Experiências com as quatro melhores coisas da vida: Comer e Viajar

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Natal reloaded, ou porco voador

O peru é quase como um porco de asas. Pelo menos é isso o que ele parece para o Monstro, do ponto de vista gastronômico. Pense bem, um peru ao forno é preparado como um pernil, seu gosto até se parece um pouco, sua carne é mais gordurosa e cheia de sabor que a de uma galinha, além de ser um bicho de asas realmente grande.

O Monstro usou este “raciocínio” para adaptar uma receita via “New York Times”, o porco (voador) três vezes cozido. Mark Bittman, o Minimalista usou uma costeleta de porco, o Monstro usou duas coxas de peru.

As grandes coxas, compradas separadamente (por R$ 3) primeiro são chapeadas. Usando uma panela, foi preciso “selar” a carne no óleo, mas por mais tempo de que uma passada rápida de cada lado. O segundo passo foi o de cozinhar em líquido (vinho branco e água, no caso do peru, cerveja preta, no caso do porco) – O Monstro usou uma panela de pressão por 45 minutos, enquanto o Minimalista deixou o porco em panela de ferro por mais de uma hora.

Depois desses dois passos, vem o toque final: o forno. “Cada um desses passos adiciona uma nova camada de sabor que seria impossível conseguir de outra forma”, diz Bittman. O Monstro deixou por último o tempero, uma mistura de azeite, alho, pimenta do reino, páprica doce e sal, espalhados sobre as coxas na hora de irem ao forno. Aqui elas ficam por pouco mais de meia hora, e terminam crocantes e temperadas por fora, e extremamente macias e com muito sabor por dentro, quase como se assados à brasa por longas horas.

Por se tratar de um almoço corrido, durante a semana, o Monstro fugiu de outro complemento do Minimalista. Enquanto ele usou o caldo da cerveja e temperos reduzido,´virando molho, o Monstro usou o caldo em que o peru foi cozido para fazer um arroz simples, junto com um tomate. O arroz absorveu muito bem o gosto deixado pelo peru, com carne, pele e ossos, formando um excelente complemento.

É truta

Há pelo menos duas formas básicas de se preparar o molho Holandaise, citado pela primeira vez na literatura em 1651, por François Pierre La Varene (ainda sem este nome, segundo o História dos Molhos). Uma delas é bater insistentemente manteiga clarificada com gemas de ovo, água e temperos, até chegar a uma emulsão perfeita (com cuidado para não esquentar demais); a outra é misturar um pequeno pacote da Maggi de pó para Hollandaise, comprado na França – A tecnologia chega à alta gastronomia e a leva pré-pronta ao supermercado.

Claro que o sabor jamais será o mesmo, mas na cozinha do dia-a-dia, ninguém que trabalhe e tenha uma rotina agitada pode ter tudo como gostaria, precisa apelar aos semi-prontos, temperos secos e truques como panela de pressão, por mais que isso possa deixar o chef/escritor/celebridade Anthony Bourdain horrorizado.

Pois para um almoço em dia de semana, o molho maggi, temperado com limão, foi mais que suficiente.

O Monstro havia escolhido belos filés de truta no supermercado (R$ 6 por 4 deles). Grelhou os filés temperados com sal, pimenta, ervas de provence e vinho branco (não tinha limão em casa), depois os colocou no prato os filés acompanhados por uma salada, e os cobriu com o molho preparado paralelamente.

Base para muitos dos molhos mais tradicionais, o Hollandaise tem sabor delicado e simples, mas muito agradável acompanhando peixes, e a truta tinha guardado um pouco do gosto da grelha, completando a refeição.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Meatloaf

A versatilidade e o baixo preço da carne moída são muito apreciados pelo Monstro. Com pouco dinheiro, dá para se divertir bastante na cozinha com molhos, grelhados, hambúrgueres, e bolos de carne.

O Monstro pegou 300 gramas de carne de segunda moída, temperou com cebola frita na manteiga, sal, pimenta do reino e mostarda dijon, usou um ovo e um pouco de farinha de rosca para formar a massa de carne. Depois recheou isso com uma salsicha alemã de carne de vitela, que havia sobrado de um petisco preparado dias antes. Deu formato ao bolo cru, cobriu com três fatias bem finas de bacon e pôs no forno em temperatura média.

Passados 20 minutos, cobriu o bolo, que já assava, com um bom molho barbecue, que assou por mais 15 a 20 minutos em fogo baixo. A carne já era saborosa pior si, mas o bacon, a salsicha e o molho, juntos, formavam um prato completo.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Cozinha nerd

Já que ele abriu precedente, é a vez do Monstro invadir a seara nerd de Leopoldo Godoy. O problema é que o mundo “geek” de fato invadiu a cozinha para dar uma força aos menos acostumados com panelas e temperos.

O portátil Nintendo DS ganhou um jogo que ensina as pessoas a cozinhar: Leçons de Cuisine. É como um livro de receitas digital e interativo, que guia passo a passo e em detalhes várias receitas diferentes. Ele “fala”, “ouve”, “interage” e explica como agir para cozinhar.

Veja o vídeo da apresentação dele em francês

Ele aparentemente já existia no Japão há algum tempo, como é possível ver no vídeo abaixo, mas acaba de ser lançado na França, onde é esperado que se adapte à paixão daquele povo pela comida e sirva como desculpa para os moleques pedirem que seus pais comprem o vídeo-game.

Coisa linda de Deus

“E Deus criou o animal e disse: ‘Vai se chamar marreco, e ser o animal mais saboroso do mundo.’”

Esta é a versão de um primo do Monstro para o surgimento deste pato, muito explorado na culinária alemã (e também em Santa Catarina, sul do Brasil, onde há forte influência alemã).

O Monstro comprou o recheado e temperado da marca Germânia, vendido no Pão de Açúcar por R$ 40, um bicho com quase três quilos. Descongelado, ele vai ao forno por cerca de três horas.

Podia ser simples assim, mas o Monstro incrementou. Em vez de adicionar apenas água, como sugerido na embalagem, o marreco foi banhado em suco de laranja e vinho branco, e foi ao forno acompanhado por cebolas e cenouras picadas.
Este acréscimo resultou num molho sensacional para acompanhar a carne macia e de gosto intenso do pato e o recheio, aparentemente preparado com as vísceras do animal. Os legumes ficaram macios e gostosos e ainda combinaram bem com a laranja e o vinho para acompanhar muito bem a carne e seu acompanhamento.



Imitando o prato comido na viagem a Blumenau, o Monstro preparou spätzle para acompanhar o marreco recheado. Esta massa de origem alemã, que lembra um nhoque sem batatas, pode ser feita de diversas formas. O Monstro seguiu uma vista num blog, que indicava o uso de ovo, farinha de trigo e leite. Os três são misturados e temperados com sal, pimenta, noz moscada e manjericão, então jogados na água fervente em pequenas porções feitas com uma colher. Quando sobem na água, estão prontos, saborosos e macios.

Aqui, ali, em qualquer lugar caro

Era sábado quando o Monstro acabou de escrever todos os posts sobre a viagem. Aí bateu uma saudade de Paris. Como fazia tempo que o Monstro não ia a um bom restaurante em São Paulo, resolveu procurar um bom francês para matar as duas saudades ao mesmo tempo.

O projeto original era ir ao Coq, na rua tupi, ao lado do Café de La Paix, de que o Monstro gosta, mas ele estava fechado no dia (de vez, provavelmente). Foi então que decidiu ir ao Ici Bistrô, que fica ao lado no mercearia do Francês, na rua Pará.

Ambiente arrumado, bom serviço e excelente comida, mas a preços um pouco altos (especialmente os vinhos).

O prato escolhido foi um Magret de Canard com molho albufera e figo assado, acompanhado por purê de batatas (R$ 50). O peito de pato estava macio e gostoso e o molho, com foie gras, manteiga e creme de leite, tinha um gosto suave, mas que casava muito bem com o doce do figo.

Como nenhuma garrafa de vinho na casa custava menos de R$ 70, Acabou sendo a refeição mais cara já paga pelo Monstro em São Paulo.

Aulas de cozinha

Logo que voltou de viagem, o Monstro recebeu visita dos pais, e a cozinha se tornou área de aulas de gastronomia com a Monstra Maior, que ensinou tudo o que o Monstro sabe fazer. Ela mostrou que não é preciso nem viajar para novas experiências gastronômicas.

Logo no segundo dia depois da chegada dela, os dois foram à feira do Pacaembu, onde compraram um grande fila de atum fresco, frutas, legumes, folhas e temperos.

Na noite daquele dia, improvisando na cozinha pouco equipada do Monstro, ela fez um jantar espetacular parecer uma das coisas mais simples do mundo: A peça inteira do atum, temperada com ervas, sal, pimenta e azeite, foi colocada na chapa quente por alguns instantes de cada lado, fazendo aquele prato com o peixe assado por fora e cru, fresco e saboroso por dentro.

No dia seguinte tinha mais.

Ela havia trazido um pacote com carne de jacaré, direto de Cuiabá, e preparou metade dele à moda cajun, com páprica, canela e um milhão de outros temperos, por horas na panela de ferro, acompanhado com uma massa.

terça-feira, 20 de maio de 2008

O clone

Depois de um mês viajando, de férias, e um mês apenas escrevendo sobre as fantásticas experiências dessa Odisséia Gastronômica na Holanda, na Bélgica e na França, o Monstro finalmente retoma o blog com temas gerais ligados a comidas. Para reabrir o Diário, uma entrevista que foi publicada no G1 no mês de abril, deixada pronta antes das férias.

Todd Wilbur, cozinheiro, escritor e criador do site 'Top secret recipes', conversou por telefone e contou sobre sua longa experiência como "clonador" de pratos famosos. Depois o Monstro precisa testar algumas dessas receitas e postar aqui no Diário.

12/04/2008 - 10h00
Americano desvenda receitas dos pratos comerciais mais famosos do mundo
Chef diz ter 'clonado' produtos como o sanduíche Big Mac e até a Coca-Cola.
Em livros e site ele oferece receitas e ensina a fazê-las passo a passo.

Daniel Buarque
Do G1, em São Paulo

Dois hambúrgueres, alface, queijo, molho especial, cebola e picles num pão com gergelim. Se essa descrição não é suficiente para reproduzir o sanduíche mais famoso do planeta em casa, Todd Wilbur pode resolver o problema com uma receita bem detalhada, passo a passo, de um clone deste e de outros pratos de restaurantes conhecidos em todo o mundo em qualquer cozinha doméstica.

Autor de uma série de livros de receitas de marcas famosas, o cozinheiro americano se dedica há 15 anos a recriar esses pratos populares da cozinha profissional de forma acessível, buscando sabores exatamente iguais (que diz alcançar). Seu processo de trabalho inclui pesquisas e muitas tentativas até chegar ao ponto em que o sabor semelhante, mas ele diz que nunca teve acesso às receitas verdadeiras.

Em entrevista ao G1, por telefone, Wilbur contou que nunca teve problemas com as grandes marcas que ensina a copiar. Ele disse que chega a demorar meses para descobrir algum segredo, como a Coca-Cola, e que seu maior desafio é conseguir reproduzir em casa chocolates que são feitos por máquinas, sem nenhum contato com a mão do chef.

As receitas descobertas podem ser vistas on-line no site Top Secret Recipes (http://www.topsecretrecipes.com/ - em inglês). Wilbur promete que, se seguidas de forma exata, terão o resultado buscado. O site cobra por acesso às mais recentes, mas muitas delas podem ser consultadas gratuitamente.

G1 - O sr. chama suas receitas de clones das originais. Elas repetem o mesmo processo dos restaurantes e indústrias?
Todd Wilbur - Crio minha própria forma de chegar a algo que tenha o mesmo sabor. Há inúmeras formas de se chegar a um determinado gosto, e eu sigo um caminho alternativo. Nunca tenho acesso às receitas originais, respeito os segredos reais e crio uma receita própria, mas que chega ao mesmo resultado. O que faço é criar algo original, e para isso busco informações em conversas informais com garçons dos restaurantes, tentando saber o que é o prato, como eles fazem, e daí crio minha própria receita. Não faço a menor idéia se a minha receita segue o mesmo processo da original, mas garanto que os pratos têm exatamente o mesmo visual e o mesmo gosto do prato que copio.

G1 - O sr. leva em consideração alguma limitação em relação ao tipo de estrutura que os restaurantes têm disponível?
Wilbur - Sim. Tenho que criar minhas receitas sem usar equipamentos especiais de uma cozinha profissional. É muito importante usar ingredientes comuns, que as pessoas possam encontrar em qualquer mercado e instrumentos simples e possíveis de se ter em casa. Tento contornar as limitações, usando apenas o que existe em uma cozinha doméstica comum.

G1 - Como e por que o sr. começou a clonar recitas?
Wilbur - Há 15 eu tentei seguir uma receita que se vendia como a original de biscoitos Mrs Field, que são muito populares aqui nos EUA, mas o biscoito ficou terrível. Foi aí que eu pensei que poderia fazer melhor que aquilo. Era só um biscoito, quão difícil poderia ser? Depois de umas duas dúzias de tentativas, fiz um biscoito que se confundia com o original, em teste cego feito com amigos. Esta foi minha primeira receita clonada, e daí comecei a procurar outras receitas famosas para copiar, e fui atrás do sanduíche mais popular do mundo, o Big Mac. Também não demorou muito e eu consegui copiar, e essas duas receitas abriram caminho para o primeiro livro e depois para 15 anos de cópias de receitas famosas.

G1 - O sr. faz alterações para “melhorar” receitas originais?
Wilbur - Em alguns casos as pessoas podem dizer isso, mas este não é meu objetivo. Fazer em casa pode chegar a um resultado mais fresco, que pode ter um gosto melhor, além de cada pessoa poder adaptar um pouco a receita a seu gosto, mas eu quero ter um resultado exatamente igual.


G1 - Existe alguma receita impossível de ser copiada? Nesses 15 anos, o sr. já fracassou em alguma tentativa de clonar receitas?
Wilbur - Ah, sim, já fracassei muitas vezes. O maior desafio é recriar em casa barras de chocolate industrializadas. Elas são feitas por máquinas e muitas vezes não são tocadas por pessoas em nenhum momento do processo, o que torna quase impossível a clonagem. Às vezes consigo até coisas parecidas, mas muitos chocolates em barra são dificílimos. Há outros casos de receitas que passei muito tempo tentando e não consegui reproduzir, mas que depois de desistir, acabo voltando a ela algum tempo depois e conseguindo clonar. Acredito que isso possa acontecer com essas que não consegui até hoje.

G1 - Cite uma dessas receitas a que o sr. voltou depois de desistir.
Wilbur - A Coca-Cola foi muito difícil. Levei meses para conseguir clonar a Coca-Cola. Tive sorte de ter acesso a uma das primeiras fórmulas do refrigerante, o que me deu idéias de como usar elementos disponíveis no mercado para poder criar minha própria versão. Eu criei um xarope com baunilha, óleo cítrico e canela, que junto com cafeína e água tônica ficam com um gosto exatamente igual ao de Coca-Cola. Este foi o meu maior desafio até hoje, e consegui alcançá-lo.

G1 - O sr. já teve problemas legais com as marcas originais, por clonar receitas?
Wilbur - Não, ninguém nunca reclamou do que faço. Não sou o primeiro a fazer isso, os próprios restaurantes copiam uns aos outros. Sou o único que escreve livros sobre isso, mas acabo não representando uma ameaça a eles, até porque crio receitas alternativas para chegar ao mesmo resultado, então eles não podem reclamar.

G1 - Qual o seu processo para descobrir as receitas?
Wilbur - Faço tudo sozinho, repetindo cada receita várias vezes com pequenas alterações, para comparar a diferença. Já tentei ter ajudantes, mas funciona melhor quando faço sem ninguém, o que pode alterar o processo, que é muito detalhado.

G1 - Como o sr. escolhe as receitas?
Wilbur - Atualmente sigo pedidos pelo site. Recebo dezenas de pedidos e vou atrás das mais populares, as mais requisitadas pelos internautas.

Odisséia Gastronômica 37 – A despedida

O vôo KL 2000 da KLM de Paris para São Paulo partiria no dia 23 de abril às 6h40 da manhã. O Monstro voltou cedo na noite anterior para o hotel, para poder organizar tudo o que traria de volta para casa.

A despedida foi feita no próprio quarto do hotel. Primeiro com um vinho, simples, mas daqueles que só se encontram na França. O Monstro decidiu experimentar um Vin de Pays de rótulo da Nicolas. Como já contou aqui no blog, esta rede de lojas engarrafa e rotula vinhos de propriedades minúsculas espalhadas pelo país.

O Monstro escolheu um Petite Recolte do Principaute d’Orange, mna região próxima a onde é feito o Chateauneuf du Pape. A garrafa custou menos de 2 euros e, mesmo sendo um Vin de Pays, categoria abaixo dos AOC, não fazia feio. Pelo contrário, era mais saboroso e interessante de que muitas garrafas AOC mais simples de Bordeaux ou de Cotes du Rhône.

Além dele, uma baguete e queijos fecharam o pacote de viagem, serviram de jantar e fazem o Monstro sonhar com a próxima ida à França.

Odisséia Gastronômica 36 - O último almoço

O badalado restaurante Comptoir estava lotado mesmo após as 15h, e seu cardápio do dia, com carneiro ou filé de peixe grelhado, parecia por demais simples para uma grande despedida de Paris. Logo ao lado, um lugar mais simples parecia mais atraente para a proposta.

Assim o Monstro foi ao menos badalado Polidor, na rua Monsieur Le Prince, que liga os bulevares Saint Michel e Saint Germain, local que alega ter sido freqüentado pelos poetas Verlaine e Rimbaud.

Era a hora de partir para os clássicos, e logo de entrada o casal pediu uma grande porção de escargots gordos da Bretanha, com uma dúzia de peças. Foram as maiores lesmas comidas durante a viagem, com um tempero excelente da manteiga com ervas e alho, além do pão que sempre acompanha comidas francesas.



Antes mesmo que eles tivessem terminado já era servido o prato principal, um Boeuf Bourguignon com purê. Uma carne cozida por horas no vinho, até ficar com uma consistência beirando o cremoso, um sabor acentuado e um caldo encorpado e intenso. Perfeito para deixar com saudade de Paris.



O pacote da Borgonha, no sudeste da França, foi fechado com o vinho, um Ruilly, denominação que o Monstro não conhecia e que foi provavelmente o melhor tinto de toda a viagem (disputando de perto com o Chateauneuf du Pape).

Odisséia Gastronômica 35 - Duas imagens de Paris

Precisa dizer alguma coisa??????

Odisséia Gastronômica 34 - Fondue francês

Ok, o fondue é suíço, mas na animada região da rue Moufetard, no 5º bairro de Paris, junto ao Quartier Latin, há vários restaurantes atraindo turistas com essa proposta. O Monstro nem queria ser tão turista assim, mas os preços estavam bons, estava fácil, a temperatura estava boa, por que não comer um fondue?

Era um fundido de queijos, servido com pães, uma salada, alguns embutidos e uma batata. A combinação de queijos na terra dos queijos é sem dúvida mais saborosa de que a que se come até em bons restaurantes no Brasil, bem diferente.

O fondue para duas pessoas, mais um vinho em jarra custou 38 euros, e foi comida demais, tanto que no outro dia o Monstro não conseguiu nem almoçar de tanta “ressaca estomacal” depois de 20 dias comendo e bebendo sem parar.

Odisséia Gastronômica 33 - Marbré

O imponente restaurante fica em frente ao prédio da bolsa, em Paris. A escolha da Brasserie Vaudeville se deu como tantas outras do Monstro, gostando da apresentação do local, com balcão de frutos do mar exposto aos clientes, e do cardápio, com menus atraentes na descrição e no preço.

Foi a chance de o Monstro experimentar as ostras da Bretanha, tão exibidas e valorizadas por toda a França. Sua entrada foi uma porção com meia dúzia de ostras número 4 (eles numeram em relação ao tamanho). A apresentação era excelente, com um balde de gelo, limão e loção para limpar as mãos. As ostras estavam frescas e saborosas, mas nada fora da realidade que se pode encontrar em Santa Catarina.



Enquanto o Monstro brincava com as ostras, a Esposa comia uma marbré de canard au foie gras com chutney de figo. Era como uma terrine, misturando várias carnes de pato e recheada com um bom pedaço do fígado gordo. Era uma delícia, diferente, impressionante e muito saboroso.


O prato de principal do Monstro foi um dos de salmão, como uma posta desossada e recheada com mostarda em grãos e grelhada dos dois lados, muito saborosa e um preparo diferente para o peixe.



A esposa comeu um filé de dourado na chapa com tomilho fresco e abobrinha, simples, mas muito bom.



A refeição custou 75 euros, sendo 24 cada menu de entrada e prato principal. Só a entrada de pato valeria por todo o almoço.

sábado, 17 de maio de 2008

Odisséia Gastronômica 32 - Queijo frito

O último almoço em Bordeaux incluiu o genial Camembert empanado, que o monstro já havia preparado em casa e mostrado aqui, no blog.

O original francês estav mais derretido, um queijo melhor que o comprado no Brasil, e com uma casca mais fina e seca, coberto com queijo branco cremoso e um pouco de salada... uma delicia.

Odisséia Gastronômica 31 - Completão

Já era noite e os dois não haviam almoçado, mas passado o dia passeando pelos vinhedos da região de Margaux, no norte de Bordeaux. Com muita fome, escolheram calmamente e encararam o primeiro menu degustação completo da viagem. Comida em enormes quantidade e qualidade no Cheminé Royale, na rua Saint Remy, onde há dezenas de restaurantes.

E começou a longa brincadeira - as fotos vão deixar mais claro de que a explicação o quanto foi fantástico:

Foie Gras com geléia e torradas, acompanhado por um vinho doce, licoroso, para abrir o jantar. Sabor intenso e diferente do fígado de pato engordado, especialidade da Aquitane, região de Bordeaux na França.


Salmão ao molho de limão para o Monstro...


Camarões ao molho de curry para a Esposa.


Magret de Canard (peito de pato) grelhado ao molho de pimenta do reino para a esposa...

Costeletas de carneiro ao molho de ervas para o Monstro.


Queijos

E um crême brulée, pudim de baunilha frio com açúcar queimado cobrindo, delicioso.



E ainda teve um vinho bordolês para acompanhar tudo. A festa nem custou um absurdo, ficando por 72 euros toda a conta.

Odisséia Gastronômica 30 - Bordeaux senegalês

Em Bordeaux, no primeiro jantar, os hospedeiros convidaram o Monstro e a Esposa a um de seus restaurantes preferidos, especializado em comida do Senegal. Mais um representante dos imigrantes africanos no país.

O Monstro experimentou o Yassa (ao lado), frango grelhado com molho de limão ceolas e azeitonas. Sabor muito bom e acentuado, acompanhado por arroz branco e banana verde frita.

A banana verde frita é muito gostosa e merece uma menção especial, já que o Monstro descreveu errado quando comeu dela em sua viagem à Venezuela. Na ocasião, ele se perdeu no idioma, não entendeu que se tratava de plátano e pensou ser um tipo de batata doce, mas já tinha gostado desde então.

O prato da Esposa era ainda melhor, um Maffe, frango grelhado com molho de amendoim. Este tinha um sabor picante e forte, muito bom.

O restaurante tinha ainda um excelente aperitivo de rum com frutas. Na foto, lichia e kiwi.

Odisséia Gastronômica 29 - Conversa fiada

Mesmo antes de viajar, Le Baratin era o restaurante mais badalado em várias referências que o Monstro pesquisou. Grande surpresa, melhor da cidade, barato, honesto, novidade, diferente, prometiam Saul Galvão (do Estadão), o Guardian, o Michellin e outros guias. Em Paris, a hospedeira Marie-Jeanne disse ser seu restaurante preferido, e mostrou várias outras referências positivas – assim o Monstro reservou sua mesa para a noite (com disponibilidade apenas depois das 22h30 – todo o resto já tomado).

E criar expectativa nunca é uma coisa muito boa. A comida estava excelente, mas não surpreendeu nem se destacou demais de todas as outras grandes refeições na capital da gastronomia.

O Baratin é bem pequeno e fica numa região nada turística, em Belleville. O atendimento é feito pelo dono, enquanto sua mulher coordena a cozinha. O cardápio é um quadro pendurado na parede, escrito em giz, e mudado de acordo com o que há no mercado a cada semana. Os preços são bons, mas nada muito barato (a palavra francesa é algo como “conversa mole”, “conversa fiada”).

O Monstro começou arriscando alto, numa fressure d’agneau, um prato de vísceraas de carneiro grelhadas, com salada e vinagre balsâmico. Rim, miolo, testículo, fígado, tinha de tudo e sabores fortes, mas sempre agradáveis.

A entrada da esposa foi um caldo de peixe, simples, mas leve e saboroso.

O prato principal foi um ombro de carneiro assado, com couve e batatas (14 euros). Carne macia e saborosa, muito bem temperada, mas nada que deixasse o Monstro impressionado ou que superasse os outros restaurantes de Paris.

O da esposa foi um filé de barbue (rodovalho) grelhado com um purê de batatas no azeite (20 euros). Simples e muito bom.


Eles tomaram um vinho Cotes do Rhône em pichet, jarra.

Um bom jantar, mas esse negócio de falar que o Baratin é fora do normal é conversa fiada.