura vendida como tempero italiano). Deixou dormindo nesse caldo temperado a noite inteira (14h)

Dia seguinte, o frango sai do caldo e vai pro forno em ambiente seco e fechado (usou um daqueles sacos especiais de forno, mas podia ser um refratário coberto com papel alumínio). Foram quase duas horas assim, em fogo baixo, e depois mais 20 minutos sem cobertura, para dourar.

O caldo da marinada, enquanto isso, foi pruma panela com um pouco de farinha de trigo, para fazer um caldo tipo gravy, para acompanhar o almoço.

O galeto ficou se desmanchando de tão macio, muito suculento e perfumado com a marinada – foi o melhor do mundo no almoço caseiro.

Ir comer um galeto caro em restaurante não faz muito sentido para o Monstro. É como pedir picanha em restaurante chique (o Monstro fez isso no Figueira Rubaiyat e se arrependeu). Comida que fica excelente em casa, ou que é “tipicamente” caseira, se come em casa, se faz, não é difícil, não precisa ser monstro na cozinha - ou então come-se em qualquer esquina, só pela refeição rápida. A graça do restaurante como evento é o que se diz que Atala faz no DOM, é o intangível, o diferente, o especial, o novo. São muitos restaurantes que fazem o que não se faz em casa, e é isso que os torna tão atraentes.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Tudo de novo – ano dois do Monstro

Este é o 366º post do Diário do Monstro. Isso significa que já existe um post por dia por um ano, e que este é o início de um novo ano, que pode começar a repetir uma série de coisas boas já apresentadas. Ao longo de um ano e meio foram 138 visitas do Monstro à cozinha, 73 relatos de visitas a restaurantes, 90 relatos de comidas em viagens, além de 44 comentários sobre cultura e sociedade, 24 de história, 4 de cultura e 4 de ciência.

Para começar, um reprise de uma das receitas mais autorais do Monstro. Algo que pensou sozinho, e que publicou anunciando ser algo seu e novo – a lasanha de salmão. Mas dessa vez não foi exatamente a mesma lasanha. Naquela ocasião, o cuidado no preparo, o tempero e o tempo foram maiores, mas o sabor não necessariamente.

Dessa vez, em vez de preparar um molho bechamel e usar queijo parmesão, o Monstro cobriu os pedaços de salmão que foram refogados na manteiga com creme de leite e um complemento de leite. Foi isso, e só isso, com um toque de noz moscada que formou o molho da lasanha. Em vez do parmesão, usou provolone ralado, jogado junto com o molho e na cobertura da lasanha.


Mais uma vez, uma refeição deliciosa.

Quartas Bizarras 5 - Pobre São Patrício

Em antecipação ao dia dele, a volta das Quartas Bizarras foi atrás da comida irlandesa, normalmente pouco valorizada internacionalmente e sempre servida em pubs acompanhando cervejas fortes como a stout Guinness. A festa em homenagem ao St. Patrick é na terça da próxima semana (17/3), mas o cardápio dos lugares que vão ter eventos especiais ia ser o mesmo, então melhor ir antes para evitar tumulto.

São Patrício é considerado o responsável pela cristianização da Irlanda, no século 5º. Apesar de ser "são", ele nunca foi canonizado pela Igreja. Apesar de ser tão ligado à Irlanda, ele nasceu na Escócia, e se tornou missionário no país que o venera. Apesar de o 17 de março ser quase uma data irlandesa, o primeiro dia de St. Patrick foi celebrado pela primeira vez em Nova York, em 1762.

O pub O’malley’s, nos jardins, acabou sendo o escolhido por ser mais fácil de chegar e mais barato (a maior parte dos pubs cobra altas entradas, por conta de shows ao vivo, e lá era somente R$ 6). Uma consulta prévia ao cardápio no site deles já confirmava que eles serviam os dois alvos principais da noite: a torta de rim e o guisado irlandês.

Grande decepção. O monstro comeu a kidney pie quando adolescente, em Brighton, e achou a pior coisa que já tinha comido na vida. Mais velho e mais aventureiro em termos gastronômicos, decidiu provar novamente.

A torta servida no pub, chamada de Snake and Pygmy pie (em alusão ao nome steak and kidney pie) não estava ruim de sabor, mas não devia ser uma torta de rim de verdade. Parecia uma torta de carne com molho, sem nenhum diferencial de sabor, sem nada de especial ou de animador – pelo menos o preço também não era proibitivo, R$ 21.


O segundo prato era algo que o próprio pub vinha promovendo em e-mails como sugestão para a festa do patrono da Irlanda, o Irish stew, um guisado de carne de carneiro oferecido como algo tradicional no país. O “prato obrigatório em um pub irlandês”, como dizia o cardápio, teve ainda menos graça de que o primeiro (custava R$ 19).

Os pedaços de carne de carneiro até macia vem acompanhada de batatas e cenouras cozidas e um caldo absolutamente insípido e sem tempero. É até possível que esta seja a receita original irlandesa, e por isso que a comida de lá não tenha se espalhado com tanto sucesso por outros países – o problema é que pesquisas sobre a receita diz que o sentido dela é que o guisado seja longamente cozido para gerar um caldo encorpado e rico, o que não existiu por lá (algumas batatas estavam até meio duras).

Com uma refeição tão desinteressante, foi melhor encerrar o jantar por aí e ficar somente no que o bar tem de bom e irlandês, a cerveja Guinness muito bem servida em pints de R$ 15.

A bebida desceu bem, mas São Patrício merecia uma comidinha melhor no seu dia.

quinta-feira, 12 de março de 2009

As sobras

O que tinha sobrado da carne cortada para o excepcional rosbife se transformou num prato da infância do monstro. É como um filé à parmegiana, mas a carne não é empanada e frita, o que deixa mais textura e menos gordura.

Aqui o filé foi cortado em bifes, que foram passados rapidamente na chapa com um tempero italiano (desses pós prontos, com sal, cebola, tomilho, alecrim) e reservados. Na mesma chapa foram azeite, cebola picada e uma lata de tomates pelados em suco (estão bem populares nos supermercados atualmente e são bem melhores que outros molhos). Depois de deixar cozinhar bem, o molho cobriu os filés em um refratário.

O toque final foi ralar um pedaço de queijo provolone e jogar por cima, e depois gratinar tudo – genial.

O queijo provolone deixa o sabor do prato intenso, e casa muito bem com o molho leve e delicioso de tomate. O filé acabou ficando um pouco escondido, mas era perceptível como aquela carne macia ali pelo meio.

O prato foi acompanhado por pene ao alho e óleo - bem simples, pra não disputar a atenção.

Depois disso ainda sobrou carne que rendeu uns pequenos sanduíches.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Só filé

Foi a primeira vez que o Monstro cedeu ao popular filé mignon. Atraído pela queda no preço das chamadas carnes de primeira, aceitou experimentar receitas com a popular parte nobre do boi, em detrimento de pedaços mais gordurosos, cheios de ossos e de sabor mais complexo. Escolheu um belo pedaço de 800 gramas, que custou R$ 13.

A primeira boa impressão é de que a carne não sai tão cara, independentemente do seu preço real. Ao contrário de outras peças, o filé rende cada grama que pesa, sem que nada seja estragado. A peça comprada rendeu duas grandes refeições completas para duas pessoas, e ainda sobrou para uns lanches.

O primeiro prato foi inspirado em algo que comeu no dia de natal, com toda a ressaca que havia sido deixada pela festa da véspera. Foi preparado pela tia do Monstro em Cuiabá, e trazia uma grande peça de filé embrulhada em bacon e assada no forno.

Em sua versão, o Monstro preferiu que fosse um rosbife, com o interior da carne vermelho, quase cru. Metade da peça comprada foi antes temperada com sal e pimenta, selada rapidamente em todos os lados na chapa com azeite. Depois ela foi coberta com fatias de bacon e circundada por cebolas caramelizadas.

Assim, a peça foi ao forno muito alto e previamente esquentado por 25 minutos. Foi o suficiente. Muito macia, a carne estava vermelha e suculenta por dentro, tendo absorvido bem o sabor do bacon e combinando de forma perfeita com a cebola.

Para acompanhar, cozinhou batatas que foram abertas e ganharam recheio de requeijão e queijo parmesão, sendo gratinadas em seguida. Foi um belo almoço para criar uma boa relação com este pedaço da carne tão simples e tão idolatrado. A grande vantagem de comer desta carne em casa é sentir seu sabor real, já que apesar de aparecer com enorme frequência em cardápios, difícilmente a carne servida como filé em restaurantes é mignon de verdade.

terça-feira, 10 de março de 2009

Cozinha corrida - feio, mas bom

É um dos pratos menos fotogênicos do Diário. Um peixe com arroz, servido meio esverdeado, mas o sabor estava muito, muito bom.

Depois da bela estreia de fim de semana, o Monstro agora começa a cozinhar na correria do dia-a-dia.

Na segunda-feira, o filé das sardinhas frescas compradas na véspera, ingrediente corriqueiro no cardápio dele, ganharam um tempero novo. Somente cebola e alho poro, para formar um risoto de arroz simples. Tudo refogado junto e depois tudo cozido junto.

O tempero simples acabou tirando um pouco do sabor forte e intenso da sardinha, que aparecia de forma discreta, mas aparecia.

Preferência pela tradição

A cena é um clichê, o francês caminha com sua baguete debaixo dos braços pela rua de Paris, prepara um sanduíche, ou já compra pronto e come como refeição. Não tem espaço para a concorrência massificada de “macdôs” e outros hambúrgueres, e nem mesmo para croissants e Kebabs.

Os sanduíches de baguete são os preferidos dos franceses. São oito deles para cada hambúrguer vendido no país. A revelação foi feita num evento dedicado a este hábito alimentar do país, o Salão Europeu do Sanduíche, no início desse mês de março.

Segundo o diretor do evento, Bernard Boutboul, trata-se do único país em que os sanduíches vencem os hambúrgueres.

O mais popular é o apelidado de “parisiense”. Os franceses consomem em média 830 milhões de sanduíches de manteiga e presunto na baguete por ano. A cada dia, 2,2 milhões de sanduíches de presunto são vendidos na França. O sanduíche forma 72% do total de sanduíches vendidos no país.


O Kebab, que também é visivelmente muito popular no país não forma nem 30% dos sanduíches consumidos no país - são "só" 250 milhões por ano.

A popularidade do sanduíche de presunto fez com que o evento propusesse que ele fosse adotado como índice da economia do país. A exemplo do que a “Economist” faz com o Big Mac, usado para calcular o poder de compra em diferentes países, o "parisiense" seria usado para testar o poder de compra em diferentes regiões da França.

No índice, o sanduíche vendido em Paris é o mais caro, 3,27 euros em média (quase R$ 10). O mais barato fica em Corte, 1,91 euro (pouco mais de R$ 5,5).

O Monstro até tentou reviver a tradição francesa em casa. Voltou do supermercado no fim de semana com uma baguete, presunto simples da Sadia e manteiga aviação. Fez um preparo descuidado de rechear o pão e comeu logo pela manhã. O bom dessa tradição francesa é a simplicidade e a falta de mistério. Com certeza é um sabor do qual todo mundo se lembra por já ter comido um dia.

segunda-feira, 9 de março de 2009

A estreia

Domingo foi o dia-chave de estrear a nova cozinha. Depois de mais de uma semana na casa nova, finalmente houve tempo de limpar tudo, organizar, ir ao supermercado, fazer estoque, coisas que haviam ficado para trás por causa da mudança.

Já que era inauguração, a decisão foi por um prato que exigisse trabalho do novo fogão, que fosse de preparação lenta, cuidadosa, que fosse diferente e também uma novidade. Passando pela parte de carnes do supermercado, decidiu-se por uma rabada servida com polenta.

Apesar de não ser popular nem especial carne é um pouco cara no supermercado. Pagou R$ 12 por uma porção de pouco mais de um quilo, o suficiente para mais de duas pessoas, mesmo considerando que a maior parte é formada por ossos. Em casa, os pedaços foram temperados com sal e pimenta do reino, selados na panela de ferro com azeite e depois ganharam a companhia tradicional para um molho de vinho tinto: cebola, cenoura, salsão, tomate, extrato de tomate, salsa, cebolinha e, obviamente, vinho – ganhou também temperos básicos como cominho, alho e alecrim. A panela foi coberta e ficou assim, deixando a carne macia, por quase três horas. É um cozimento que não dá trabalho, é só esperar.

Quando a carne já estava macia (testando com uma faca), foi só preparar uma polenta básica com a farinha de milho, água fervendo, azeite trufado e sal. Esperar pela consistência desejada, ainda cremosa, e servir.

Depois de horas cozinhando, além de macia a carne absorve bem o sabor dos temperos, e o molho fica encorpado e saboroso por causa dos ossos. Por mais que seja trabalhoso de comer, a rabada tem bastante carne escondida entre os ossos, e alcançar os pedaços faz valer a pena o esforço - não é o prato ideal para uma noite de calor, mas desce bem de qualquer jeito.

No fim das contas, a cozinha se mostrou eficiente como esperado, e este é só o começo da atuação do Monstro nessa cozinha.

Na casa pública

Uma pint por dia garante saúde total, dizia um anúncio. Vale a pena a espera, alega outro.
Desde o aniversário de 250 anos da cerveja mais famosa do mundo que o Monstro queria tomar uma pint de Guinness. A espera foi longa demais, mas a verdade pe que sempre vale.

Na sexta-feira, ao sair da redação, correu ao bar mais próximo que pudesse oferecer a cerveja, bem tirada, na pressão, cremosa e gelada. Acabou indo ao The Pub, novo bar de São Paulo inspirado no que há de mais simples e interessante nas public houses irlandesas e britânicas.

Aberto no fim do ano passado, na rua Augusta, o The Pub não cobra entrada, não tem shows nem apresentações o tempo todo, nem é barulhento demais. Sua aposta é um balcão, algumas mesas, uma boa variedade de cervejas, mas nada ostensivo, e algumas comidas tradicionais nesses bares.

Os preços não são lá baixos, mas permitem que se tome uma ou duas cervejas sem ter que transformar a ida ao bar num evento.

O monstro acabou passando das duas, cada uma por R$ 15. E ainda comeu o mais tradicional prato inglês, o fish and chips. A comida, sim, deixou a desejar. Por R$ 18, veio uma fatia mínima de peixe empanado e frito e algumas batatas moles e murchas.

A maior decepção, entretanto, é que o bar não serve a cerveja no copão tradicional, mas em taças que tiram um pouco a graça do ritual.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Arquitetura na comida italiana

Depois de ler sobre a famosa lasanha do Tappo em blogs de comida (e de ver a foto, especialmente), o monstro deixou de lado a ideia de buscar um restaurant week e correu para o local na noite de quinta.

A imagem representa o quanto a lasanha é diferente, parecendo ser arquitetonicamente montada depois que os ingredientes estão prontos, ficando mais heterogênea, diferente da massa tradicional que é feita no forno e parece uma coisa só. As referências ao sabor também indicavam que o jantar prometia.

Ela de fato é muito saborosa, tem uma massa al dente, um molho fantástico feito com tomates frescos e manjericão e um bom recheio de bolonhesa. Muito boa, diferente, mas nada de outro mundo. O Monstro ficou mais encantado quando esteve em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, e comeu uma lasanha que a vó de uma amiga da esposa fez. De origem italiana, ela tinha preferido fazer a massa em casa porque teve preguiça de sair para comprar no supermercado.

O restaurante é do mesmo dono do Ici, francês a que o Monstro foi e de que gostou, mas que achou muito, muito caro. Localizado nos jardins, o Tappo não chega a ser barato, mas tem uma proposta mais acessível de que o restaurante irmão. O problema são os vinhos. Na carta, o mais barato custava R$ 81, e também não era nada de outro planeta. A lasanha custa R$ 33, um preço justo, se a porção fosse só um pouquinho maior.

O cardápio do Tappo é pequeno, mas todo muito atraente. Apesar de já ter chegado decidido a comer a lasanha, o monstro teve vontade de uma costela preparada com vinho, teve vontade de um ravióli de lagosta com molho de foie gras, teve vontade de muitos outros pratos.

A esposa escolheu o dela, e acertou bem. Pediu uma polenta cremosa com bacalhau, que chega desfiado, soltinho e bem temperado - muito bom. Esse custa um pouco mais, R$ 46.

O restaurante é uma boa escolha de italiano intermediário, diferente das cantinas mais tradicionais, mas mais acessível que os de alta gastronomia. O negócio é ir sem pensar muito nos vinhos e dispensar o couvert (R$ 5 por pão com azeite).

Só para complementar o assunto que veio no começo do post, o Monstro desistiu de vez do Restaurant Week. Muita mão de obra (reservas com mais de um dia de antecedência) e muita disputa por menus menos caprichados em restaurantes nada demais – no caso dos jantares, R$ 40 por pessoa não chega sequer a ser muito barato.