Experiências com as quatro melhores coisas da vida: Comer e Viajar

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Vivos

"Os nove sobreviventes de um acidente de avião ocorrido na Cordilheira dos Andes, no sul do Chile, consideraram canibalismo para sobreviver durante os cinco dias em que ficaram presos nas montanhas. Passageiros começaram a pensar numa solução dramática para a fome. Miguel conta que tinham decidido comer a carne do piloto, porque a fome era insuportável. “Justo no dia em que íamos fazer isso, fomos localizados por um dos helicópteros da força aérea. Se isso não tivesse acontecido talvez naquela mesma tarde teríamos começado a comer o corpo do piloto”, conta Miguel. "

Se o Monstro estivesse numa situação como esta, ele teria 59% de chances de comer carne humana. O teste está aqui.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Bombas calóricas


Tinha que ter algo de errado com a rede de casual dinner de que o monstro tanto gostava. Depois de tecer elogios e mais elogios ao Outback, eis que a verdade aparece. Dois dos pratos indicados pelo monstro aparecem como os dois piores dos Estados Unidos – piores para a saúde, diga-se.

Em busca de uma proposta para perder peso sem ter que encarar uma dieta rigorosa, a revista norte-americana “Men’s Health” laçou em livro o guia “Eat this, not that”. Ele elenca as piores opções alimentares para a saúde e oferece alternativas igualmente prazerosas, sem danos para nenhum comilão.

E a pior comida dos Estados Unidos, segundo a lista, é a Aussie Cheese Fries, batatas fritas cobertas com queijo e bacon servidas na rede de restaurantes com temática australiana.

Com suas 2.900 calorias, "esta arma de construção de massa é equivalente a comer 14 donuts antes do seu jantar. Mesmo se você dividir esta 'entrada' com três amigos, terá colocado para dentro o valor calórico de uma refeição". A opção, segundo o guia, é pedir os camarões grelhados da mesma rede. Saborosos, mas não tão calóricos.

Como se não fosse o suficiente, uma versão da fantástica Blooming Onion, preparada na rede de restaurantes Chili’s, aparece como a pior opções de entrada do país. “É preciso muito talento para transformar uma única cebola grande no equivalente a 67 fatias de bacon”, diz. São 2.710 calorias.

É polvo de nolvo

Depois da revelação do ótimo ensopado de polvo comido no paraíso da Praia dos Carneiros, o Monstro precisava fazer sua versão caseira do molusco. Em passeio pelo mercado municipal, enquanto comprava os ditos “pertences” para a feijoada que planeja para o fim de semana, ele viu os bichos, bem frescos, na peixaria e não resistiu. Comprou um, já tratado, com quase um quilo, por R$ 13.

Em casa, jogou ele inteiro em azeite, cobriu com cebolas e tomates, vinho branco e um pouco de água, e deixou por pouco mais de meia hora na panela de pressão.

Em outra panela, refogou cebola e alho, jogou uma xícara de arroz (tipo), e depois completou com o dobro da medida do caldo em que o polvo foi cozido. Por último, o próprio polvo, já macio e cortado e pedaços.

Presentes


Chega o aniversário e o Monstro ganha uma panela de presente. E gosta!
Até que enfim uma frigideira de fato grande, e que passa no teste indicado por Anthony Bourdain. Segundo ele, uma panela só é boa quando sentimos seu peso e imaginamos que, se jogadas contra nossa cabeça, pior para a cabeça. Nenhuma panela que preste se quebraria num impacto como este.

Ah, e uma bela faca de inox, para chefs...

De volta

Meio por preguiça, meio por ressaca pelo título da Copa do Brasil, meio por revolta contra o encerramento das atividades do Tastespotting, o Monstro ficou mais de uma semana longe do Diário.

Volta com imagens e pouco texto, de um almoço de dias atrás: atum grelhado com crosta de gergelim e molho de vinagre balsamico.



terça-feira, 10 de junho de 2008

Repeteco

Eis o primeiro repeteco do Diário. Era domingo, no supermercado, quando o Monstro teve uma enorme vontade carnívora. Foi aí que ele comprou dois grossos bifes de chorizo dos cortes especiais do Pão de Açúcar (cerca de 300 gramas cada, por R$ 11 o pacote).

Pincelados com azeite, sal grosso e pimenta, foram jogados na chapa de ferro bem quente, para assar bem por fora, mas continuar sanguinolentos e macios. Foram cerca de 3 minutos de cada lado, seguidos por 5 minutos de descanso num prato coberto com papel alumínio, para os sucos voltarem à superfície dos bifes, mas não perder temperatura.

Carne simples e deliciosa.

Para acompanhar, batatas rösti. Primeiro descascadas e levemente cozidas, depois passadas no ralador, temperadas com sal e pimenta do reino e assadas na chapa junto com a carne.

domingo, 8 de junho de 2008

Empacotados

Na era da comida semi-pronta, viagens internacionais prolongam a possibilidade de experimentar pratos diferentes dos encontrados na vida cotidiana, fazendo com que a “Odisséia Gastronômica” possa ser revivida algumas vezes na cozinha. De volta da Zoropa, o Monstro trouxe várias opções de cardápio para preparar. O problema foi apenas decifrar o modo de preparo de alguns desses pacotes trazidos da Holanda.

Com um pouco de paciência, dedução e alguma ajuda da ferramenta de idiomas do Google, ele conseguiu preparar a massa de forno segundo a receita holandesa.

Nessa receita, a massa não é cozida antes de receber o molho. Ela vai ao forno junto com ele, e fica longamente no calor, para ficar pronta. O pacote de molho é mexido em 750 ml de água, descansa por três minutos e cobre a massa já colocada no refratário, junto com um pouco de presunto, e tudo é coberto com queijo parmesão.

Foram 45 minutos de fogo baixo até o jantar de sábado ficar pronto. Era um sabor diferente, entretanto, dos molhos prontos que se encontram no Brasil. Desde o preparo, o próprio cheiro do molho já se diferenciava por ser um pouco agridoce.

A comida ficou boa, mas não conseguiu fugir do sabor artificial que têm os molhos comprados prontos.

sábado, 7 de junho de 2008

Parece, mas não é

Só parece, mas não é um risoto. Não é justamente por não serem arroz os grãos usados, mas trigo, cozido com molho de tomate e manjericão.

O Monstro encontrou o pacote num supermercado de Paris, e achou curioso, por não ser algo comum no Brasil (na hora, ele deve confessar, pensou ser cevada, que ele já havia tentado preparar depois de trazer um pacote da Itália). Como vem pré-cozido, precisa apenas ser esquentado no microondas ou numa panela com um pouco de água.

O Molho de tomate é simples e saboroso, mas escondeu completamente o sabor do trigo, que só era perceptível por causa da textura mais resistente e emborrachada de que a do arroz.

Para liderar o almoço, o Monstro preparou fatias de pernil de porco ao molho de cebola e vinho. A carne foi selada com sal e pimenta e depois reservada, enquanto a panela ganhou a tradicional presença de cebolas, alho e vinho branco, que cozinharam longamente até que a carne voltou.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Ossos do ofício

O domingo prometia ser um dia preguiçoso, daqueles em que se acorda tarde, toma um bom café-da-manhã e depois tem apenas uma outra refeição, longamente preparada, reunindo almoço e jantar no fim da tarde. Para isso o Monstro descongelou um par de pedaços de ossobuco comprados no pão de Açúcar (R$ 5).

A receita seguia aproximadamente o indicado pela amiga e ex-colega de trabalho que faz o Guloseima. É como um ragu, com caldo bem consistente e forte, com sabor da carne, de vinho tinto, dos ossos e de legumes.

Primeiro a carne foi selada na panela de ferro, temperada com sal e pimenta, e depois retirada do fogo. A panela ganhou cebola e alho picados e um pouco de vinho tinto. Depois vieram cenouras picadas, tomate, um pouco de caldo de carne e uma caixinha de polpa de tomate, além de um sachê de bouquet garni (tomilho, louro, estragão, alecrim e outras ervas).

A carne voltou para a panela, junto com os legumes e o caldo, e tudo ficou em fogo baixo por quase duas horas, para amaciar bem. Assim estava pronta a carne, que cobriu um penne tricolor quase desnecessário, de tão focado que estava o sabor na carne.

Os ossos dão um sabor intenso ao prato, deixando-o diferente de qualquer outra carne que possa ser preparada dessa forma, como um boeuf bourguignon. Esta é uma marca registrada do ossobuco e dos melhores caldos de carne preparados em restaurantes, o que diferencia a cozinha deles da média dos pratos caseiros.

Antes da refeição propriamente dita, enquanto a carne ficava duas horas no forno, foi aberto um pequeno paté de campagne trazido da França. Compimentas verdes interas, os pedaços de porco e gordura estavam uma delícia com um vinho tinto simples e uma baguete comprada no dia.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Pão francês

Quanta injustiça do Monstro, todo metido recém-retornado de viagem à França, esnobando os croissants brasileiros, dizendo que nenhum chega nem perto dos comidos em qualquer bodega de Paris. E eis que ele aceitou o desafio e encontrou um croissant excelente em São Paulo.

Era manhã de domingo, e foi comer o desjejum na patisserie Douce France, nos Jardins. Inaugurada em 2001, a confeitaria já foi premiada pela Veja São Paulo e pelo Guia da Folha. Foi exatamente na Veja que a esposa leu sobre o local, visitado uma semana depois.

Ao contrário dos cafés-da-manhã tradicionais em padarias da cidade, a Douce France não tem buffet, mas um cardápio com uma série de opções da pastelaria francesa. O início foi, naturalmente, com o croissant desafiante (R$ 3,50). A exemplo dos franceses, ele era leve, muito sequinho por fora e em camadas aeradas por dentro. O sabor também era muito bom, por mais que ele fosse muito gorduroso, com forte presença de manteiga.

E mais manteiga ainda teve a segunda atração da manhã. O Monstro pediu um palmier (R$ 5), mas ouviu que já tinham-se acabado. Enquanto decidia por uma alternativa, a garçonete trouxe o pedido, dizendo ter acabado de sair do forno.

Ele ainda estava quente, magicamente crocante e macio ao mesmo tempo e muito gostoso. Mas tinha manteiga demais, e era impossível não enjoar rapidamente.

Além da pastelaria, o café serido no local também é muito bom. No fim das contas, mesmo comendo menos que num buffet, o desjejum custou pouco mais da metade do que custaria numa padaria (R$ 28 para duas pessoas), com comidas muito mais gostosas e diferenciadas.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Carne rastejante

Comer jacaré não é algo difundido popularmente em nenhum lugar do mundo. As únicas referências em enciclopédias gastronômicas, como a Larrousse, falam que há o costume em países africanos. Na internet, é possível encontrar menções a pratos com este e outros répteis parecidos, como crocodilos, nos Estados Unidos e em outros países da América.

Esta foi a terceira vez que o Monstro comeu carne de jacaré, sempre vinda de fazendas no Mato Grosso. A carne é branca, mas muito mais consistente de que a de qualquer peixe e nada fibrosa como a de frango. O sabor é suave, mas diferenciado.

Já que havia sobrado metade do pacote de lombo trazido pela Mestra em sua última visita, o Monstro decidiu preparar algo diferente. Sob os conselhos da própria mentora, os preparou ao vinho, com creme de leite e queijo parmesão.

Os filés já temperados com sal e pimenta do reino ganharam acréscimo de tomilho e sal com aipo trazido da França. Eles foram fritos rapidamente um a um em azeite com manteiga, e depois reservados. A panela depois recebeu cebola e alho picados, e vinho branco, para depois o molho ser completado com uma caixinha de creme de leite e um pouco de queijo parmesão ralado na hora.


Como o cozimento da carne foi rápido, ela ficou macia e numa ótima consistência. Já o molho, ficou extremamente saboroso, muito marcado especialmente pelo tomilho e pelo creme de leite.

Para completar o jantar, o Monstro abriu o penúltimo dos vinhos trazidos de Paris, um Coteaux du Languedoc, domaine Saint Andrieu. Vinho bastante encorpado, mas não excessivamente frutoso.

Quem acompanha quem?

O plano é tentar sempre fazer coisas completamente novas na cozinha. Então na sexta-feira o Monstro juntou água e farinha de milho para fazer uma polenta, pela primeira vez.

Ele usou uma farinha especial para o prato de origem italiana, que faz o papel de acompanhamento, no lugar de uma massa ou um arroz. A própria embalagem dava a receita: duas porções de farinha para 9 porções de água, e fogo baixo mexendo bastante até engrossar e soltar das paredes da panela. Depois ganha ainda um pouco de manteiga e de queijo parmesão, para ganhar em consistência e sabor.

Por mais que a grande atração fosse o acompanhamento, o prato principal também ganhou atenção. Quatro pequenas coxas de frango foram rapidamente seladas no azeite, temperadas com sal e pimenta, e retiradas da panela. Depois a panela recebeu cebola picada e vinho tinto, e depois três tomates em cubos. Quando o molho ficou pronto, foi jogado por cima das coxas em um refratário, e foi tudo para o forno por 40 minutos. No final, ainda ganhou uma cobertura de queijo.

domingo, 1 de junho de 2008

Quantidade X Qualidade

“Nunca entre num restaurante que anuncie ‘promoção de sushi’”. Esta é uma das máximas de Anthony Bourdain em “Cozinha Confidencial”, onde ressalta que a qualidade da comida está intrinsecamente ligada à qualidade dos produtos usados, e que a “promoção” provavelmente se dá por baixo frescor dos peixes ou demais ingredientes.

Esta mesma crítica pode ser usada para os milhões de rodízios de sushi de São Paulo. Espalhados pela cidade, eles buscam preços cada vez mais baixos, e para isso acabam comprometendo a qualidade da comida. Basta fazer uma comparação na maioria dos locais que servem sushis à vontade por preços entre 30 e 40 reais, todos têm pouca variedade de peixes e servem todos com gosto pasteurizado e sem graça, salvos apenas pelo shoyu em altas quantidades.

Claro que a cidade também tem restaurantes de alta gastronomia japonesa, a preços altíssimos, como o premiado Jun Sakamoto, ao qual o Monstro nunca foi por falta de jabá.

A salvação, entretanto, está no meio termo, encontrado especialmente no bairro da liberdade, onde há restaurantes fazendo sushis excelentes a preços acessíveis. Pelo mesmo que pagaria num rodízio, cerca de R$ 100 por casal (incluindo bebidas), o Lika, na liberdade, serviu 9 pares de sushis variados e deliciosos.

A noite começou com uma dose de sakê nacional, servido com uma pequena porção de sal, que segundo a Larousse, pode ser colocado na língua a cada gole. Segundo o site esake, o costume milenar tem origem na superstição, e funciona como um ritual de purificação, mais de que oferecer algum sabor diferenciado à bebida (no passado, conta um texto do site, o sal servia para quebrar o sabor menos agradável e amargo da bebida, o que não acontece atualmente).

Depois vieram os sushis, todos com uma porção pequena de arroz e bastante peixe bem fresco. Começou com as duplas de toro, a barriga gorda de atum (por R$11) e enguia (R$ 8) - foto abaixo.


O toro é o ouro do sushi nos tempos atuais, valorizado como o que há de mais saboroso. De fato, é uma carne extremamente macia e que tem muito gosto próprio, suave e diferenciado, tornando desnecessário mergulhar em shoyu. A enguia não é crua, mas defumada, macia e deliciosa.

A segunda porção pedida tinha o sushi skin, feito com pele de salmão frita (R$ 5,40) e o sushi de ova de ouriço (R$ 7,50) - segunda foto da esquerda). O skin estava muito crocante e seco, diferente do que se encontra nos rodízios, e chegava a parecer um torresminho de peixe, de tão saboroso. O de ouriço era um pouco mais estranho. Como uma ostra, ele era uma carne mole e de textura estranha, mas tinha um sabor agradável.

A última porção foi um pouco maior, e veio com mais uma dupla de skin, uma de sushi de camarão, uma de olho-de-boi, uma de ova de salmão e uma de tempura de salmão. Todos estavam deliciosos, especialmente o de olho-de-boi, que é uma espécie de peixe branco, e o de tempura de salmão, frito com uma folha de shisso e depois enrolado ao arroz.

Ao final, a qualidade venceu a quantidade de sushis insossos e repetitivos de qualquer rodízio.