Experiências com as quatro melhores coisas da vida: Comer e Viajar

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Ninguém escapa

Além do processo de mudança de cozinha, que já foi citado anteriormente, uma única ostra (deve ter sido ela) tem mantido o Monstro longe das comidas. Foi provavelmente dela que veio a infecção que deixou o monstro de cama no carnaval, e não pelas supostas propriedades afrodisíacas.

O assunto ia ser ignorado aqui no Diário, se não fosse o fato de algo semelhante ter acontecido com 40 pessoas simultaneamente na Inglaterra, o que levou ao fechamento de um dos restaurantes mais estrelados do país, o Fat Duck.

A decisão partiu do próprio restaurante, onde um jantar custa o equivalente a mais de R$ 450 por pessoa, depois que vários clientes reclamaram de mal-estar relacionado com comida. Todo o estoque está sendo analisado para encontrar a origem do problema.

Se acontece até com o Fat Duck, não dá nem para o Monstro reclamar de má sorte. Pode acontecer com todos.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

O que é, o que é?

Qual a diferença entre o salmão do Pacífico e o do Atlântico? O que devo servir para um convidado hindu que tem restrições alimentares? A fórmula da Coca-Cola é a mesma em todos os lugares do mundo? Como reduzir a dor depois de comer pimentas muito fortes? Quanto tempo a carne se mantém fresca no refrigerador? Que queijos são feitos com leite de cabra? Como saber quais os vegetais da época? Vegetarianos devem servir carne a seus convidados? Quais os diferentes tipos de vinho tinto? Como funciona uma cafeteira a vácuo? Que comida os astronautas comem no espaço? Como fazer sorvete em casa? Qual a melhor forma de preparar chá? Como é feito o vinho? Por que a comida de hospital é tão ruim? O que é o leite de coco? O que é uma berinjela? O que são empanadas? Quem são Ben e Jerry? O que é tapioca?

Para quem sabe muito e tem dúvidas? Para quem sabe pouco, mas se interessa? Para quem não sabe nada e quer aprender, o NerdSábio responde a milhares de perguntas como estas. São 4.145 respostas para perguntas como as listadas acima, relacionadas a comida (tudo em inglês). Ele ainda permite que sejam sugeridas novas dúvidas a serem elucidadas.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Quase um nordestino made in arábia

A carne de bode guisada servida com cuscuz é muito comum como refeição no nordeste. Fazia parte do cotidiano da esposa quando ela vivia em Petrolina, e é algo que está marcado também no Monstro pelas idas a bares no Recife. O almoço de domingo poderia até ter o mesmo nome, mas passou por um processo diferenciado, seguindo receitas de origem árabe, formando um sabor completamente diferente.

Foi a primeira vez que o Monstro preparou um couscous marroquino (com “ou” e “s”, em vez de “u” e “z”). A semolina comprada pronta no supermercado veio da França, da rede Casino, que é uma das maiores no país, e o processo é tão fácil que o monstro não acreditou. É só ferver a água, misturar a farinha, cobrir, deixar descansando e absorvendo, misturar azeite ou manteiga e servir, soltinho, saboroso... O mionstro ainda inventou de usar o azeite trufado, que deixou um aroma excepcional.

No carneiro (difícil achar bode de verdade em São Paulo), o processo também é diferente do nordestino. A carne (vários pedaços de costela comprados por R$ 20) é temperada e longamente cozinhada junto com com coentro, cebola, tomate, batata, berinjela, pepino, abobrinha, alho, muita salsa, muito hortelã, cebolinha, sal, e bastante tahine (molho de gergelim – no caso, usado junto com uma pimenta árabe). Depois de mais de uma hora na panela de ferro, a carne fica macia e soltando dos ossos, com um sabor forte e diferenciado e um caldo perfeito para misturar com o couscous.

Já que seria um domingo árabe, o Monstro se aventurou nas entradas que sempre fazem parte das refeições desta origem nos restaurantes de São Paulo: taboule, homus e babaganoush (em grafia não-oficial).

Nos três, o tahine é tempero fundamental. O primeiro é o mais simples, pois não passa de um vinagrete que usa bastante salsa, e hortelã picadas, cebola, tomate, pepino, cebolinha, azeite, vinagre e o molho de gergelim. Depois mistura com um pouco de trigo hidratado na hora e pronto.


O Homus é mais complicado, pois é feito com grão-de-bico batido, mas pode ser feito de forma mais picareta, como o Monstro. Em vez de cozinhar e tratar os grãos, pode-se usar o enlatado, já cozido e macio. Eles precisam apenas ser batidos no liquidificador com o tahine, azeite, sal, um pouco de cebola e de alho. E eis pronto o delicioso creme.

Por último o creme de berinjela. O segredo deste é o gostinho de queimado, de fumaça, que se consegue ao assar ela direto na chama do fogão, até amolecer (pode-se finalizar no microondas, para agilizar). Depois de cozida ela é descascada, temperada com sal, pimenta e azeite, finalizada com mais tahine e triturada para formar uma pasta.

Acompanhados de pão sírio, servem quase como a refeição, ou enganam bem o estômago para um almoço tardio, com sotaque e sabor diferentes do nordestino, mas igualmente valiosos.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Comida em tempos de crise

Não que ninguém vá deixar de comer por causa da crise financeira que abala o mundo, a alimentação é a prioridade de todos, mesmo com pouco dinheiro. Quem costuma sofrer nessas horas é o paladar, pois o que diminui é a qualidade da comida consumida com pouco dinheiro.

Um livro lançado nos Estados Unidos tenta achar uma solução (à moda deles) para este problema - o remédio está nas lojas de tudo por 99 centavos. "The 99c cookbook" se pretende um guia gourmet para comidas baratas. A autora, Christiane Jory, inventou pratos usando os produtos (a maioria enlatados e industrializados) que se podem comprar por menos de um dólar nessas lojas.

A princípio soa meio esquisito, é verdade. Uma reportagem no National Public Radio, entretanto, diz que algumas comidas são, sim, surpreendentemente boas, e poderiam ser servidas até mesmo em restaurantes.

Uma sobremesa

Nenhum doce marcou mais a infância do Monstro de que o pavê. Em diferentes variações, era a sobremesa preferida daquele gordinho guloso, que nem sempre deixava espaço após a refeição, mas sempre conseguia ampliar o estômago para caber este complemento.

Mesmo sem ser muito nostálgico, veio dessa infância o começo da inspiração para esta sobremesa. Agora crescido e Monstro na cozinha, não dava para fazer nada muito simplificado. A receita básica que já tinha feito uma vez foi alterada em alguns pontos marcantes.

A primeira transformação foi o biscoito. Em vez dos tradicionais maizena ou champagne, usou o biscoito de aveia e mel que havia encontrado em promoção no supermercado. Em vez de molhar ele no leite puro, banhou em mistura de leite com canela e um toque de licor de Gianduia (chocolate com avelãs).

A segunda transformação estava no creme. A tradicional mistura de leite condensado com gemas ganhou um toque de Bailey’s, o licor de café com whisky.

Na montagem, um pacote e meio de biscoitos foram intercalados com o creme. Por cima de tudo, claras em neve misturadas a açúcar e creme de leite compõem a cobertura.

O licor acabou ficando um pouco escondido, com sabor delicado. Os biscoitos ajudaram a não deixar a sobremesa excessivamente doce, e formaram uma massa homogênea que se destacava mais que o restante. A sobremesa ficou diferente do que marcou a infância do Monstro, mas mais elaborada e suave, não doce demais.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Onde os sonhos se transformam em ataques cardíacos

Não deixa de ser ao mesmo tempo tentador e assustador. Um site norte-americano decidiu explicar os motivos pelos quais as pessoas que gostam tanto de comer são gordas. "This is why you're fat" reúne as comidas mais gordurosas e calóricas do planeta.

Algumas são simplesmente bizarras, outras alimentariam famílias, mas bem que na lista há algumas bastante atraentes...


Quartas Bizarras 4 – Self-service mongol, mas só no nome

O ambiente arrumadinho demais, metido a besta e o alto preço da Vila Olímpia não espantaram quem procurava uma comida diferente. Na quarta edição do projeto que busca restaurantes mais exóticos e fora do roteirão básico da gastronomia de São Paulo, o jantar foi no restaurante que se divulga como tendo inspiração mongol, o Tantra.

A proposta do lugar é simples, mas é mais diferente de que as comidas oferecidas. Funciona como um self-service. Cada cliente prepara o que quer comer em uma cumbuca e entrega a um chapeiro, que assa tudo junto e devolve quando a comida está pronta. Tudo num clima um tanto desanimador, à moda Spolleto, como disse uma amiga, mas a preços muito mais salgados.

Há uma boa variedade de opções. Carnes de boi, carneiro, javali e cação. Frutos do mar como camarão e lula. Legumes, molhos e temperos variados, incluindo ervas frescas. A inspiração mongol fica mais na decoração, já que cada pessoa acaba montando pratos próprios, sem um tempero e um sabor que façam alusão ao país (por mais que haja opções de receitas escritas a serem seguidas).

O preço é alto, R$ 56 por pessoa. A vantagem é que o buffet é livre, então é possível experimentar as comidas e temperos mais variados, quantas vezes o estômago permitir. Cada um dos 5 que jantavam comeu pelo menos três pratos – o que acarretou um certo peso no estômago prolongado até o dia seguinte.

O Monstro começou com carnes de carneiro e javali misturadas, junto com cebola, cenoura acelga e cogumelos, um pouco de vinho branco, de pimenta verde, alho e um suposto “tempero afrodisíaco”. Foi o prato mais sem graça da noite.

Na segunda corrida pelo buffet, foi a vez dos frutos do mar. Peixe, camarão e lula, com cebola, salsão, brócolis, caldo de peixe e shoyu, curry, páprika, alho, cebolinha, gengibre e gergelim. Ficou melhor, bom, mas os frutos do mar acabam ficando tempo demais na chapa, e ressecam. Todos os pratos da noite pareciam mais ressecados de que deveriam, e a chapa acaba uniformizando um pouco os sabores sem agregar nada novo, como faria uma grelha na brasa.

Na última visita às comidas, mais frutos do mar. Dessa vez inspirado num dos pratos experimentados na mesa, misturando camarão e lula com vinho, creme de leite, coco ralado, alho e sal. Ficou o prato mais diferente dos três.

Foi uma noite interessante, e a comida estava boa, servida de forma diferente – mas faltou o fator bizarro. Nenhum dos sabores experimentados eram novos e diferentes que valessem o deslocamento até a zona sul, muito menos que valessem os altos preços cobrados. Nenhum sabor dava o gosto de algo novo, algo de verdadeira inspiração de um país tão distante culturalmente quanto a Mongólia (como pede o projeto quartas bizarras). O Tantra pode ser um bom lugar para um “jantar balada” na Vila Olímpia, mas não é uma comida sensacional, muito menos uma experiência gastronômica marcante.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

A prometida picanha perfeita

Algumas receitas ficam guardadas no fundo da cabeça esperando o momento certo para serem testadas. Quando esteve em Paraty, em ataque monstruoso em setembro do ano passado, um dos restaurantes caros e chiques da cidade oferecia um prato muito atraente em cartaz pendurado na porta – aquela picanha recheada com queijo deixou o Monstro babando, mas o preço (mais de R$ 100 pela porção) fez com que deixasse para comer em casa mesmo.

Fazia tempo que deixava para depois a compra da carne, mas do fim de semana não passou. A picanha, cada vez mais cara, foi comprada por R$ 22 (peça de 700 gramas), e tinha uma bela parte de gordura que enche de sabor e de maciez. Ela foi sendo cortada em pequenas incisões quase cirúrgicas entre a carne e a gordura pelo lado mais grosso, para receber o recheio.

Feito o grande e cuidado furo, o Monstro picou cebola e cenoura e misturou com queijo gorgonzola, formando o recheio. Bem misturado, ele foi colocado no buraco da carne, que depois foi fechado de forma bem simples, com palitos de dente. A carne ganhou um tempero externo de sal grosso e foi embrulhada em papel alumínio junto com fatias de cebola que dariam mais sabor.


O cálculo do tempo de cozimento tomou por base a idéia de 1,5 hora por quilo de carne. Já que a idéia da picanha era manter-se mal passada e vermelha, deixou apenas 35 minutos em forno médio, deixou descansar por mais cinco minutos, abriu o embrulho e cortou a carne.

Perfeição. Carne macia, vermelha, sangrando saborosa – recheio cremoso, muito bem casado com a picanha. Ah, e as cebolas, que ficaram macias e cheias do sabor da carne. Um grande almoço que foi esperado com ansiedade e cumpriu seu dever com honra. Em vez de mais de R$ 100, custou menos de R$ 25 em uma porção enorme para duas pessoas.

Sanguinolenta, sanguinária e meio salgada

Domingos caseiros servem para experimentar novas receitas e sabores. É o dia que o Monstro usa para deixar um pouco de lado os fermentados preferidos (cerveja e vinho) para fazer malabarismos com a vodka de que a esposa tanto gosta. Tanto gosta, mas não de tudo com ela.

A tentativa de fazer um bloody mary deu bem certo. O problema é que o sabor do coquetel vermelho com suco de tomate, apimentado e atpe um pouco salgado, nunca agradou ao casal, como não o fez no fim de semana.

A receita usada foi a mais simples, seguindo a descrição da enciclopédia livre da internet: vodca, suco de tomate (enlatado, comprado por curiosidade), sal, tabasco, molho inglês, pimenta do reino, gelo, limão e salsão (não em talo, como indicado). Não dá para fugir da idéia de que mais parece um molho para comidas de que uma bebida propriamente dita.

Segundo os sites Cookthink e Slashfood, o bloody mary não tem um registro oficial de sua história, mas teria sido inventado por Ferdinand Petiot, que trabalhava no bar Harry's, em Paris, nos anos 1920 e depois foi para os Estados Unidos. Ele teria surgido a partir da mistura mais simples de suco de tomate e vodka, ganhando com o tempo mais temperos.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

O pão mais fácil do mundo

Pouco depois de admitir não ser muito bom em sobremesas, chega a hora de revelar a grande fraqueza do Monstro. Nada é mais difícil para ele de que pão. O pior é que ele gosta do processo, gosta de tentar, adora comer os mais diferentes tipos de pão... mas dificilmente acerta um quando tenta fazer em casa (mais uma vez o bloqueio com receitas de medidas exatas).


Foi admitindo isso que ele tentou (de novo) fazer a receita do chamado “pão mais fácil do mundo”, o no-knead bread, divulgado pelo New York Times há uns anos e amplamente propagado pela internet em todo tipo de blog.


É o mais fácil do mundo porque não é sovado, usa medidas simples, e funciona na base da fermentação prolongada. E mesmo assim o Monstro errou quando tentou fazer ele pela primeira vez, há alguns meses. Fez um pão solado e grosseiro, que tinha só cheiro de farinha. Errou, mas não desistiu.

No final de semana, ao ver a farinha integral (mistura especial para pães, com menos chances de dar errado) nas prateleiras do supermercado, decidiu tentar novamente. Misturou grosseiramente as três xícaras de farinha, a meia colher de fermento, a xícara e meia de água e o sal, cobriu com plástico e deixou descansando por 16 horas (o mínimo indicado são 12).

O processo que havia começado no sábado continuou na manhã de domingo. A massa fermentada é mexida algumas poucas vezes com um pouco mais de farinha e volta a descansar, agora por duas horas. O descanso é o trabalho deste pão.

Na hora de assar, é preciso ter uma panela de ferro, daquelas pesadonas. O pão assa dentro de uma delas, no forno bem quente, por 40 minutos.

Deu certo. Fica um pão bem rústico, com crosta grossa e crocante, miolo bem aerado, mas de massa de verdade. O gosto fica dos mais simples, mas simplicidade em pão é uma coisa boa. Seja para comer puro, com queijo, manteiga, o que for, fica ótimo.

O restaurante onde se dava dinheiro

Um restaurante famoso, em um bairro nobre de São Paulo, que apareceu dezenas de vezes na TV por ter sido o local onde aconteceu uma tentativa de suborno a um delegado federal para livrar um banqueiro de investigação. O Monstro não recebeu nenhuma bolada em dinheiro, mas saiu bem satisfeito e feliz após o jantar de sábado no Tranvía.

Foi a terceira visita ao local, mas a primeira em que conseguiu recriar o clima de carnes e vinhos que marcou a viagem ao Uruguai, país de origem da gastronomia do restaurante. Foi tomando um Talento (quase uma homenagem ao dono na Vinícola Salton, morto nesta terça), que comeu uma bela carne na parrilla a preços bastante aceitáveis para os parâmetros da cidade.

Primeiro rejeitou o couvert (R$ 10 por pessoa por pãezinhos) e preferiu pedir uma entrada. Foi de provoleta, com cubinhos de provolone assados com orégano na churrasqueira. Mesmo puros, sem pão ou nada parecido, os pedaços de queijo foram muito bem na abertura da noite.

O jantar foi um chute certeiro, um bife de chorizo dividido com a esposa. A carne estava perfeita, bem assada por fora e vermelha e suculenta por dentro, deliciosa e sem perder muito das ótimas carnes que comeu recentemente durante o Ataque a Buenos Aires.

Ele veio acompanhada por uma batata ao plomo, assada no forno e coberta com queijo gorgonzola e alho frito.

Os amigos que acompanhavam o jantar pediram uma picanha de carneiro e uma batata suíça de acompanhamento – também muito bons.

Já que todos haviam dividido pratos na refeição principal, o estômago e o bolso permitiram pedir uma sobremesa. Não dava para fugir de um dos maiores clássicos portenhos (OK, Argentina e Uruguai são diferentes, mas a comida é bem parecida), flan con Dulce. Foi diferente do tradicional nos países vizinhos. O pudim estava doce e consistente, muito melhor que o flan, mas tornando desnecessário o doce que acompanhava.

A refeição completa custou R$ 140 para o casal (incluindo entrada, prato, sobremesa e vinho). Longe de ser barato, mas ainda distante dos locais mais caros da cidade. Fora que sempre há a esperança de que apareça alguém confundindo você com alguém da PF e deixando uma mala de dinheiro em suas mãos...

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Dois hambúrgueres, alface, queijo, cebola...

O Monstro ainda não vai falar dos sanduíches da loja dos arcos amarelos, por mais “do contra” que queira ser em suas aventuras gastronômicas e por mais que eventualmente ceda à praticidade da lanchonete de perto do trabalho. É hora de falar de duas novas refeições opostas envolvendo o sanduíche de carne moída moldada.

Um deles veio de surpresa quando ia tomar um chopp no bar Balcão, nos Jardins. O lugar é meio badalado, cheio, coisa e tal. Não é um bar a que dê vontade de voltar por seu clima de bar – mas até que dá vontade de voltar pela comida. O hambúguer alto, com tempero excelente, é servido simples, só ele e o pão, e a surpresa está no recheio. Dentro da carne há bastante queijo derretido, fazendo um belo complemento de um sanduíche gostoso e simples.


Ele experimentou ainda a opção au poivre, com a carne mais baixa e coberta por bastante pimenta do reino quebrada grosseiramente – um sabor bem diferente do tradicional. Os sanduíches de forma geral dominam a parte de comida do cardápio (por mais que haja outras opções). O recheado que o Monstro comeu custa coisa de R$ 13. Não é barato, mas há lojas especializadas vendendo coisa pior, e mais cara.

Por falar nos mais tradicionais. Numa correria do meio da reforma da nova cozinha o Monstro acabou batando de madrugada no Toninho & Freitas, vizinho menos badalado e mais cultuado do Burdog, na av. Doutor Arnaldo. Aqui, como no do lado, o foco não é o hambúrguer em si, mas os enormes acompanhamentos que disputam espaço dentro do pão.

A carne, por sinal, é sem graça, sem tempero, nada especial. O sanduíche que o Monstro pediu veio acompanhado de maionese (suficiente para fechar duas artérias), alface, bacon (suficiente para fechar três artérias) e cebola frita (lá se vai mais uma artéria). O pacote é o mais gorduroso e junkie que pode existir e custa em torno de R$ 15. Nada gastronômico se comparado ao hambúrguer de que falou antes, mas um bom lanche (no sentido de refeição, não de sanduíche como dizem paulistas menos educados).

Um terço do Zaffari direto para o lixo

O fim de semana depois de compras no Zaffari parecia a propaganda contra o desperdício do Instituto Akatu: Carne de carneiro estragada: R$ 22, cebola podre: R$ 1,50, berinjela velha, R$ 2. Vários dos produtos trazidos deste supermercado de rede gaúcha aberto em São Paulo há pouco tempo pareciam ótimos nas prateleiras, mas trouxeram apenas frustração.

É verdade que o Monstro não é dos consumidores mais atentos, e muitas vezes esquece de averiguar prazos de validade dos produtos nas prateleiras. Também é verdade que ele não costuma acreditar muito nessas coisas de prazos de validade, achando que é tudo muito chute, muito aleatório. Difícil é acreditar que aquele imenso pedaço de costela de carneiro ainda estivesse bom até o sábado, quando se encerrava o prazo de validade, se, no domingo à tarde, a carne estava verde e cheirando mal.

As compras no Zaffari foram um bom momento, com preços abaixo do que se esperava para o tipo de atendimento e variedade de produtos à la Pão de Açúcar. A frustração de ver comida ainda nova estragada, entretanto, é algo que nunca aconteceu com o Monstro nos supermercados de luxo na rede de Abílio Diniz.

Quando um único produto é levado para casa com “defeito”, pode-se até acreditar em falha, em erro. Quando, depois da carne, cebolas estavam podres e a berinjela completamente comida por dentro, não dá para deixar de pensar em má-fé. Mas dá para deixar de ir ao Zaffari.

Bom bolo in box

Habilidoso com temperos, o Monstro sempre apanha de sobremesas. Esse negócio de usar medidas exatas de farinha, coberturas e essências sempre acaba dando errado para quem gosta do caos. Foi assim que ele começou a gostar dos bolos de caixinha, que já trazem a mistura pronta para ser batida com ovos, manteiga e leite, para ir ao forno e ficar um bolinho mais ou menos...

Neste fim de semana foi a vez de testar um bolo-mistura, o Duo Paixão da Dr. Oetker, que traz bolo e calda para um resultado fofo e cremoso ao mesmo tempo.

O modo de preparo é um pouco mais complicado, porque inclui a batedeira e a calda que é misturada a leite paralelamente, mas ainda é fácil demais. Fica um bolo mais baixo, servido ainda quente, com a calda cremosa, bom para aquela sobremesa sem trabalho.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Guinness, 250, faz bem para você

A espera vale a pena, diz o anúncio. E o tempo parece que só faz melhorar a Guinness, uma das cervejas mais celebradas do mundo.

Faz 250 anos que o irlandês Arthur Guinness criou a cervejaria que criou a bebida escura e encorpada que se espalhou pelo mundo com seu sabor intenso e textura cremosa. Se no país de origem ela faz as vezes de pão com manteiga na dieta da população, em todos os continentes do mundo é possível encontrar a cerveja que tem seguidores apaixonados.

O jornal britânico “Independent” traz, na versão on-line, uma excelente matéria sobre a história, os mitos e os benefícios da cerveja.

É interessante descobrir que ela tem este sabor e cor tão característicos por acaso, no século 19, quando o filho do criador da cervejaria passou a usar a cevada torrada para diminuir os impostos pagos. Também é curioso que, mesmo sendo tão encorpada, ela é tão ou menos calórica de que outros tipos de cerveja mais leves e suaves.

No site da Guinness há uma linha do tempo, uma homenagem e um convite à celebração. Vale comemorar tomando uma pint da cerveja que “faz bem para você”.

Dois Japas, um cadeado

Duas visitas e experiências opostas em restaurantes japoneses – um fraco habitual e uma ótima novidade.

Começando pela novidade. Em tempos em que a esposa sai tarde do trabalho, o Monstro descobriu que há um bom restaurante na Liberdade que fica aberto até 2h da manhã. Mais agradável surpresa foi saber que o Kabura tem ótimas opções no cardápio, comida excelente, e não é muito mais caro que a média.

Às 23h da quinta-feira, o restaurante estava tranqüilo, mas na ativa. O atendimento foi rápido, começando com uma entrada básica incluindo harumakis (levemente temperados com curry), folhas de mostarda salteadas, nabo agridoce e uma mistura de fatias de peixe cru com feijões e legumes, tudo frio e muito saboroso (R$ 3 por pessoa).


Apesar de se apresentar como um restaurante que respeita as tradições culinárias do Japão, o cardápio oferece muito mais que sushis e sashimis (sempre separados, nunca servidos juntos), e inclui espetos e peixes na brasa, carnes e frutos do mar na chapa, sashimis de picanha.

Foi bater o olho e escolher o que seria comido: ostras à milanesa. Uma porção com seis grandes ostras (R$ 25), fritas com uma casquinha crocante e servidas acompanhadas de um molho fantástico. Elas podem até parecer caras, mas valeram por toda a noite.

Antes delas, a primeira escolha para abrir os pedidos foram espetos. Dois. Um de lula e outro de língua bovina. Ambos grelhados com molho, macios, com um belo de um gosto de brasa.

Depois vieram ainda sushis, variados, numa porção de 20 (R$ 47). Pedaços grandes de peixes muito frescos, arroz temperado e bem cuidado, bastante raiz forte já dentro dos bolinhos (wasabi normal, como chamou a garçonete, diferenciando do que é servido à parte).

Após a descoberta, o Kabura já entrou na lista dos lugares que se tornarão habituais, até porque a opção mais aclamada do cardápio, uma anchova grelhada, existia no dia apenas em versão extra-grande e extra-cara (R$ 124 por um peixe).

Por falar em habitual, a outra experiência de sushis da semana foi uma enorme decepção. O Monstro já falou algumas vezes sobre o fato de não gostar dos rodízios de sushi, com gosto homogeneizado, sem graça, e em que se busca mais a quantidade de que a qualidade. Almoçava, mesmo assim, vez ou outra, no Flying Sushi de Perdizes, pela facilidade de acesso, o preço, a velocidade, essas coisas de almoço comercial, sem busca por nada fenomenal.

Era quarta-feira quando foi lá pela última vez (no sentido de que não volta lá nunca mais). Tudo estava ruim. O único peixe disponível era salmão. Essa mania dos sushis populares do Brasil de quererem fazer desse peixe algo especial em sushis, quando os japoneses na verdade preferem o atum. Para piorar, mesmo o salmão estava pouco fresco, sem graça, cortado em fatias muito finas, fazendo sushis fracos. Na linha de faltas, também não havia harumakis e outras entradas interessantes.

Nem barato chegou a ser, já que, com os R$ 30 gastos por pessoa era possível comer muito melhor em sushis como o próprio Kabura.

Como diz um amigo quando o restaurante é ruim e faltam opções no cardápio: “Tem cadeado? Se tem, aproveita e fecha a bodega”. Ao Flying sushi, o Monstro não volta.