Experiências com as quatro melhores coisas da vida: Comer e Viajar

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Mordidas políticas 3 - Churrasquinho texano

Se o Monstro já tinha dito que o Texas era a terra do churrasco nos Estados Unidos, faltava comer uma típica carne na brasa ao estilo local e fora do circuito de grandes redes como a Chili’s. Já era o último dia em Houston quando ele foi ao Pizzitola’s, mais uma indicação do crítico do “Houston Chronicle”.

E mais um lugar cuja aparência não é nada atraente, mas que tem uma cozinha surpreendente. O restaurante existe desde os anos 30, próximo à rodovia I-10. Ele tem um cardápio simples e direto: carne, costela de porco ou frango, e duas opções de acompanhamento.

O Monstro pediu um combinado sugerido pela casa (todos os garçons se comportam como fãs da comida local), com costelinhas de porco e bife, um corte de brisket, parte grande tirada da região da barriga do boi (US$ 13 o prato).

A carne chegou rapidamente, e estava uma delícia. Macia, suculenta, bem saborosa, por mais que bem- passada. A grande diferença era um leve sabor defumado e apimentado, mas nada além disso. Veio acompanhado por salada e legumes grelhados, muito bem temperados e apimentados, e por um ótimo molho barbecue.

Antes de ir embora, o Monstro conheceu Tim, o dono do restaurante, que falou conhecer o churrasco brasileiro e convidou para ver como era preparada a carne do local. Em uma churrasqueira grande, os pedaços de carne são assados inteiros antes de serem fatiados e servidos. Eles ficam assando longamente em fogo baixo e com a tampa da churrasqueira fechada, para apurar o sabor no bafo da fumaça.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Mordidas políticas 3 - Encarando o gigante

Dica de Robb Walsh, crítico de gastronomia do jornal “Houston Chronicle”, para o Monstro: “Nunca mais coma num Denny’s, a comida deles é muito ruim”, disse, ao conversar sobre lugares para comer na maior cidade do Texas. “Aí do lado do seu hotel tem o melhor hambúrguer da cidade, feito com carne de primeira qualidade, assado no ponto certo”, completou.

E então o Monstro foi ao Christian’s Tailgate Bar and Grill, literalmente ao lado do hotel, que foi eleito por vários anos consecutivos o melhor sanduíche da cidade e um dos dez melhores do país.

O lugar é pequeno, escuro, bagunçado, não tem garçons, mas a comida é espetacular. O Monstro comeu um hambúrguer de meia libra (cerca de 250 gramas), com salada, queijo, maionese, mostarda e picles (por US$ 10). Um gigante.

O hambúrguer tem gosto de carne de verdade, vem suculento, muito saboroso, mas sem nenhuma firula ou tempero diferenciado. Não lembra em nada os supostos melhores encontrados em São Paulo, é mais natural, mais simples, diferente.

O prato ainda veio com onion rings crocantes deliciosos.

Depois de se empanturrar com o enorme sanduíche, o Monstro experimentou uma bebida bem tradicional no bar, o Long Island Iced Tea. Uma mistura suave e bombástica de vodka, gin, tequila, rum, sour mix (suco de limão, por exemplo) e um pouco de coca-cola.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Mordidas políticas 3 - Tex-Mex

Depois de uma primeira experiência frustrante com a comida texana, um meatloaf sem muita graça, O Monstro resolveu apostar menos criativo e mais certo. Seu segundo almoço em Houston, no Texas, foi no Chili's, uma rede local de restaurantes como o Outback e o Applebee's, sem filial no Brasil.

Pediu um Rib eye, corte clássico. Por US$ 12, a carne na brasa veio numa fatia mais fina de que o prometido pelo cardápio, mas estava macia, suculenta, deliciosa, com um tempero defumado bem diferente do churrasco brasileiro.

Influência mexicana faz do Texas a 'terra do churrasco'

Ter um estado no sul do país que apregoa fazer o melhor churrasco do mundo não é privilégio brasileiro. Nos Estados Unidos, o Texas faz as vezes do Rio Grande do Sul ao valorizar o preparo de carnes na brasa -e também se diz o melhor na área.

“O churrasco é um ícone da comida texana”, explica Robb Walsh, crítico gastronômico de Houston e pesquisador da história da alimentação no sul dos EUA.

“Os texanos têm quatro tipos diferentes de churrasco. Há um estilo de origem alemã, que faz carnes defumadas, há o estilo dos negros. O churrasco brasileiro é semelhante a um dos tipos que se usa no Texas, o estilo que chamamos de caubói, em que a carne é assada diretamente sobre o carvão”, disse.

Em Houston, maior cidade do estado, todo quarteirão tem um restaurante de churrasco e comida tex-mex, mistura da comida local com a culinária mexicana. Tacos, tortillas, quesadillas, chili, tudo parte da influência espanhola e latina, já que um terço da população tem origem hispânica.

Tex-mex
Segundo Walsh, autor do “Livro de receitas das lendas do churrasco texano”, esse tipo de cozinha é influenciada pela história do estado, que surgiu como colônia espanhola antes de ser parte dos Estados Unidos e tornar-se um bastião do Partido Republicano.

O resultado da história, diz, vai além da comida mexicana, com a qual costuma ser comparada.

“O tex-mex não é comida mexicana. É uma cozinha de influência latina, espanhola, mas uma comida regional norte-americana. É como a comida cajun, na Louisiana, que tem influência francesa, por mais que seja comida típica dos EUA”, disse.

Segundo ele, por muitos anos, o tex-mex foi chamado de comida mexicana. “Em 1972, Diana Kennedy, uma inglesa que vivia no México, publicou um livro sobre comida mexicana, deixando bem claro que ela era diferente daquela com o mesmo nome que se comia nos Estados Unidos. Foi aí que os mexicanos insistiram que deixássemos de chamar nossa comida de mexicana, então passamos a diferenciar ela como Tex-Mex”, explicou.

A mudança de termo, diz, foi influenciada por uma alteração na sociedade texana, que passou a aceitar os imigrantes mexicanos como cidadãos dos Estados Unidos, dando uma nova feição ao Estado.

“Até 50 anos atrás, chamávamos nossa população de origem latina de ‘mexicanos’. Mas então eles mesmos ressaltaram o fato de que eles nasceram aqui, são norte-americanos. Não são mexicanos, mas mexicano-americanos. Nos anos 80, o termo se estabeleceu, se diferenciando.”

“Esta diferenciação da comida também se reflete na cultura texana. A população do estado tem origem espanhola, mexicana, mas se soma à cultura escravista e conservadora do sul dos Estados Unidos. Esta hibridização, mistura entre o caubói e o mexicano, formou o texano. Não é totalmente latino, pois tem raízes norte-americanas, mas passou por um processo de mistura.”

O melhor
Assim como as redes de restaurantes de influência tex-mex fazem sucesso no Brasil, o estilo brasileiro também atrai a atenção no Texas. O G1 visitou uma churrascaria de estilo gaúcho na noite de quarta-feira (22) e viu o salão lotado. Segundo o dirigente regional, mais de 20 mil pessoas são atendidas todos os meses no lugar.

Para comparar, o paulista Maurício Campos, que cuida de uma fundação da cultura brasileira em Houston, diz que o churrasco brasileiro é melhor que o texano. “O churrasco daqui é muito diferente. O ‘barbecue’ se diferencia pelos molhos, e não pela carne. Prefiro o estilo brasileiro, que tem mais o sabor da própria carne. Nem se compara”, disse.

A carne comida no texas é mais gordurosa, vem de gado criado em confinamento, alimentado com ração em vez de pasto. Os cortes mais tradicionais também são diferentes dos brasileiros. Eles não costumam comer picanha e fraldinha, por exemplo, mas rib-eye e sirloin, que é parte do lombo.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Mordidas políticas 3 – Em busca do clichê perdido

Depois de Venezuela e Colômbia, o Monstro agora vai associar comida à política norte-americana à época da eleição.

E o começo foi o mais clichê possível: Restaurante de beira de estrada em Houston, no Texas. Não adianta os “casual dinner” brasileiros se esforçarem, eles nunca vão conseguir a “aura” real desses lugares. Não tem pompa, não tem clima, é aquilo mesmo que aparece no cinema tão frequentemente.

Ao chegar no Denny’s, que fica em frente ao Hotel em que o Monstro está hospedado, na beira da estrada Katy a 8 quilômetros do centro da maior cidade do Texas, o Monstro pediu um chá gelado, começou a matar o calor desgraçado que faz nessa região sul dos EUA. Sem açúcar, o iced tea é um chá de verdade, bem diferente dos engarrafados que vêm se tornando popular no Brasil recentemente.

O almoço foi um clássico do país: meatloaf. Um bolo de carne servido com molho gravy, batatas assadas e onion rings. O gosto foi um pouco decepcionante, com um toque um tanto artificial, bem diferente da cozinha caseira que o Monstro esperava.

Foi só a primeira refeição de 16 dias viajando...

domingo, 19 de outubro de 2008

Bolo de Nutella

Avesso à pastelaria, com suas receitas que parecem fórmulas a serem seguidas milimetricamente para que funcione, o Monstro até que mandou bem neste bolo.

Trata-se de uma receita bem simples que a mãe dele ensinou. Leva uma mesma medida de cada ingrediente: açúcar, farinha de trigo, ovo, leite e chocolate em pó, além de uma colher de fermento químico. Como tinha trazido um pacote de avelã em pó da França, decidiu adicionar uma medida dele, para fazer com que o bolo de chocolate se transformasse em bolo de Nutella, chocolate e avelãs.

Para que a medida a mais não desequilibrasse, pôs um ovo a mais e meia xícara de leite a mais também. Tudo foi batido longamente e posto no forno até o palito sair seco (45 a 50 minutos.

O resultado tinha sabor acentuado das nozes e ficou pouquíssimo doce, mas fofo e molhadinho.

sábado, 18 de outubro de 2008

Cupcake

Febre em blogs de gastronomia brasileiros há algum tempo, finalmente o Monstro tentaou fazer sua versão do bolo de chocolate de xícara no microondas.

Na teoria, é pra ser um bolo mais simples e rápido que um normal. Misturam-se os ingredientes na própria xícara, manda no forno por 3 minutos e está pronto. Na prática, ele dá mais trabalho de que parece, mas também fica melhor de que se pode imaginar.

Mesmo sem ser fã de receitas, essa precisa de controle: 1 ovo, 4 colheres de leite, 3 de óleo, 2 de chocolate, 4 de açúcar e 4 de farinha de trigo. Mais uma pequenina de fermento em pó. Tudo bem misturado e batido dentro da xícara, e forno microondas por 3 minutos.

A massa cresce, e muito (por isso é bom usar uma xícara grande, e fica bem fofa e leve. O gosto é bom, mas longe de ser um ótimo bolo de chocolate. Vale mais pela facilidade e pela experiência.

Mac 'n cheese

Este é um clássico da “gastronomia” norte-americana - e um dos pratos mais simples do mundo, quase infantil, mas ainda assim bom.

Macarrão com molho de queijo.

O Molho foi feito com creme de leite e um bom pedaço de queijo cheddar inglês, de gosto e cor intensos.

Peixe doce

De tão simples e ‘barato’, o Salmão se tornou popular no Brasil na última década. De tão popular, se tornou repetitivo, e muitas vezes sem graça. Por isso é tão bom reinventar pratos com este peixe avermelhado.

Foi assim que o Monstro se empolgou com a receita vista no Tastespotting. Salmão caramelizado ao forno com manteiga, pimenta e açúcar. Era difícil até de imaginar com que gosto ficaria.

A combinação de pimentas e açúcar forma uma crosta sobre o peixe. O sabor fica intenso, quase agridoce, forte.

O processo é semelhante ao de outros peixes ao forno. É preciso fazer uma mistura com os temperos: pimenta-do-reino, tempero de limão (cascas), cebola triturada, açúcar mascavo e manteiga derretida – o Monstro colocou ainda sal grosso, para dar ainda mais sabor. É só misturar tudo, espalhar no filé do peixe e pôr no forno por cerca de 25 a 30 minutos.

O peixe ganha uma cor mais escura e fica com uma crosta de gosto intenso em contraste com o interior suave.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Aqui bistrô

Poderia ser o novo melhor restaurante francês de São Paulo. Melhor e muito mais barato, por mais que não tanto original. O Monstro recriou em casa o prato mais representativo do Ici Bistrô, eleito o número um entre os de gastronomia da França segundo a revista “Veja”.

Peito de pato grelhado com foie gras, figo assado e purê de batatas, a versão que ele fez do magret de canard com molho albufera. A receita original foi divulgada em vídeo no site da revista. O Monstro copiou parte dela, adaptou outra parte à sua realidade, e se saiu com um prato relativamente barato, maior e no mínimo igualmente saboroso.

Os dois peitos de pato (480 gramas no total) foram comprados da versão da Germânia por pouco mais de R$ 20. Eles foram descongelados, e foi feito um corte em xadrez do lado da gordura. Temperados apenas com sal e pimenta do reino, vão na chapa quente por 7 minutos no lado da gordura e apenas um do lado da carne, ficando mais cinco no forno para ficar cozido, mas mal-passado.

Depois, eles cortados em finas fatias e montados no prato com um purê de batatas bem leve, figos assados em imersão de mel, vinagre balsâmico, azeite e suco de limão (o original usava laranja) e uma boa fatia de foie gras trazido da França durante a Odisséia Gastronômica.

A carne do pato ficou simples e extremamente suculenta. A combinação do foie gras com o figo cozido é incomparável.

O prato original custa R$ 50 no Ici, e vem em porção individual, com aproximadamente meio peito de pato. Nessa versão, o fígado gordo é transformado em um molho, ainda mais suave, mas na versão do Monstro o sabor ficou mais intenso.

Para completar o almoço especial do domingo, finalmente foi aberta a garrafa de vinho Chateauneuf du Pape também comprada na França e guardada com todo o cuidado até então. É da mesma que foi bebida numa passarela sobre o Sena em abril. Mesmo sem o rio, o contexto e o acompanhamento fizeram com que ele fosse igualmente bom ao bebido pela primeira vez.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Conterrâneo e desconhecido

A culinária brasileira é tão variada quanto a cultura do país. Foi por isso que o Monstro questionou o que seria um “restaurante brasileiro”, após ver a premiação desta categoria no guia de melhores da cidade da revista “Veja”. Curioso, ele foi conhecer o escolhido, o Tordesilhas.

O cardápio de fato tenta refletir a variedade da gastronomia nacional. Há pratos de tradição nordestina, sulista, do Norte e do Sudeste, sempre servidos com mais requinte de que se costuma ter no preparo caseiro de comidas tradicionais.

Empolgado com a variedade de pratos, o Monstro pediu uma entrada: Bolinho de pernil em imersão de tucupi (R$ 12). Ao contrário do esperado, os bolinhos não eram fritos, mas bolinhas grelhadas, como almôndegas de carne de porco muito saborosas e bem acompanhadas pelo molho.

Ele queria almoçar um barreado, tradicional do litoral paranaense, mas era um domingo de plantão, então preferiu pegar mais leve e pediu o prato que é vendido como assinatura da chef Mara Sales: Pirarucu fresco regado com tucupi e mini legumes (R$ 48).

O peixe amazônico tem uma textura mais consistente que o normal, mas ainda macio e bastante saboroso. O molho típico do Pará estava suave, complementando bem o peixe, e os legumes bem cozidos e macios.

A Esposa também escolheu um dos pratos criados pela casa e pediu um frango ao molho de jabuticaba com purê de mandioquinha e ervilhas tortas. O frango estava muito bem grelhado, macio, com o tempero combinando com o molho adocicado da fruta.


Teve ainda uma sobremesa. Eles dividiram um pavê de chocolate com café e cristais de pimenta de cheiro, que estava ótimo, mas parecia mais um bolinho de chocolate. O café tinha pouca presença, e estava em grãos dentro do pavê, e a pimenta estava presente no topo do bolinho e no molho amargo que arrodeava a sobremesa.

Apesar de servir comidas conterrâneas, o restaurante é variado e tem várias opções pouco conhecidas da maioria dos brasileiros. Os preços são equivalentes ao atendimento e ao “requinte” que a casa tenta oferecer, mas acabam não pesando tanto no caso de um almoço sem bebidas alcoólicas.


domingo, 5 de outubro de 2008

Misto francês

A culinária francesa não gosta muito de coisas simples. Um mero misto quente acaba usando queijo emmental, cobertura de molho béchamel e sendo gratinado no forno. Assim é o croque Monsieur, de que o Monstro falou durante a Odisséia Gastronômica pela França e que preparou em casa para o jantar de sábado.

Para puxar bem o sotaque francês, comprou um brioche, pão de forma do país que mais parece um bolo de tão leve e aerado (descobriu depois que isso é sugerido pelo Olivier Anquier). Cortou as fatias, recheou com bastante queijo e presunto e cobriu com mais uma fatia de queijo e o béchamel feito na hora (derrete manteiga, adiciona farinha de trigo, mexe, junta leite, deixa formar o creme e tempera com sal, pimenta e noz moscada) – Aí é forno, até ficar bem dourado.

Sanduíche para ser comido com talheres, e para servirem como refeição.

A presença dele não foi a única do jantar, entretanto. Antes, o Monstro serviu uma terrine de truta que ele mesmo preparou. O patê de peixe foi preparado com as sobras do almoço do dia anterior, este peixe aí do post abaixo. O Monstro catou o que havia sobrado de carne, de gordura, de manteiga e de óleo, e bateu à mão, juntando um pouco mais de azeite. Antes de servir, ele ainda esquentou a mistura, que ficou deliciosa para ser comida com pão e acompanhada por vinho.

sábado, 4 de outubro de 2008

Filho da truta

A oferta nos supermercados anda atraente. Por todas as partes da cidade, há pequenas trutas frescas, inteiras, muito atraentes. Fazia até pouco tempo que o Monstro preparou uma receita excepcional de truta recheada com camarão e castanhas do Pará, mas ele não conseguiu resistir e comprou o peixe outra vez.

O processo desta vez foi mais simples, também no forno. O Monstro pegou o peixe já tratado e voltou a lavar. Depois preparou uma mistura de azeite, manteiga, alho, pimenta, tabasco, ervas de provence, tomilho, poucas gotas de azeite trufado e bastante queijo parmesão ralado e lambuzou toda a truta, que foi ao forno em fogo baixo e coberto com papel alumínio.

Depois de 25 minutos, o Monstro retirou o papel que cobria o peixe e jogou um pouco mais da mistura (com mais queijo, especialmente), e deixou gratinando por mais 15 a 20 minutos.

Resultado: peixe suculento e cheio de sabor, com uma crosta de parmesão dourado por cima – uma delícia. Acompanhado apenas de uma massa passada no azeite, só para absorver um pouco mais do sabor do caldo que ficou na travessa.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Outback em casa

Fim do mês, de um mês movimentado, é aquele momento sem verba até mesmo para investimento em boa comida na rua. Com vontade de encarar a costela de porco do Outback, mas com medo de encarar a conta do restaurante, o Monstro resolveu tentar replicar algo parecido em casa.

Depois de correr ao supermercado e comprar pedaços de costela suína totalizando algo próximo de um quilo (R$ 10), foi a vez de aproveitar um tempero pronto trazido da Bélgica, dedicado especialmente às spare ribs: Sal, açúcar, glutamato, gengibre, páprica, pimenta, acidificante, mostarda, cominho, amido modificado de milho e canela, tudo em um único pó, que foi misturado com azeite e espalhado nas peças de carne.

Primeiro as costelas foram rapidamente seladas na frigideira, para ficar com o gosto mais apurado. Depois foram colocadas num refratário junto com cebolas e cenouras, para dar mais graça ao “pacote”. Um pouco de vinho recolheu o tempero que havia ficado na frigideira e foi jogado sobre a carne.

Então foi tempo de forno. Uma hora e quinze minutos em ambiente fechado por papel alumínio e fogo bem baixo, e depois mais cerca de vinte minutos aberto, para dourar. As carnes atingiram uma maciez boa, mas distante do que faz o restaurante. O tempero deixou um sabor intenso e picante, muito equilibrado com a carne de porco.

De acompanhamento, o Monstro voltou a preparar as cebolas caramelizadas que dão tanto trabalho, mas que fazem tanta diferença como acompanhamento de um prato. Foi um longo tempo cuidando delas no fogo até que murchassem e ganhassem cor e sabor, temperadas apenas com azeite, pimenta do reino e sal (alguns cravos poderiam cair bem, mas foram esquecidos.

E mais: batatas assadas. Tubérculos dos grandes, embrulhados em papel alumínio e deixados por mais de uma hora no forno. Depois, abertos, partidos ao meio e temperados com sal, pimenta e queijos muçarela e parmesão ralados.

Teve ainda uma boa cerveja de trigo alemã, Erdinger, para acompanhar.

Não ficou tão parecido com o original, mas também não ficou pior, e saiu muito, mas muito mais barato.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Moedas velhas

O Monstro sempre acha legal quando aparecem notícias interessantes envolvendo comidas exóticas e diferentes. Esta estava entre os destaques do Planeta Bizarro, e apresenta um livro de receitas usando testículos. Por mais curioso em relação a novos pratos, o Monstro não deixa de lembrar da descrição do líder do Franz Ferdinand, Alex Kapranos, em seu livro "Mordidas Sonoras": "Espeto um com meu garfo. Um líquido claro pinga dos espetos, com um fedor penetrante. Corto um pedaço e ponho para dentro. Mastigo. Tem o gosto de um saco de moedas enferrujadas. Não é bom. Uma ex-namorada disse que detestava o gosto que o sexo oral deixava na boca, dizendo que era como mascar um saco de moedas enferrujadas."

Chef lança livro só com receitas de testículos

"Oi, eu gostaria de pedir uma pizza, meia mussarela, meia testículos". Para o chef sérvio Ljubomir Erovic o pedido não é nada estranho. Erovic acaba de lançar um livro de receitas com pratos preparados apenas com o ingrediente pouco usual: o órgão reprodutivo de bois, cavalos, búfalos, touros, porcos e até mesmo perus.

Batizado de "The Testicle Cookbook: Cooking with Balls" (em uma tradução livre, algo como "O livro de receita dos testículos: cozinhando com colhões"), o livro reúne receitas coletadas por Erovic nos últimos 20 anos.

Disponível apenas em inglês e com distribuição pela internet em formato eletrônico (e-book), a obra ensina, em vídeos, como retirar a pele que envolve a peça usando uma faca bem afiada, para depois cortar cada testículo em peças graúdas.

Um aviso ao leitor do sexo masculino: se você é daqueles que sente aflição só de pensar em um cozinheiro utilizando uma lâmina afiada em um testículo alheio, é melhor parar de ler este texto por aqui. Porque além da pizza, o livro mostra opções da glândula batida, à milanesa, grelhada e até espetinhos de testículo.

"Lave as glândulas por 30 a 45 minutos", diz a receita para torta de testículos. "Depois que eles estiverem bem macios, coloque-os em um moedor de carne." O prato mais tradicional, testículos fritos, inclui banhar os pedaços em óleo bem quente.

"Os testículos mais saborosos, na minha opinião, são os de touro, de cavalo e de ostra, embora outras pessoas tenham seus favoritos", afirma Erovic. "Dá pra comer qualquer testículo. Menos os de humanos, é claro."

Populares em muitos lugares do mundo por causa da fama de "afrodisíacos", os testículos fazem parte da culinária da Sérvia. Desde 2004, Erovic organiza no país a Copa do Mundo de Cozinha com Testículos. No evento, é consumida anualmente uma tonelada de testículos.

No meio da rua

Os resultados do debate eleitoral entre os candidatos à Vice-Presidência dos Estados Unidos provavelmente são mais previsíveis de que os do que o Monstro fez enquanto aguardava o embate. Ao descer para jantar, ele encarou seu desafio e comeu um arriscado yakissoba de rua.

Drama à parte, o fast food chinês emblemático da avenida paulista já fez parte da dieta do Monstro, logo que se mudou para a cidade. Fazia tempo, entretanto, que ele não arriscava o macarrão frito de rua.

Foi até decepcionante comprar de um vendedor que sabia mais português de que os tradicionais “comê ou levá”, que era tudo o que os imigrantes que trabalhavam na região costumavam dizer. Este era brasileiro, Nelson, e ficou falando de política enquanto preparava, na hora, o prato. Ele refogou pequenos pedaços de carne, frango, cebola e acelga, temperou com glutamato e shoyu, jogou o macarrão já cozido por cima, misturou e serviu.

Por R$ 3, a porção pequena funciona como uma refeição. O sabor era bom, normal de qualquer yakissoba, com pedaços de carne e frango de verdade. Sentar para comer na calçada com um garfo de plástico é que não é tão divertido. Espera-se, entretanto, que este seja o único incômodo proporcionado pela aventura...