Experiências com as quatro melhores coisas da vida: Comer e Viajar

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

No boteco do mercado

Às vezes é bom voltar às origens, fazer a esposa matar as saudades daquela comida pouco elaborada, pouco requintada, pouco fotogênica, mas muito saborosa. Enquanto planejava um jantar durante a semana, a carne chique, os legumes delicados, o tempero especial, toda a haute cuisine foi esquecida em nome da tradição de uma moela de galinha.

Aquele pedaço poco nobre, que faz parte do sistema digestivo da ave, e que é cheio de músculos para ajudar na ausência de dentes, mas que, bem feita, fica bem macia, com bastante tempero, gosto forte, acompanhada apenas de pão francês partido na mão, que nem nos botecos mais safados do Recife.
Aqui elas foram rapidamente lavadas e temperadas com sal e limão e pimenta antes de serem jogadas na panela com azeite bem quente. Depois vieram cebola e tomate picados, cebolinha, um pouco de páprika (para compensar a ausência de pimentão), uma lata de molho de tomate, um tablete de caldo de galinha, outro de louro, cominho e coentro, um pouco mais de água e 40 minutos de panela de pressão.

Moela macia de sabor intenso, quase uma ceia regional preparada em casa, quase seguindo receitas de um livro comprado na última visita à capital pernambucana, só com as comidas dos mercados da cidade.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Semana de restaurantes

Recomeça a Restaurant Week de São Paulo e o Monstro volta ao mesmo restaurante visitado pela primeira vez, o AK Delicatessen, para um almoço completo por R$ 25 por pessoa.

Entrada: Philo Strudel de Queijo :Trouxinha de massa folhada, com fonduta de queijos do dia e farofa de hortelã em sopa fria de tomate. Massa fininha e seca, recheio quente e sopa fria contrastando (ah, e algumas folhinhas de manjericão para dar mais graça).
Principal: Picadinho de vitela e páprica com sptzel da vovó, ovo pochê e chips de banana. Tinha uma farofa boa, mas meio desnecessária e contrastando demais com a massinha. O ovo com a massa ficou muito interessante, e a carne estava macia e com bastante sabor.

Sobremesa: Burekas de banana com sorvete de canela. Mesmo para o Monstro, não muito fã de doces, este talvez tenha sido o melhor do dia. Massa quente e crocante, sorvete suave e saboroso.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Dieta campeã

Aqui vai um segredo para perder peso, ficar magro e saudável. A dieta é simples, mágica e não requer tanto sacrifício. Quem fez foi esse cara aí do lado, segundo o "New York Post", e ele garante que funciona e faz de qualquer um o grande campeão.

A dieta é simples, e envolve três refeições de mais ou menos 4 mil calorias cada.

No café-da-manhã, algo bem leve. Três sanduíches de ovos fritos com queijo, alface, tomate, cebolas fritas e maionese. Aí vêm duas grandes xícaras de café, um omelete preparado com cinco ovos, uma tigela de mingau de milho, três torradas francesas com açúcar e três panquecas com pedaços de chocolate.

Isso deve ser o suficiente para agüentar até o almoço. Por volta do meio-dia, a refeição pede meio quilo de macarrão, dois grandes sanduíches de queijo e presunto com bastante maionese acompanhados de vários energéticos líquidos para ajudar na digestão.

À noite, no jantar, mais uma refeição leve de meio quilo de macarrão acompanhado por uma pizza inteira. E, claro, mais litros de bebida energética.

Este regime, que totaliza 12 mil calorias, ou o que uma pessoa normal leva seis dias para consumir (levando em consideração as recomendações da OMS), é seguida pelo maior campeão olímpico de todos os tempos, o nadador americano Michael Phelps.

Aos 23 anos, Phelps já bateu todos os recordes que podia na piscina, e mantém essa alimentação “suave” para concorrer a medalhas por dias seguidos. É natural que, ao passar o dia nadando, essas calorias desapareçam, se transformem em braçadas, e não em pneus.

Moral da história: esqueçam os nutricionistas e as dietas controladas. É mais fácil perder peso feliz e guloso, gastando em exercício, de que infeliz e com fome.

Pé de bode

Todas as vezes que o monstro ia ao Pão de Açúcar, lá estava, na seção de carnes, um belíssimo pernil de carneiro, esperando ser comprado. Na sexta-feira, não teve desculpa, e a peça foi comprada, por R$ 30 em seus dois quilos.

Deu tempo de marinar no vinho branco, com cebola picada, alecrim e tomilho frescos, um pouco de mostarda e alho. E depois ele foi ao forno, primeiro coberto com papel alumínio e depois aberto, para dourar. Em pouco mais de 3 horas, estava perfeito.
Primeiro os temperos foram todos misturados (incluindo sal grosso, pimenta do reino e azeite), a carne foi furada várias vezes com um espeto, e o tempero bem espalhado. Depois veio o vinho. A carne ficou cerca de uma hora assim, antes de ir ao forno.

O serviço foi completo, e a carne foi acompanhada por geléia de hortelã e batatas assadas (inteiras, primeiro cozidas, para ficarem bem macias, e depois assadas com azeite, sal grosso e pimenta do reino). Carne macia, muito saborosa e suculenta. Demorou, mas foi simples e delicioso.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Welcome to the Matrix

Dignidade e comida junkie podem andar juntos. Mesmo chefs badalados têm investido em propostas tradicionais de fast food para trazer comidas que podiam ser desprezadas à gastronomia de valor (Bourdain que o diga, com seu ambúrguer com foie grãs).

Com esses clima, o Monstro abriu mão de um jantar mais chique para conhecer o badalado Matriz, bar e lanchonete que sempre figura nas listas dos melhores da imprensa paulistana. Por mais que o Monstro seja contra listas, realmente é o melhor que ele já provou na cidade. Não é barato, mas pelo mesmo preço (70 o jantar completo para duas pessoas comendo até morrer) há coisa muito pior.

Para começar, batatas fritas, entortadas, sequinhas e crocantes.

Para beber, uma experiência perfeita para um cérebro gordo: Milk shake de Nutella. Difícil de descrever, pois o gosto do creme de chocolate com avelã é suave, e vem em pequenos pedaços junto ao sorvete. Mesmo assim, delicioso e muito doce, mas pouco enjoativo (a não ser pelo excesso de calda).

Para comer, um improviso: hambúrguer de fraldinha com queijo, cebola frita e molho barbecue (muito) - e experimentando o da esposa: hambúrguer de picanha com salada queijo e bacon.

Diferentemente dos sanduíches das esquinas da cidade, a carne tem sabor, tem consistência, vale até sozinha. O sanduíche não fica com aquele gosto homogêneo de gordura, mas tem cada sabor se cominando de forma mágica.

Sim, a comida continua junkie, pesada e calórica. Mas também é deliciosa.

Adendo - Depois de publicar o blog o Monstro lembrou do hambúrguer servido no Drake's, "bar inglês" que serve cervejas importadas e sanduíches e que tem um hambúguer sensacional.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Amadoras e caseiras

O conceito de comida caseira aparentemente foi subvertido pela indústria. Agora dá para comprar pratos pré-prontos, finalizar na cozinha e chamar de “caseiro”.

Foi o que o Monstro fez na noite de segunda-feira. Ele pegou um pacote de massa para biscoito de aveia trazido da Colômbia, só juntou com ovo e manteiga, assou e saiu por aí dizendo que tinha feito “biscoitos caseiros”.

Ah, ele até que fez algo a mais: adicionou pequenos pedaços de chocolate, que deixaram os biscoitos mais gostosos. Mas isso também não fazem deles uma receita caseira como pretende o pacote (norte-americano) com a massa.

Sim, ficaram ótimos, talvez tão bom quanto realmente caseiros, mas já vieram prontos.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Crássico é crássico

A fama antecede os grandes clássicos da gastronomia e pode criar expectativas elevadas demais. No caso de um dos pratos mais famosos de São Paulo, nenhuma expectativa é alta demais, pois o polpettone do Jardim de Napoli é uma obra de arte da gastronomia.

O Monstro voltou a comer o prato na semana passada, por ocasião da visita de uma tia viciada no prato (clássicos, naturalmente, se tornam uma atração turística). Experimentou junto com um bom ravióli de ricota, mas a massa, por melhor que seja, nunca vai conseguir disputar a atenção do almondegão.

Trata-se de um grande bolo de carne recheado com queijo, empanado, frito, coberto com molho de tomate e mais queijo. Fica saboroso, suculento, crocante, tudo ao mesmo tempo. Sozinho ele pode alimentar duas pessoas, e custa cerca de R$ 30.

domingo, 3 de agosto de 2008

Orgasmos orais

O jantar do sábado pode ser considerada uma homenagem ao recente dia do orgasmo. Depois de se deliciar com um enorme prazer gastronômico, o Monstro ficou em dúvida se tinha sido o melhor prato que ele já tinha preparado ou o melhor que já tinha comido em toda a vida. Foi mais uma forma de se firmar como gastrossexual, bajulando a esposa pelo estômago.

O fato é que as lagostas trazidas de Recife a São Paulo (cerca de 400 gramas de caudas tratadas), ganharam um molho excepcional de champagne e ervas frescas, casando de forma perfeita com o ravióli de brie e amêndoas que as acompanharam.
O primeiro passo foi preparar o tempero. O Monstro picou tomilho e orégano frescos, juntou com pimenta do reino, alho e sal e temperou bem as lagostas. Eram oito pedaços grandes, dos quais dois foram picados em pedaços menores para se incorporarem ao molho dando mais sabor.

Estas lagostas foram refogadas rapidamente na manteiga, tiradas do fogo e reservadas, enquanto uma boa dose de champagne (cava espanhola, Freixenet brut, na verdade) foi jogada na frigideira para absorver o sabor deixado pelos crustáceos e formar o molho. Quando ferveu, o Monstro adicionou mais um pouco de manteiga, creme de leite e deixou ganhando consistência.

Quando o molho estava pronto, o Monstro adicionou os raviólis para absorver rapidamente o molho. Depois tudo foi jogado num refratário, coberto com queijo parmesão ralado em casa e colocado no forno quente para gratinar. Só alguns minutos antes de servir é que o Monstro cobriu o gratinado com os seis pedaços grandes de lagosta que haviam sido reservados.

A massa da excelente marca La Vera Pasta, é preciso que seja dito, foi mais cara de que as lagostas compradas no Recife. Por 500 gramas do ravióli de queijo brie e amêndoas o Monstro pagou R$ 31 no Pão de Açúcar. Uma extravagância sensacional, mas para uma vez na vida. Ela tinha bastante sabor e sacou muito bem com a lagosta, que ficou macia e deliciosa. Um verdadeiro orgasmo gastronômico.

Morrendo pela boca

Depois de furada pelo Monstro, que divulgou a existência do termo "gastrossexual" para gente que, como ele, usa a cozinha como arma de sedução, a Esposa correu atrás e escreveu a matéria abaixo, publicada no G1 (leia aqui o original).

O Monstro aproveita a volta ao tema para passar dois linques.



Conheça a nova tribo masculina: os gastrossexuais
Homens usam cozinha como meio de se divertir e impressionar mulheres e amigos. Novos cozinheiros se informam sobre gastronomia em livros e trocam informações via web.

Esposa
Do G1, em São Paulo


Uma nova tribo masculina está tomando forma, e ela não tem nada a ver com o famoso metrossexual – que surgiu no fim dos anos 90 e dava muita importância à aparência – nem com o ogrossexual, o oposto do grupo anterior, mais próximo ao personagem de desenho animado Shrek. O gastrossexual é um homem bem-resolvido que adora cozinhar pratos elaborados por prazer, para mostrar as habilidades na cozinha e também para seduzir. Chefs famosos e boa pinta, como Jamie Oliver e Olivier Anquier servem de inspiração para muitos desses novos homens.

O apelido gastrossexual foi dado pela Future Foundation, uma instituição inglesa que faz estudos de mercado. De acordo com a mais recente pesquisa da instituição, feita na Inglaterra, 48% dos entrevistados dizem que saber cozinhar faz com que a pessoa se torne mais atraente. E não são poucos os que vão para a cozinha com segundas intenções: 23% dos homens entre 18 e 34 anos admitem que cozinham para tentar seduzir uma parceira.

Conquista
As habilidades do advogado Paulo Franqueira, de 37 anos, na cozinha são famosas entre os amigos dele e principalmente com a namorada. “Conquistei ela no quarto jantar”, brinca Franqueira que, no quinto, conquistou os pais dela. “Até hoje eles falam da comida que preparei”, vangloria-se.

Para Franqueira, caprichar em um almoço ou jantar é a melhor tática para impressionar. “É muito bom pensar nos detalhes, como o vinho, as flores, as velas e na seqüência de pratos”, lista. A vantagem de comer em casa, diz o advogado, é ter hora para apenas começar. “Quando a gente faz em casa, é mais privativo, aconchegante e imprevisível. Não tem aquela coisa de sentar, fazer o pedido, comer, pagar a conta e ir embora”, argumenta.

Como um bom gastrossexual, Franqueira lê livros e pesquisa sobre gastronomia, mas não pretende se profissionalizar. “Já me falaram para abrir um restaurante, mas eu não misturo trabalho com lazer”, brinca.

Aprender a fazer pratos elaborados se tornou um desafio para o executivo de uma multinacional Fabio Estrella, de 42 anos, quando ele conheceu a mulher dele, Débora Franchim, de 26 anos. A jovem aprendeu a cozinhar com a avó italiana quando tinha 8 anos. “Por isso, não tinha como impressionar ela”, conta.

Assim como o namoro, o gosto de Estrella pela cozinha ficou firme. Hoje, ele participa de um curso para “estruturar o conhecimento”. “Estou aprendendo desde a base, como limpar um peixe, até algo bem sofisticado”, conta. Para o executivo, ser gastrossexual só faz sentido quando a pessoa realmente tem prazer em cozinhar. “Se é só para pegar mulher, não pode ser bom, a comida não tem como ficar boa”, acredita.

O nascimento do gastrossexual
De acordo com a pesquisa, a intimidade do gastrossexual na cozinha é conseqüência, em parte, do aumento do número de homens morando sozinhos – e tendo de se virar para comer – e de mulheres trabalhando fora. Segundo o estudo, os homens passaram a gastar cinco vezes mais tempo entre as panelas do que eles faziam em 1961, de minguados cinco minutos esse tempo pulou para 27 minutos diários.

Segundo Luis Felipe Calmon, que dá aulas relacionadas à gastronomia no Orbacco Espaço Gastronômico, essa tendência masculina começou a ganhar força há cerca de cinco anos. Esse foi o período em que também houve um salto na oferta de produtos voltados para esse público, como panelas, utensílios de cozinha e temperos variados.

A maior parte dos alunos homens de Calmon tem entre 25 e 45 anos. Essa é praticamente a mesma faixa etária dos gastrossexuais da pesquisa inglesa, que têm entre 25 e 44 anos. Para o professor, o homem que cozinha acaba impressionando e conquistando as mulheres por se mostrar interessado em agradá-las. “Acaba sendo especial porque a comida é preparada somente para aquela pessoa específica. A sedução é no sentido de tornar uma coisa comum, a refeição, em algo especial”, afirma.

Para ser um gastrossexual não precisa ser cheio da grana. Calmon diz que o segredo está na escolha dos ingredientes. “Acho que para cozinhar bem tem de ter, antes de tudo, muito carinho e amor pelo que está fazendo”, afirma.

Mas antes de se animar, a mulherada precisa saber que a mudança no hábito masculino pára na porta da cozinha. O estudo feito pelo instituto inglês mostra que os homens não têm o mesmo entusiasmo para tarefas domésticas como lavar roupa ou varrer a casa.