Experiências com as quatro melhores coisas da vida: Comer e Viajar

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Odisséia Gastronômica 7 - Sanduíche de sushi

Não é comum ver atualmente em Amsterdã uma pessoa pegar o filé de arenque marinado inteiro, levantar acima da cabeça e dar grandes mordidas no peixe cru, como mandava a tradição da harring. As pessoas da capital dizem que só os “matutos” de Roterdã fazem isso hoje em dia.

Em vez disso, as dezenas de barracas de harring espalhadas pela cidade dão preferência ao sanduíche de peixe cru, que vem num pão parecido com o que se conhece no Brasil como pão de cachorro quente, com cebola picada e fatias de picles.

Depois de pesquisar na web os costumes alimentares dos holandeses, o arenque cru aparecia repetidas vezes como uma das principais guloseimas típicas do país. O Monstro ficou feliz de ver várias barracas de frutos do mar, com camarões, peixes, enguias e o filé cru de arenque. Mesmo para quem conhece e gosta de sushi, a iguaria soava um tanto estranha e inusitada.

O harring brood, como chamam o sanduíche, é vendido por 3 euros. Ele não lembra em nada o sushi, que pode ser a primeira imagem de peixe cru. O filé é mais grosso de que os cortes da culinária japonesa, mas a carne é macia. Por ser marinado, o sabor também é mais acentuado, puxando um pouco especialmente pelo sal. Havia também algumas pequenas espinhas, mas que lembravam mais as inofensivas encontradas em sardinhas.

De fato diferente, o harring é interessante e valeria como um costume saudável, em oposição a tantas frituras que dominam a comida rápida da Holanda.

Odisséia Gastronômica 6 - as vitrines de Amsterdã

Salgadinhos de vitrine são uma instituição holandesa. Qualquer esquina do centro de Amsterdã tem essas maquininhas automatizadas que vendem croquetes dos mais variados, a maioria da marca Febo, que diz ter mais de 60 lojas no país, 22 na capital.

Por pouco mais que um euro depositado na máquina, pode se abrir a janela escolhida e retirar o salgado, chamado kroket no idioma local.

O Monstro experimentou o que foi apontado como carro-chefe, preparado com pedaços de carne e um molho de curry (por mais que sua hospedeira na cidade tenha reclamado que curry na verdade é a palavra holandesa para molho, e não especificamente o que conhecemos como tal).

A capa que cobre o croquete é mais grossa de que a dos salgadinhos vendidos nas padarias de São Paulo ou do Recife. O molho é espesso e concentrado, com sabor forte de curry picante, mas são poucos e sem graça os pedaços de carne. É uma boa brincadeira, mas se alguém quiser fazer disso a base da alimentação, pode ter problemas no futuro.

Odisséia Gastronômica 5 - Doces sonhos

A indústria descobriu a enorme atração do mundo pela liberdade holandesa. Além dos coffee shops onde há o cardápio de ervas que podem fazer uma pessoa ser presa em qualquer outro lugar do mundo, qualquer loja de suvenires tem uma enorme variedade de produtos como chocolates, pirulitos, barras de cereal, biscoitos e outros supostamente produzidos com maconha ou cogumelos alucinógenos.

Logo na primeira noite na cidade o Monstro experimentou este chá, vendido em saquinhos de sachet como qualquer outra infusão industrializada. Não é exatamente saboroso para ser tomado como um bom chá, e depois de mais de 45 minutos, nada de efeito...

O Monstro acabou indo dormir, mas em vez de ter os “sonhos mágicos” anunciados pela embalagem, teve alguns momentos de sono agitado e desconfortável. Só não dá para saber se foi efeito do chá ou do jet lag.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Odisséia Gastronômica 4 - os novos comedores de batata

Se ainda há comedores de batata em Amsterdã, eles hoje têm uma cara muito menos camponesa de que os pintados por Van Gogh (da imagem acima), e um perfil mais moderno, de fast food. Frito em grossas fatias, por influência belga, o tubérculo é encontrado como principal alternativa de comida rápida e barata em balcões por toda a cidade.

As vlaamse frites são servidas em cones e custam entre 1,80 euro e 2,80, e podem vir acompanhados por um molho à escolha, por mais 0,50, em enorme quantidade.

O mais tradicional é comê-la com a maionese local, que é mais cremosa e suave de que o molho pouco respeitável que os brasileiros estão acostumados a comer. A batata é cortada em fatias realmente grossas,e não fica excessivamente crocante, mas bastante saborosa mesmo assim, e bastante atraentes.


Odisséia Gastronômica 3 - frituras holandesas

Os holandeses não são simples comedores de batatas como retratado na obra de Vincent Van Gogh. É verdade que a gastronomia tradicional do país não é nada de excepcional, sempre presa a muitas frituras e elementos da comida da Alemanha e na Bélgica, mas é possível ter excelentes refeições no país, como o monstro vai mostrar nos próximos posts. Sem exagero, foi em Amsterdã que ele comeu uma das melhores refeições de toda a viagem que incluiu a Bélgica e a França.

A comida cotidiana do país, mesmo para turistas, entretanto, não chega a poder ser considerada gourmet.

Em um primeiro lanche em um dos pubs da cidade, um pequeno prato de “snacks” já davam uma demonstração disso. O bar se chama L’Opera, na badalada praça Rembrandt, onde dezenas de turistas param, mas também muito freqüentada por locais, segundo Helga Kommers, a antropóloga holandesa que hospedou o Monstro na cidade.

O “lanche quente”, na tradução, é uma “degustação” de petiscos típicos: croquete de carne com curry (onipresente na cidade e que vai voltar a aparecer aqui), palitos de frango empanados, palitos de queijo crocante e rolinhos vietnamitas, os típicos rolinhos primavera, que são vistos localmente como um dos pratos que simbolizam a alimentação do país.

Tudo muito crocante. Os palitos de queijo (cheese fingers) eram recheados com o amarelo e saboroso queijo típico holandês. Os rolinhos primavera, recheados com legumes, estavam sequinhos. Acompanhavam molhos de mostarda e agridoce e cerveja Amstel, tirada na pressão, muito encorpada e saborosa.

Odisséia Gastronômica 2 - eles até tentam

O esforço de algumas companhias aéreas para quebrar o estigma de má comida a bordo, testemunhado pelo Monstro na ida a Brasília, foi percebido muito claramente desde a saída de São Paulo rumo à Odisséia Gastronômica.

No vôo de 11 horas até Amsterdã, operado pela holandesa KLM, o cardápio tem planejamento da chef de cozinha Mara Salles, do restaurante Tordesilhas, que sempre aparece em listas de melhores da cidade na imprensa de São Paulo.

Pensar em boa comida, quente para quase 500 pessoas a 10 mil metros de altitude não deve ser simples, e Salles foi ousada com sugestões que surpreendem, mas óbvio que há uma enorme limitação técnica.

O Monstro experimentou o prato de carne na ida e de peixe na volta. O primeiro eram cubinhos de carne até macia com molho de pimentão, cuscuz de sêmola e um purê de macaxeira. O peixe foi servido cozido e acompanhado por arroz e pirão. Houve ainda um café da manhã na ida, envolvendo pães de queijo, e vários lanches menores na volta. Tudo com opção de bebidas sem álcool, cervejas e vinhos simples em pequenas garrafas (beber durante longos vôos não é muito recomendado, entretanto).

Pelas limitações, os pratos eram pequenos e tinham pouco sabor, mas foram servidos quentes e com apresentação bem cuidada, o que faz valer a tentativa da KLM. Talvez se a chef tivesse sido menos ousada fosse mais fácil acertar em pratos que agradassem mais de que surpreendessem.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Odisséia gastronômica 1 - o retorno

Ufa!

O Monstro volta depois de mais de 20 dias ausente da cozinha para contar que sobreviveu à imensa maratona gastronômica percorrida em sua passagem pela Europa durante as férias.

Foram pelo menos 12 refeições de fato memoráveis, daquelas em que é difícil até andar depois de comer, mas que fazem valer a pena estar vivo e até mesmo trabalhar por um ano para conseguir a folga.

No balanço, além de muitos quilos adquiridos, foram oito cidades, mais de 20 restaurantes, 23 garrafas de vinho, algumas poucas cervejas, vários pratos novos experimentados, duas comidas à margem da legislação internacional, e centenas de euros muito bem gastos.

Sanduíche de peixe cru, lesmas, croissants, queijos fedorentos, cogumelos alucinógenos, croquetes, ostras, fígado gordo... Tudo vai aparecer em sua ordem cronológica aqui no blog a partir de agora.

Além do roteiro que envolveu as refeições durante a viagem, o Monstro volta com a bagagem da volta acima, com temperos e comidas prontas e semi-prontas, totalmente diferentes das encontradas no Brasil, para serem experimentadas e descritas aqui pelo Monstro.