Experiências com as quatro melhores coisas da vida: Comer e Viajar

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Quartas bizarras 2 - O ano do boi

A segunda edição do Quartas Bizarras fez jus ao nome do evento. O jantar foi em um restaurante chinês em que o cardápio dava poucas dicas do que eram os pratos, as garçonetes não se comunicam bem em português, as comidas são muito diferentes das que se encontram nos lugares mais tradicionais, e os sabores experimentados são novos e muito bons.

Depois de uma primeira edição conservadora, quando o grupo jantou capivara e avestruz em um restaurante um tanto caro em Moema, e de uma semana de pausa, a busca por lugares alternativos do circuito gastronômico paulistano levou ao Chi Fu, restaurante chinês da Liberdade considerado símbolo da culinária underground por críticos locais. Era uma forma de homenagear o novo ano pelo calendário do país, o ano do boi.

O restaurante mudou de endereço recentemente, assumindo o que parece ter sido um hotel, mas fica na praça Carlos Gomes, em frente à estação de metrô. Com grandes mesas, oferece farta comida cantonesa, de onde vieram os donos da casa.

O cardápio é extenso, escrito em chinês com descrições de duas palavras em português, com erros de tradução que tornam alguns deles indecifráveis. “Frio”, por exemplo, é algo que é oferecido sem nenhuma explicação (não adianta muito perguntar às garçonetes, que dizem “cerveja sem gelo” para dizer que está quente – tem gente que fica até com medo, e que tenta se comunicar como se falasse com pessoas retardadas).

Entre as opções compreensíveis há muitos frutos do mar: camarões, ostras, siris. Isso além dos tradicionais pato, frango...

As opções escolhidas foram won tons fritos, rãs fritas e siris com alho.

Os primeiros são trouxinhas de massa frita e recheio indecifrável (legumes, e alguma carne). A porção de R$ 15 é grande, vem com a massa muito fina e sequinha, acompanhada de um ótimo molho agridoce.


Depois vieram as rãs, com carne macia e suculenta, empanadas em massa fina e crocante. Coxas, costelas, muitos pedaços variados e interessantes por R$ 30.


Por último, os siris, cozidos no vapor com muito alho e cebolinha. Além da patas maiores, vêm muitos pedaços do corpo, que precisam ser garimpados em busca de uma carne difícil de ser encontrada, mas muito saborosa. A melequeira e o trabalho valem pela recompensa.


A comida vem em grande quantidade, o preço é bom (abaixo, a conta para 4 pessoas), o sabor é ótimo, mas não se pode esperar o mesmo do atendimento, desligado e desatencioso – um clima surreal um tanto bizarro. No fim das contas, não é nada que atrapalhe uma excelente e diferente refeição.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Explosão de bacon

A novidade foi criada na época do natal, e se espalhou numa velocidade tão alta quanto o número de calorias reunidas nela. Trata-se de um salame caseiro, preparado com um quilo de bacon em tiras, que é trançado e forma um rocambole com mais um quilo de linguiça.

Esse "torpedo", como o "New York Times" chamou na reportagem publicada nesta quarta-feira, é assado com molho de churrasco e fatiado para ser servido. São mais de 5.000 calorias, e o sabor deve ser intenso - o perigo é as artérias fecharem-se imediatamente.

Além da novidade gastronômica, a reportagem sobre o bacon explosion mostra a força da internet no mundo da comida. O prato conseguiu se difundir por mais de 16 mil blogs (e se tornar reportagem do jornal) menos de um mês desde que foi criado.

O vídeo abaixo mostra o processo completo de preparar a explosão.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Rapidinha

Um processo de mudança de cozinha está tomando o tempo do Monstro e atrapalhando as atividades gastronômicas nos últimos dias. A pressa, entretanto, ajudou a gerar um almoço típico de comida rápida, fast food, à americana. O Monstro preparou uma nova versão caseira do tradicional hambúrguer.

Ao contrário de receitas mais elaboradas feitas no passado, pegou uma porção de 350 gramas de carne moída (acém), temperou com sal, pimenta-do-reino, alho desidratado, um pouco de uma mistura de ervas desidratadas e algumas gotas de molho inglês. O preparo é o mais simples do mundo: só misturar os temperos e moldar os "patties" de carne.


Uma boa dica veio da internet para que o hambúrguer não encolhesse e se transformasse numa bola de carne - Pouca antes de grelhar, é só fazer um pequeno furo no meio da carne. Ela vai à chapa por cerca de 4 minutos de cada lado, é coberto com queijo e pronto.
Fica um habúrguer à moda chique e cara do PJ Clarke's. Tão bom quanto, mas muito mais barato e fácil.

sábado, 24 de janeiro de 2009

É ruim, mas é bom

O povo mais consumista do mundo, os americanos, não gosta de economizar nem nas calorias. Não foi uma surpresa, mas o Monstro, que não é nenhum hipócrita nem esbelto, se espantou com a popularidade da gordura no corpo do povo da terra de Obama.

Eis que a revista Men’s Health reedita a lista de comidas que deveriam ser evitadas nas principais redes de fast food e casual dinner do país – sem surpresa, estão alguns do locais que o Monstro visitou enquanto trabalhava na cobertura da eleição, no final de 2008.

Na lista das 20 piores comidas do ano, estão algumas das mais gostosas comidas do ano: o Outback, o Chili’s, o Uno, o TGI e todos aqueles locais de comida pesada e oleosa e deliciosa.

A “pior” pizza é a versão de um outro restaurante para a que o monstro comeu em Chicago - Deep dish, com muito, muito queijo (e 2.300 calorias)

A “pior” costela é a tradicional do Outback (2.260 calorias).

O Chili’s tem o “pior” hambúrguer.

A “pior” de todas as comidas servidas no país neste ano é o milk shake de oreo’s (negresco) servido na sorveteria Baskin Robbins (2.600 calorias).

Veja a lista completa, em inglês.

A esperança, o medo e o almoço

Uma semana longe do blog. Tudo por conta de um almoço relativamente simples, um ensopado de frutos do mar, seguido de pato, faisão e torta de maçã.

Veja o que foi servido no almoço de posse de Obama
Pratos foram inspirados nas preferências de Abraham Lincoln.
Cardápio incluiu um ensopado de frutos do mar, pato, faisão e torta.

Depois de tomar posse como 44º presidente dos Estados Unidos e de fazer seu primeiro discurso, Barack Obama seguiu para o tradicional almoço inaugural, no Capitólio. A refeição foi formada pelos pratos preferidos do 16º presidente do país, Abraham Lincoln.

O cardápio incluiu um ensopado de frutos do mar, pato e faisão, torta e alguns dos mais premiados vinhos da Califórnia.

O primeiro prato foi um ensopado de frutos do mar repleto de lagostas, camarões e bacalhau, foi servido com um vinho Sauvignon Blanc de 2007 da Duckhorn Vineyard.

O prato principal do cardápio é composto por peito de pato com molho picante de cereja, faisão assado com recheio de arroz selvagem e batata-doce, acompanhado por um vinho Pinot Noir de 2005, Goldeneye, do Anderson Valley, na Califórnia.

Por último, os convidados comeram uma torta de maçã e canela acompanhado pelo espumante californiano Korbel Natural.

Evento
Cerca de 230 pessoas foram convidadas para o almoço, organizado pela Design Cuisine, empresa de catering de Washington, no Statuary Hall do Capitólio.

Um comitê bipartidário, presidido pela senadora da Califórnia Diane Feinstein, escolheu a comida e os vinhos após uma seleção feita por senadores e deputados, incluindo a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, de acordo com Kathy Valentine, chefe da empresa que prepara a festa.

Clique aqui para ver todas as receitas no site oficial da posse (em inglês)

Receita
Ensopado de frutos do mar (porção para dez pessoas)

Ingredientes
- 6 lagostas (de aproximadamente meio quilo)
- 20 vieiras médias
- 36 camarões grandes descascados e limpos (aproximadamente um quilo)
- 10 pedaços de bacalhau fresco (cerca de 250 gramas)
- meia xícara de cenouras picadas
- meia xícara de salsão picado
- meia xícara de alho poró picado
- meia xícara de batatas picadas
- 1 colher de chá de sal
- 1 colher de chá de pimenta-do-reino
- 1 quarto de colher-de-chá de noz moscada
- 1 litro de creme de leite
- 1 xícara de vermute (opcional)
- 10 formas de massa folhada

Preparo:
1 - Ferva quatro litros de água; cozinhe as lagostas, depois os camarões, depois o bacalhau e por último as vieiras. Após o cozimento, retire os frutos do mar da água; reserve a água e a mantenha fervendo.

2- Cozinhe todos os vegetais na mesma água; retire-os quando ficarem macios; mantenha o líquido fervendo até que fique apenas um litro. Ele vai ser a base para o molho.

3 - Adicione o vermute e o creme de leite ao caldo fervente e deixe reduzir pela metade; tempere com sal, pimenta e noz-moscada. Deixe ferver até que a consistência cubra a parte de trás de uma colher de madeira. Deixe esfriar.

4 - Corte as lagostas, camarões e vieiras em pedaços pequenos.

5 - Preaqueça o forno a 200º C

6 - Misture os frutos do mar ao molho frio e espalhe em pequenos refratários.

7 - Cubra os refratários com a massa folhada, pincele com ovo batido e cozinhe até que fiquem douradas (cerca de 8 a 10 minutos). Deixe esfriar por 5 minutos antes de servir.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Bode paulista

Por aqui ele é chamado de cabrito. Mesmo no Centro de Tradições Nordestinas, em um dos vários restaurantes (todos com o mesmo cardápio) da área de shows deste ambiente kitsch inspirado no que vem da região onde o Monstro nasceu e cresceu. A porção é similar ao tradicional bode guisado, pedaços de carne caprina com muitos ossos e gordura cozidos longamente com legumes.

O prato para duas pessoas que serviu de almoço neste sábado custa R$ 35. Um preço baixo e uma comida boa, mas uma experiência pouco interessante (especialmente pela cerveja quente servida de acompanhamento), que não deixa muita vontade de repetir. Melhor seria passar no mercado municipal, comprar a carne e preparar em casa – talvez aqui ela fosse ter um toque realmente nordestino.

Sentindo na pele

O segredo é a pele. Salmão é um peixe saboroso, mas que acabou se tornando muito cotidiano no Brasil, mais até de que muito do que é pescado por aqui mesmo. Preparar um risoto com o peixe é simples, é bom, mas pode fugir do lugar-comum de uma forma muito simples, usando a pele.

O processo é facinho: limpar o peixe, cortar em cubos, usar alguns pedaços para preparar um caldo com legumes, refogar o arroz arbóreo, ir adicionando o caldo aos poucos, junta cubos limpos do filé e deixar atingir o melhor ponto do risoto. Se fosse até aí já seria bom, mas a mágica vem além.

Na hora de tratar os filés, o Monstro separou a pele do peixe, limpou bem e jogou na frigideira, seca, sem precisar de gordura além da que já tem no próprio salmão. Foi só deixar ela algum tempo de cada lado, para que ficasse sequinha e crocante.

Esses pedaços foram colocados por cima do risoto, melhorando o visual e o sabor do prato. Uma mudança simples, mas completamente transformadora.

Quartas bizarras 1 – bichos escrotos

O título é exagerado, mas a idéia da inauguração do projetos Quartas Bizarras era ir a um restaurante que servisse carnes exóticas, pratos diferenciados, raros na cidade. O plano é sair toda quarta-feira com um grupo de amigos para descobrir restaurantes “bizarros”, especializados em culinária de origens diferentes e que sejam fora do roteiro tradicional da gastronomia paulistana.

Depois de fazer uma lista com locais de comida de escandinava, asiática a goiana, o eleito para a estréia foi o Diaccuí, principal representante do ramo de carnes exóticas. O restaurante é pequeno, mas bem organizado, fica em Moema, e estava tão vazio na quarta-feira que não vai ser estranho se fechar as portas daqui a algum tempo. Seu cardápio oferece pratos de gastronomia "contemporânea" a preços relativamente altos, e o diferencial está nas carnes de avestruz e capivara, especialmente.


De entrada, serviu-se pasteizinhos de queijo bem simples, mas bons, e uma porção de iscas de avestruz. A carne chapeada em pequenos pedaços e acebolada não se destacava muito, mas era um começo interessante.

Depois de ficar frustrado por não comer capivara no pantanal matogrossense, onde tem montes desses roedores, o Monstro não pensou duas vezes ao olhar o cardápio, pediu um ragu de capivara. A carne desfiada vem com molho de tomate e é acompanhada por nhoques de batata. A carne estava boa (apesar de não se diferenciar muito de carnes suínas de forma geral), mas o molho do ragu estava um tanto ralo e sem muito sabor (problema comum de restaurantes com poucos clientes – pratos que poderiam estar semi-prontos, ou congelados para não demorar demais no serviço).

Na mesa, pediu-se também uma capivara ao molho poivre, que tinha um sabor mais acentuado que o do ragu e era acompanhado por um couscous marroquino.

O prato mais interessante da noite, entretanto, foi o mais simples, um medalhão de avestruz. Puro e sem grandes invenções, o prato destacava o sabor diferenciado e a textura quase bovina desta carne de ave.

Por mais que o exotismo não tenha sido radical, a inauguração do projeto foi muito bem sucedida. Nas próximas semanas, serão procurados lugares mais “bizarros” e mais baratos – no Diaccuí a conta saiu por R$ 68 por pessoa (incluindo cervejas).

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Bananas verdes fritas parte 2

Nossos vizinhos latinos nem sempre esperam que as bananas fiquem maduras para comê-las. É normal que usem elas fritas ou assadas, salgadas, como acompanhamentos variados. O Monstro percebeu isso claramente na Venezuela e na Colômbia, em suas viagens comentadas como Mordidas Políticas.

Nunca tinha visto no Brasil, entretanto. Tirando um ou outro petisco industrializado, plátanos, como são conhecidas as bananas verdes, não aparecem em nossos cardápios.

Foi então que resolveu fazer em casa. Aproveitando a última parte do pernil desfiado, focou a refeição no acompanhamento. Pegou bananas verdes (usou das nanicas, mas provavelmente outras também servem), descascou (é preciso ter cuidado com a casca que deixa as mãos grudando com algo que solta) e fatiou finamente no comprimento.

As tafias foram salgadas, temperadas com pimenta do reino e jogadas na frigideira com manteiga. Dourados os dois lados, é só servir.

Ficam parecendo tubérculos, como batatas, mas com um sabor um pouco mais suave, diferenciado, e uma textura mais de massa, crocantes por fora.

Buracos


A vontade era de fazer algo mais simples para almoço, um sanduíche no lugar de refeições mais elaboradas. Aproveitando que tinha um pernil de porco cozido e desfiado, resolveu inventar algo por cima da receita que o bar Filial oferece como buraco quente, segundo a receita no vídeo abaixo.

Em vez de usar carne moída, usou o pernil desfiado, que foi refogado com cebola e temperado com molho inglês, tomates e molho barbecue. Depois de deixar a mistura reduzindo o caldo e apurando o sabor, foi só cavar um buraco em pães franceses que tiveram o miolo empurrado para dentro, e rechear com a carne.

Fica um sanduíche de pernil diferenciado, com a carne macia e solta e o molho adocicado e defumado.

Degustação sertaneja ou Desjejum de peso

Se for domingo, chegue cedo. O Mocotó é bom, é pequeno, é barato, está na moda e depois das 13h a espera por mesa chega a ser de duas horas. O Monstro foi ainda de jejum, pouco depois de acordar, lembrando que culturalmente é normal comer uma refeição pesada, de carnes e caldos logo no café da manhã do interior nordestino.

Faltavam 15 minutos para as 13h quando deu o primeiro gole na cerveja gelada e deu início à longa degustação de comidas típicas de sua terra natal. O cardápio do Mocotó é variado (só sentiu falta da cabidela) e oferece porções pequenas e baratas de quase todos os pratos, permitindo passear pelo cardápio comendo quase de tudo.

Começou com um prato com macaxeira cozida. Macaxeira mesmo, da amarelinha, mole e saborosa que se come sempre no nordeste, nada da mandioca branca, seca e sem gosto de São Paulo. Ela estava feita com cuidado e muito boa.

Em seguida chegou o sarapatel, prato difícil, raro na cidade, muito saboroso e preparado com miúdos variados de porco. A versão do Mocotó trazia os pedaços cortados com cuidado, mas muito grandes, o que dificultava o melhor, que é misturar vários na boca de uma só vez. Fora isso, ele estava limpo e cuidado, e o tempero estava saboroso.

Junto com ele, um caldo de fava. Nada que chegue perto da Fava do Pina, um dos melhores bares do Recife, com um caldo encorpado e forte. A fava de São Paulo estava boa, com um caldo saboroso, mas agradar quem já conhece original realmente é difícil.

Bom mesmo foi misturar esses dois primeiros, em um prato com um pouco de farinha, um toque de limão e de pimenta.

Então veio um que o Monstro nunca tinha comido, e que só conhecia de nome: passarinha. A esposa tinha sugerido, dizendo que conhecia de infância, e que era um processado de fígado de boi de sabor forte e bom. Cobertos com uma camada de sal grosso, os pedaços de carne realmente lembravam o fígado, e tinham uma consistência mais fibrosa, difícil de reconhecer, mas era mais suave que a entranha citada, bom. Uma consulta mais tarde fez descobrir que passarinha não é fígado, mas baço de boi, bem diferente e uma novidade interessante.

Veio também uma paçoca, mistura de farofa com carne seca, leve, aerada e muito saborosa.

O baião de dois foi decepcionante. Seco, sem graça, sem sabor, mas que pode acompanhar bem pratos mais encorpados como o último pedido da degustação.

Para finalizar, veio o novo carro-chefe da casa, o atolado de bode. O chef Rodrigo Oliveira, filho de imigrantes pernambucanos, criou uma releitura do tradicional guisado de caprino, incluindo azeitonas e alguns temperos diferenciados, e uma peça de carne mais afrancesada, como um carré (ver receita oficial no vídeo abaixo). O bode vem servido em cama de macaxeira no caldo do guisado, com uma carne saborosa, macia, soltando do osso.

Por último, houve ainda sobremesas. Primeiro um pudim de tapioca, coberto com um caldo de caramelo forte e coco queimado ralado. A textura é um pouco mais consistente de que o pudim tradicional, mas o sabor agrada igualmente.

E teve uma tapioca doce, recheada com doce ambrosia. Menos doce de que o pudim, ela ficou um pouco mais apagada, mas combinava bem os sabores.

Tudo a preços muito bons. O Monstro não anotou os preços de cada prato – só o atolado, que custa 19,90. Mas toda essa degustação foi consumida por quatro pessoas, que acabaram pagando apenas R$ 30, cada, incluindo cervejas e sucos.

Ah, e o Mocotó também é longe, na zona norte de São Paulo, acessível de carro ou por mais de três ônibus saindo do centro. Mas é fácil de chegar. Mesmo com o mapa pouco detalhado que há no site não dá para se perder.

Au Champs-Elisées

Já foi pontificado pelo Monstro. Nada de padarias chiques da zona sul e dos Jardins, o melhor pão da cidade está no centrão, juntinho da cracolândia e da Folha de S. Paulo, na padaria Campos Elíseos, que leva o nome do bairro e da mais famosa avenida de Paris.

Abandonado pela esposa em seu dia de dondoca, entediado e faminto na tarde de sábado, rumou para lá em busca de um almoço que era um clássico na época dos 93 quilos. Um dos excepcionais sanduíches de baguete de lá.

Sentado no balcão, escolheu o mais tradicional do seu paladar, chamado Adão. Um grande pão coberto com queijo vem recheado com várias fatias de rosbife, queijo, bacon, tomate, cebola assada e molho tártaro. É um gigante, de sabor forte, delicioso.

Custa R$ 14 e vale como refeição, como lanche, como diversão – bem melhor que um Bauru no Ponto Chic. Foi bom matar a nostalgia com essa grande bola de gordura e sabor.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Sabor escondido

Trufa é uma afetação gastronômica que o Monstro conhece mal. Esses cogumelos subterrâneos são caros demais e fazem parte de um mundo de comidas muito metidas, meio fora da realidade que costuma viver. Tirando o delicioso azeite trufado, altamente perfumado, nunca comeu de outra forma. Mas quando viu essa massa com trufas negras na prateleira do Empório Santa Maria, sabia que tinha que experimentar.

A massa, um espaguete da Savitar di San Miniato, custava R$ 26 por uma porção que sobrou numa refeição para duas pessoas. Não é barato comparado com Barillas da vida, mas ainda sai mais barato de que muita massa fresca... O que vale a pena.
Para ressaltar o sabor trufado, preparou um molho bem simples, à Alfredo, de creme de leite com manteiga, um toque de noz moscada e outro de queijo parmesão.

A massa tem uma consistência perfeita, e um sabor também muito diferenciado, mas muito suave, e faltou a trufa. Se o sabor é o mesmo que conhece do azeite, não tinha nada dele na massa. A refeição foi excelente, valeu, mas deixou faltando a novidade trufada.

Em pé de guerra

Foi quase como uma homenagem aos mais de 700 palestinos mortos (ou provocação aos poucos judeus vivos que conhece) que o Monstro foi comer em um restaurante árabe no meio da semana em que a guerra na Faixa de Gaza esquentou. Almoço em dia de semana, antes de ir para o trabalho, no shopping Bourbon, ao lado de casa – acabou pela primeira vez num dos restaurantes da rede Almanara.

Com mais de 50 anos, fundado por libaneses, o Almanara tem ambiente e serviço requintados e cardápio pequeno e simples: basicamente kibes, esfihas, couscous, kaftas e beirutes, e preços mais altos de que outros lugares de mesma orientação, mas mais simples.

Sem querer inventar demais, pediu um kibe de forno (R$ 16), muito bem temperado, delicioso, acompanhado por cebolas caramelizadas, além de uma kafta (porção com duas, na verdade, por R$ 26), e um couscous (R$ 13)para acompanhar.

O espetinho de carne moída estava muito bom, mas simples, correto sem inventar nada demais (o kibe estava melhor). Já o couscous, misturado a tomate, sala, rabanete e passas, estava leve e refrescante, combinando bem com as duas carnes.

Houve ainda uma sobremesa, o ataif (8), um pequeno crepe dobrado como um pastel recheado com nozes e coberto com mel.

Arroz d’Holanda

Difícil preparar uma comida sem saber exatamente o que ela é. A mistura pronta de arroz comprada na visita à Holanda durante a Odisséia Gastronômica dava algumas pistas, mas foi uma surpresa abrir o pacote e descobrir que não tinha arroz dentro dela, apenas temperos e legumes secos para se transformarem no tempero do arroz.

A mistura era de sabores fortes: pimentão, chili, cominho, curry, cenoura, cebolinha, alho, tudo junto num pó meio colorido, que foi misturado com cubos de pernil de porco refogados na cebola. Depois de cozinha a mistura e água, estava pronto o almoço. O sabor forte é típico de algumas comidas vendidas em barraquinhas em Amsterdam. Lembra o recheio com curry de alguns dos croquetes vendidos em máquinas, ou o cheiro de alguns restaurantes influenciados pela culinária asiática.