Experiências com as quatro melhores coisas da vida: Comer e Viajar

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

México picante

Este já é quase uma especialidade do Monstro. Um chili mexicano, prato que mistura feijões com carne moída e o tempero de pimentas e pimentões. Este prato já foi feito em casa acompanhado por arroz, batatas, por cuscuz e dessa vez seguiu a trilha latina e andina para ser comido com arepas colombianas.

O chili em si é simples, mas depende do preparo de feijão. A carne moída é refogada com cebola, tomate, alho e extrato de tomate. Depois de cozinhar e temperar o feijão preto como se fosse comer ele como um prato em si, os grãos cozidos e o caldo são agregados à carne, formando um prato único. Para completar, é preciso adicionar o tempero especial de pó de chili, com pimentas e pimentões e um sabor intenso e picante, que dá a graça do prato.

Para o acompanhamento, o Monstro repetiu a receita que já tinha feito com o pó pré-pronto de arepas trazido de Bogotá. Desta vez fez no forno, o que deixou com ótimo sabor, mas sem a consistência que poderia conseguir se fosse na brasa, como acontece nos países andinos.

Café gelado e alcoólico

Uma homenagem ao “cara”, o “dude”, o Grande Lebowski. O filme que tem este título, dirigido pelos irmãos Coen, passou no último fim de semana na TV. O personagem principal, que inspirou o Monstro na forma de se referir a se mesmo na terceira pessoa, passa o tempo todo empunhando um copo com o coquetel russo branco – White Russian.

Aqui o Monstro tentou reproduzir a bebida em casa, misturando partes iguais de Kahlúa (licor de café), vodka e leite, em um copo com bastante gelo. Esta é a receita básica do coquetel (que também pode usar creme de leite, para deixar a bebida mais branca) que fica com gosto de café suave, disfarçando o álcool e o sabor intenso do licor. Acaba funcionando como um iced coffee que dá barato.

Apesar do nome, que pode ser usado para se referir aos nativos da Bielorrússia, ou aos oponentes dos bolcheviques durante a guerra civil no país, diz-se que a bebida foi criada nos Estados Unidos. A referência russa seria pelo uso de vodka na bebida.

O "dude" toma nove doses de White Russian durante o filme (imdb).


quarta-feira, 24 de setembro de 2008

O melhor da cidade - bares

Continuando o guia pessoal de melhor da cidade, comentando as escolhas da "Veja". O Monstro conhece apenas cinco das 11 categorias de bares premiadas pelo Guia da revista.

Entre os bares, até concorda que a Mercearia seja um bom boteco. Sempre achou que era um dos poucos bares da cidade (da Vila Madalena, especialmente) que lembrava as dezenas de botecos de verdade que costumava freqüentar no Recife. Concorda também que o Frangó tenha a melhor carta de cervejas, mas preferiria dizer ser a maior, já que isso é mais uma questão objetiva (por mais que um dos concorrente, o Drake's tenha um bom chopp próprio para fazer frente ao bar da Freguesia do Ó).

Em relação ao chopp, a primeira discórdia. O bar Léo continua muito melhor, mas diferente, leve e saboroso que o Original, por mais que este último tenha tomado o trono do bar do centro da cidade nas últimas edições do Guia. O chopp do original é bom, sem dúvida, mas nada diferente de tantos outros servidos em bares como Filial, Genial e afins.

Genial, por sinal, que ganhou o melhor fim de noite. O Monstro não saberia o que falar dessa categoria, mas gosta do vencedor, mesmo que durante a tarde.

O último dos conhecidos do monstro na lista é o Bourbon, onde o Monstro foi uma única vez, a convite, e de que gostou muito na categoria música ao vivo, mas onde não volta por falta de dinheiro - o lugar é muito caro.

O novo Bar da Onça ganhou a melhor cozinha. O Monstro gosta da cozinha do Salve Jorge, ou do Astor, um dos concorrentes, mas não conhece a Onça ainda. O Pandoro ganhou como melhor happy hour e o Monstro também não conhece - e acha que happy hour, a cerveja de leve pós-trabalho, é boa em qualquer lugar do mundo.

O autor deste blog não tem repertório para comentar as categorias bar revelação e melhor barman. Casado, ele vai se abster de comentar os melhores bares de paquera, mas vai apontar o Terraço Itália e o Teta como bons lugares para ir a dois - já que não conhece o vencedor, Baretto.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Fish 'n chips

Já que um dos pratos mais tradicionais da Inglaterra, o fish and chips, está se tornando ainda mais popular (representando 1% dos gastos com comida no país, como foi contado aqui), o Monstro decidiu fazer uma versão deste prato que fica entre o petisco e a refeição.

Na versão oficial o peixe, normalmente bacalhau fresco, é empanado e frito, ficando crocante, mas muito oleoso, enquanto as batatas são fritas em grossas fatias e os dois são servidos em embalagens para comer na rua.

O que o Monstro fez foi um pouco menos junkie. Pegou filés de pescada branca, temperou com limão, azeite, pimenta e sal, depois passou levemente na farinha de trigo com cebolinha desidratada e pôs para fritar em uma pequena quantidade de azeite e manteiga, com alho desidratado. O peixe ficou com uma fina capa cobrindo a carne, que não perdeu totalmente o líquido – ficou macio e suculento.

As batatas também foram uma experiência nova para o Monstro, que nunca as fez fritas em casa. Ele comprou no supermercado um pacote da McCain (R$ 4,50), uma das principais marcas de batatas semi-prontas. O mais interessante dessas é que são preparadas especialmente para o forno, sem precisar de óleo.

Congeladas, elas têm aparência de já serem fritas. Depois de somente 15 minutos no forno alto (sem mais nada), elas estão quentes, secas e crocantes como se tivessem acabado de ser fritas. É só acrescentar um pouco de sal e estão prontas.

Assim foi um almoço tradicional inglês sem o peso da fritura de imersão.

Sopa laranja

Uma dessas principais marcas de sopas vendidas prontas em saquinhos, a Knorr, inventou um produto que se pretende “natural”, de cores intensas, mas sem corantes artificiais, uma delas laranja, preparada com cenoura e jerimum. Por mais legal que seja a atitude inovadora da marca, foi mais ou menos o que o Monstro preparou para o jantar, embora com produtos naturais de verdade.

O processo é quase tão simples quanto o de preparar a sopa de saquinho: cortar uma cenoura e um pedaço de jerimum em cubos, refogar na manteiga, adicionar água fervendo, um pouco de caldo de carne ou galinha (menos de um cubo) e deixar cozinhar uns 20 minutos. Aí é só bater tudo, adicionar um ou outro tempero (o Monstro usou um bouquet garni, cebola e alho) e servir.

Num toque complementar, ele pôs ricota defumada ralada, que deu mais sabor e consistência ao já pronto caldo.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Só vegetais

Cebola cortada em tiras e refogadas no azeite. Tomates cortados em grossos pedaços e temperados com pimenta do reino, pimenta rosa, manjericão, orégano, alho e mais azeite. Tudo é refogado junto e ainda ganha o espaguete já cozido, que absorve o gosto.

A refeição fica pronta rapidamente, simples, sem nenhuma carne, só vegetais.

Sem lata

Para um almoço solitário, as sardinhas compradas já tratadas foram lavadas, temperadas com sal, pimenta-do-reino, alho e limão e refogadas na frigideira com bastante azeite. Bem assados e macios, os peixes foram comidos apenas com torradas.

domingo, 21 de setembro de 2008

O melhor da cidade - restaurantes

O Monstro discorda de algumas das avaliações de melhores restaurantes de São Paulo pela indicação do recém-lançado Guia da Veja. Como se pode ler no post abaixo, ele não tem um repertório tão amplo, e nem conhece a maioria dos restaurantes premiados, mas mesmo assim tem seu guia pessoal.

Dos restaurantes que conhece, discorda em primeiro lugar e de forma radical do vencedor na categoria “francês”. O eleito pela revista foi o Ici, do qual o Monstro falou aqui. Um bom restaurante, mas caro demais e nada melhor de que locais mais tradicionais como o La Casserole, ou os pequenos e ótimos Paris 6, De La Paix e La Tartine – Em relação qualidade e preço, não vence nem o vizinho Mercearia do Francês.

Discorda também do melhor italiano segundo o Guia. O vencedor, o Pasquale, não chega perto das tradicionais e turísticas cantinas do Bixiga. O local é aclamado como “point descolado” e freqüentado por todos os “formadores de opinião” que fazem o guia. É interessante, mas não a melhor comida em se tratando de cantina (muito melhor o Jardim de Napoli, por exemplo).

A Fogo de Chão ganhou melhor rodízio pela sétima vez. Realmente é um serviço de carne acima da média, por mais que o preço (R$ 78 por pessoa) também seja bem acima do normal. O Monstro diria, entretanto, que o restaurante não teria chance perto do novo Spettus do Recife, onde esteve em sua última visita à cidade e que venceria em todos os quesitos a serem avaliados os rodízios de carne.

A melhor pizza, segundo a revista, é a do Braz. Aqui o Monstro concorda, por mais que diga haver quase um empate com Marguerita e Speranza. O clima da vencedora, o serviço e as entradas podem ajudá-la a, de fato, vencer.

O Monstro já foi ao Ráscal, eleito a melhor comida rápida. Não achou nada demais, mas, se concorre com locais casual dinner como o América, realmente ganha fácil. Foi também apenas uma vez ao Figueira Rubayat, eleito o melhor variado. Sua comida, uma picanha, não estava tão boa quanto esperaria, mas o local, o atendimento, o serviço, os acompanhamentos, realmente fazem com que o restaurante tenha uma certa mágica.

O guia pessoal do Monstro não saberia indicar nenhum restaurante de Alta Gastronomia. Os caríssimos DOM e Fasano lideram a votação, e de toda a lista de locais nesta categoria, o Monstro só conhece o bar da Brasserie Erik Jacquin – um ótimo e muito caro local.

O Arábia venceu quase por unanimidade em sua categoria, mas o Monstro não conhece nem ele nem muitos outros árabes – embora goste do serviço de entrega do Halim e costume almoçar no excelente self service do Kalili, no shopping Higienópolis. Situação semelhante é a dos restaurantes brasileiros (o que é um restaurante brasileiro?). Se valerem regionais, ele provavelmente votaria na Galinhada do Bahia, onde a comida é farta e boa. Assim, ele poderia vencer também a categoria Bom e Barato, na qual concorreria com o Giácomo, em Higienópolis.

O melhor de carne foi o Baby Beef Rubayat, que o Monstro não conhece e o imagina parecido com o Figueira. Dos votados, ele conhece e gosta muito do uruguaio Tranvía, com belas carnes e bons preços – ou o tradicionalíssimo Sujinho.

Dos restaurantes listados como Conteporâneos, o Monstro só conhece o Mestiço, que acha sobrevalorizado, por mais que tenha comido uma memorável sobremesa de brownie com sorvete.

Dos muitos japoneses da cidade, este guia deveria separar em sub-categorias, como faz com os italianos. Uns seriam os japoneses chiques, que estudam e reinventam a gastronomia do país (os indicados da Veja são todos assim), e outros seriam os tradicionais, aqueles pequenos da Liberdade, como o Lika, de que o Monstro tanto gosta. Poderia ainda procurar eleger o melhor rodízio, por mais difícil que seja, já que são todos tão parecidos.

O Monstro não conhece nenhum dos italianos (foi ao Walter Mancini antes de se entender como bom comedor), nem dos espanhóis. Também não saberia indicar chef revelação, chef do ano ou Restaurateur. Conseguiria pensar, entretanto uma série de outras categorias que foram deixadas de fora do guia, como melhor feijoada, melhor mexicano, melhor alemão...

Quem se importa?

Enquanto o guia Michelin, aclamada Bíblia da gastronomia global, não dá atenção ou analisa os restaurantes brasileiros, uma das mais respeitadas listas de melhores locais para se comer nas grandes cidades continua sendo a edição anual da já nem tão respeitada revista “Veja”. E o Guia Melhor da Cidade de São Paulo deste ano acaba de ser lançado.

De cara, o Monstro sentiu que conhece praticamente nada da cidade. Dos 19 restaurantes premiados, por exemplo, ele visitou apenas seis até agora. São somente cinco os bares que ele pode comentar, embora sejam premiados apenas 11 nessa categoria. Em relação ao que eles chamam de “comidinhas”, o desempenho é ainda pior – só 3 de 13 premiados.

Isso pesa contra o autor do blog, mas também contra o próprio Guia. Numa cidade como São Paulo, ninguém, ninguém mesmo, consegue conhecer e avaliar todos os lugares. Para conhecer 38 restaurantes (dois de cada categoria, para poder comparar) em um ano, por exemplo, seria preciso comer fora em lugares diferentes a cada dez dias, o que poucas pessoas de fato fazem.

O guia acaba se tornando uma colagem de preferência de diferentes formadores de opiniões, de cabeleireiros a críticos de gastronomia propriamente ditos. Pior, acaba sendo uma colagem que inclui vários preconceitos, já que muita gente apenas repete avaliações anteriores sobre qual o melhor em cada categoria – falta ousadia.

Mas esse aí há o problema generalizado com guias, avaliações e julgamentos de valor pessoais apresentados como crítica objetiva. O próprio Michelin, que já tem 108 anos e que se torna razão de vida (e morte) para muitos chefs, é alvo de sérias críticas em todo o mundo.

A opinião de alguns chefs, incluindo alguns dos mais premiados, como Marco Pierre White, que foi o mais jovem a ser aclamado com as três estrelas, é de que o guia é datado e não busca uma gastronomia real, mas apenas comida “afetada”. Outro problema é a comercialização dos títulos, já que aparecer como "o melhor" faz muito bem para a economia de um restaurante.

Mais de que eleger melhor e piores, os dois guias têm seu valor ao organizarem de forma acessível uma lista dos restaurantes da cidade com informação sobre cardápio, preço, contato e uma opinião generalizada sobre a comida. Aí cabe a cada um fazer sua própria avaliação e eleger os seus preferidos.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Dois chefs

Apesar de ciumento, o Monstro aceitou que o amigo de infância que o visitava na noite de quarta-feira também usasse sua cozinha. Já que estava frio, a idéia de jantar em casa quando a esposa chegasse venceu a vontade de ir tomar cerveja no bar.

Então o cardápio foi dividido, e enquanto Zé preparava as batatas no forno com alecrim e limão (depois de batidos no pilão com sal e passados na peneira), o Monstro fazia uma fraldinha cozida ao molho de cebola (usando cebolas reais e aquelas sopas em pó de saquinho). A carne foi cozida longamente até que ficasse macia e que o molho ficasse encorpado, para fazer um contraste com as batatas crocantes por fora e macias por dentro.

Antes do prato principal, o Monstro abriu uma das terrines trazidas da França na época da Odisséia Gastronômica e guardadas desde então. Esta era de pato, com molho de laranja e cointreau. Surpreendentemente suave, com excelente toque cítrico e pouco gosto muito forte de vísceras – deliciosa.

Já que as receitas eram meio francesas, houve ainda queijo de sobremesa: um camambleu e um camembert propriamente dito, para encerrar o jantar.

Até ganhar gosto

São tantas e tão pouco precisas as definições do termo ragu que ele acaba sendo usado de forma genérica para molhos. O mais comum é que sejam caldos encorpados, com carne e legumes cozidos longamente (o próprio termo vem do francês – ragouter – que significa fazer o gosto aparecer).

O Monstro preparou uma versão própria de ragu para servir com uma polenta vendida pronta em supermercados (da marca yoki – bom pela praticidade, mas nada excepcional).

Ele usou pedaços de pernil de porco cozidos na pressão até ficarem se desfazendo de tão macios e então jogou a carne com alho e cebola numa frigideira com azeite, esperou ganhar cor e foi adicionando aos poucos o caldo em que a carne foi cozida. Por fim, jogou uma lata de tomates pelados em molho próprio e manjericão.

Agora era a vez de deixar ganhar gosto, e o molho ficou quase uma hora cozinhando em fogo baixo e ganhando um pouco mais de água sempre que parecia excessivamente seco.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Três estrelas em Paraty

O guia Michelin, o mais aclamado dos analistas de restaurantes no mundo, dá três estrelas para os locais que têm uma comida tão boa que vale a viagem. O Monstro nem esperava tanto, apenas passeava entre as ruas do centro histórico de Paraty procurando um local que tivesse uma comida minimamente bem-cuidada, fugindo das dezenas de restaurantes oferecendo muita comida por pouco dinheiro. Foi assim que acabou encontrando o Margarida Café, que valeria a viagem.

Da porta, um grande salão com ambiente interessante chamava menos atenção de que um quadro com o menu do dia: seis pratos que soavam interessantes e harmoniosos, incluindo um pernil de capivara com molho de tamarindo. O menu era assinado por um chef de São Paulo e custava módicos R$ 69, ou R$ 89 com harmonização de vinhos, mas o Monstro não tinha fome de menu no momento, e encarou o cardápio.

Enquanto o casal não conseguia se definir entre as várias opções soavam tentadoras a preços acessíveis, média de R$ 30 por um prato individual, veio o vinho (um bom e simples travessia chileno de menos de R$ 40), e a entrada. Na descrição, era um bolinho de risoto de açafrão com ragu de rabada. Estava crocante, sequinho e saboroso, acompanhado por um molho de mostarda escura. O recheio, entretanto, era uma simples carne desfiada, ainda assim boa.

Após um empate entre dois pratos preferidos do casal, Monstro acabou ficando com a truta assada, e a esposa com a dupla de pato.

O dele era um peixe inteiro assado com tempero leve de alho, sal e pimenta, acompanhado de tiras de legumes crocantes (cenoura e abobrinha), purê de batata doce, e manteiga de castanha, tudo delicioso.

O dela era um magret de pato macio e suculento grelhado na brasa, parecendo uma picanha melhorada, fazendo dupla com um confit de coxa também macio e de sabor intenso. Tudo era acompanhado de um creme de mandioca, para contrabalancear com os sabores fortes da ave.

A refeição foi mais surpreendente e melhor de que muito restaurante badalado de São Paulo. E foi ainda mais barata (R$ 150, incluindo mais de R$ 15 por um couvert artístico bom o suficiente para não fazer querer deixar o ambiente). Valeu a viagem.

Espumas na praia

Paraty é suas ilhas. A melhor coisa da cidade colonial fluminense, cujas ruas se enchem de água durante a maré cheia são os passeios de barco a praias a ilhas isoladas.

Para fazer o passeio valer ainda mais como comemoração do aniversário da esposa, o Monstro tornou o momento mais especial com duas garrafas de espumante bem gelado, que casaram de forma perfeita com o leve mormaço sem sol que predominou durante todo o fim de semana.

Um Salton Reserva e um Santa Carolina Reserva (R$ 25 cada), bem gelados, suaves e nada doces alegraram o passeio de barco, mas o cardápio a bordo não atraiu, e o estômago foi guardado para a noite.

Na volta, valeu uma passada rápida pelo Pasteloni, barraca que vendia imensos pastéis de 30 cm, com recheio farto de carne, por R$ 6,50. Era só para enganar a fome para a noite, que prometia ainda um belo jantar comemorativo horas mais tarde.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Um por cento

A cada cem libras que os ingleses gastam com comida, uma foi destinada a um clássico: fish and chips.

Não faz muito tempo que o Monstro falou do risco de extinção que correm alguns dos pratos mais tradicionais da gastronomia inglesa. Era março, e ele citava uma pesquisa publicada no país (lembra?). Pois um dado novo mostra que nem tudo está perdido.

Se os britânicos comem menos torta de rim, pelo menos o consumo do tradicional peixe empanado com batatas fritas está aumentando, segundo o “Times”. A cada ano, são consumidas 276 milhões de porções desta iguaria deliciosa e calórica, e há mais de 10 mil lojas especializadas nela no país.

A mais nova tendência, segundo o jornal, é investir na qualidade da combinação, buscando peixes frescos e pescados naturalmente (em vez de criados), e fazendo um preparo cuidadoso, o que pode elevar o preço a até 10 libras.

Bodas de cerâmica

Um molho de carne com cogumelos e cerveja preta foi o grande destaque do jantar comemorativo de nove anos do início do namoro do Monstro com sua atual esposa, na última semana. Mas ele nem estava planejado no objetivo inicial, que era fazer um filé coberto com massa folhada acompanhado de uma salada.

Algumas das melhores receitas surgem por acaso, durante o processo de preparação de algum outro que era pensado anteriormente – todo mundo que cozinha passa por isso uma hora ou outra.

O molho começou a aparecer quando o Monstro escolhia a salada, e teve vontade de experimentar algo com cogumelos paris, champignons comprados frescos. A cerveja preta entrou no meio já na fila do supermercado, ainda sem um objetivo específico.

Na cozinha, medalhões de filé foram selados no azeite trufado, com sal e pimenta-do-reino, e depois embrulhados em massa folhada e colocados no forno. Na mesma frigideira em que a carne foi selada, o Monstro jogou cebola e alho picados, um pouco mais de azeite, e os cogumelhos, deixando refogar por algum tempo. Depois adicionou uma garrafa de long neck de cerveja preta e deixou reduzindo por bastante tempo até que o molho ficasse encorpado.

Na hora de servir o jantar, foram à mesa os filés embrulhados, a salada e o molho, todos separados, mas casando muito bem juntos. O molho ficou com sabor intenso e complexo, variando na boca e casando muito bem com um vinho tinto encorpado. A carne passou um pouco do ponto, deveria ter ficado mais mal-passada, mas ainda assim estava macia e saborosa.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Prawns and shrimps

Por ser o Brasil muito mais influenciado pelos inglês dos Estados Unidos de que pelo original britânico, o Monstro sempre teve certeza que deveria chamar camarão de shrimp, e não sabia a diferença entre a palavra e prawn – sem nunca haver procurado, todavia. Visitantes de Londres que surfaram seu sofá durante o fim de semana ensinaram: o primeiro é americano e o segundo, inglês – o mesmo nome para a mesma coisa.

A mesma coisa que já aparecia em dois posts anteriores: masi camarões comprados numa visita sabadal ao Mercado Municipal (era um quilo com cascas por R$ 22).

Esses ganharam um toque mais oriental: foram refogados com cebola e cenoura no óleo de gergelim torrado e depois ganharam uma cobertura de molho japonês de ostras – de sabor suave e muito bom. A mesma frigideira recebeu um espaguete já cozido, que incorporou o molho e ficou parecendo um yakissoba diferente.

Trufado

Uma alergia da esposa às cascas de crustáceos fez com que os camarões comprados já tratados fossem guardados para se transformarem em uma refeição especial para a aniversariante. Um simples risoto com camarões ganhou um toque extremamente especial, trufado.

O azeite com trufas havia sido experimentado no Recife, e foi comprado numa loja próxima ao mercado municipal por módicos R$ 22. O óleo tem três pequenos pedaços de trufas negras, aquele fungo subterrâneo raro e que se tornou uma das iguarias mais valorizadas da gastronomia moderna.

De sabor intenso, delicioso, ele perfumou o arroz arbóreo, refogado com cebola antes de ser quebrado com espumante Cava e receber um caldo de peixe ao vinho trazido da França.

Somente quando o arroz estava quase pronto é que ele recebeu os camarões, para um cozimento rápido, além que queijo parmesão ralado na hora.

O sabor trufado era evidente no risoto, valorizando o prato que já seria ótimo se não tivesse nada além de arroz e camarões.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Festa de gente grande

A comida servida em uma festa de aniversário pode ser um sintoma da idade. Deixar de lado a feijoada, o churrasco e salgados prontos em nome de comidas de verdade preparadas na hora mostram bem que já se tem festa de gente grande, como foi a comemoração do aniversário da esposa, no sábado.Pouca gente, uma única mesa, e frutos do mar comprados horas antes no mercado municipal.

O primeiro foi um caldo de camarão, preparado com as cabeças cozidas com cebola, alho, tomate, vinho tinto e um pouco de leite de coco. Batido e coado, servido em pequenos copos.

Depois teve polvo ao alho. Cozido por meia hora na pressão com água e vinho tinto, para amaciar, o bicho de 1,4 quilo (R$ 22) foi picado e refogado no azeite com alho, alcaparras e um pouco do caldo.

Enquanto ele era servido, pedaços de lombo de jacaré marinavam na cerveja, com pimenta rosa e cebola picada. Eles foram em seguida refogados no azeite trufado (nova aquisição a ser comentada em breve), se transformando em um petisco extremamente cheiroso.

Em seguida o mais simples: camarões ao alho e óleo. Temperados com bastante alho e refogados no azeite, o quilo dos pequenos crustáceos (R$ 12) casou muito bem com as cervejas.

Teve ainda uma semi-moqueca de siri. Um refogado de carne de siri com tomate e cebola no azeite de dendê – saboroso, mas de gosto um pouco intenso demais.

Para menos gente de que uma feijoada de 4 quilos dos grãos, uma festa assim não tem nenhuma refeição completa, mas sai até barata (menos de R$ 7 por pessoa, sem as bebidas).

Negócio desarmado

Se a propaganda é a arma do negócio, um dono de restaurante chinês em Londres prefere seguir desarmado.

O colunista de gastronomia do jornal britânico “The Guardian”, Jay Rayner, visitou anonimamente o restaurante chinês Gourmet San. “Uma das melhores comidas que se pode comprar com pouco dinheiro”, avaliou, empolgado com a descoberta.

Na hora de mandar um fotógrafo da casa fazer imagens do restaurante para serem publicadas juntamente com a avaliação, entretanto, os donos do local simplesmente se negaram a permitir a entrada, e disseram que tinham uma clientela fixa formada basicamente por chineses e que não precisavam da divulgação num dos mais importantes jornais do mundo.

O resultado foi uma propaganda ainda mais efusiva. Surpreso com a atitude, Rayner teceu ainda mais elogios ao restaurante, e publicou o texto completo no jornal, com uma foto apenas da fachada. Ele alertou, entretanto, que não adianta os londrinos e ocidentais lotarem o local, já que isso pode irritar a freguesia de olhos puxados.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Os carbonaras

Carbonara é um molho simples: bacon e ovos. Mesmo assim pode ser subverito à moda monstra, quando o bacon é trocado por lingüiça, resultando num ravióli de quatro queijos ao molho carbonara diferente.

Lingüiças cortadas fininhas vão à frigideira com azeite e cebola picada, fritando bem. Depois vem o ravióli (do mais simples mesmo, já cozido) e ovos batidos com sal e pimenta-do-reino são agregados aos poucos para formar o molho (queijo parmesão também é uma opção).

Exatamente a mesma receita com um ingrediente diferente e um sabor completamente novo - e bom.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

O mais pretensioso

O nome do lugar é absurdo, metido, pedante até onde se pode imaginar, e ainda bastante arriscado. Se não fosse o título de “O melhor bolo de chocolate do mundo”, entretanto, nem o Monstro nem mais ninguém alteraria seu caminho para ir comer esta sobremesa. Então talvez seja o “bolo de chocolate mais marqueeteiro do mundo”.

O problema do Maqueting é que ele depende de um produto que sustente a sua propaganda (O Monstro, por exemplo, é metido e pretensioso na cozinha, mas ele de fato é bom). Não, o “melhor bolo de chocolate do mundo” não chega nem perto de ser o melhor do mundo. Pior, não devia nem ter o título de bolo, quanto mais o “melhor”.

A grande sacada da receita de origem portuguesa trazida para São Paulo (na Oscar Freire) no final do ano passado é que é um bolo que não leva farinha de trigo nem fermento. O grande problema é que para se constituir bolo, é preciso ter esses ingredientes, e sem eles, o “melhor...” não passa de uma torta. Uma boa torta, mas mesmo assim não a melhor.

Montada em camadas, ela alterna um bom creme de chocolate com um merengue também de chocolate. Não é ruim, longe disso, mas não vale o deslocamento que o título pede (a lojinha vende apenas o bolo em duas versões, uma opção de salgado, cafés, portos e acabou), não vale nem os R$ 7,50 que custam cada fatia.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Almoço no templo

Domingo foi dia de ir ao “templo da culinária baiana”. Ta certo que o Bargaço de São Paulo, na Oscar Freire, não tem o charme que tinha o do Recife, ao ar livre na beira mar de Boa Viagem, mas o cardápio pelo menos é o mesmo, e os preços assustam menos na capital econômica do país de que na manguecéia.

Fazia tempo que o Monstro não ia a este restaurante especializado em moquecas e frutos do mar ensopados. Por mais que seja de origem baiana, a comida é excelente. Não foi preciso fazer reserva, pois quando telefonou, foi avisado que domingo à tarde seria fácil conseguir uma mesa para dois. Realmente, às 14h havia pelo menos duas mesas vagas.

As opções de entrada são muitas e muito atraentes. Depois de pensar muito, acabou preferindo o básico, um par de casquinhas de siri à moda baiana, que é feita apenas de carne do crustáceo temperada, e não um purê, como é preparada no Recife. Por R$ 7,50, a porção é grande e já finaliza o couvert, sem deixar margem para mais entradas.

Depois foi a vez de satisfazer o vício da esposa por camarão, uma moqueca dos bichos. Demorou mais que o normal, mas quando chegou, fumegando na panela de barro, estava deliciosa. A porção de R$ 78 vem acompanhada de arroz branco, pirão de peixe e farofa de dendê, e podia perfeitamente ser dividida por até três pessoas.

Os camarões eram bem grandes, macios, frescos, e o ensopado tinha sabor intenso, bem cuidado. Uma refeição pesada para acabar o dia na preguiça.