Experiências com as quatro melhores coisas da vida: Comer e Viajar

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Political bites


O blog está em trânsito. Viajo nesta noite para Caracas, capital da Venezuela, onde vou cobrir a votação do referendo constitucional proposto por Hugo Chávez.

Durante uma semana, o Monstro trará tudo o que puder ser comido na casa dos vizinhos, incluindo arepas como a da foto acima. Esta vai ser a primeira viagem em que será explorado o formato "No reservations", programa do chef americano Anthony Bourdain, e "Sound Bites", blog e livro do líder do grupo Franz Ferdinand, Alex Kapranos, que narrou suas aventuras gastronômicas em turnê pelo mundo.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

O sabor do feio



Alimentos orgânicos são feios, mas são bons.

Depois da decepção da visita à feira de produtos naturalmente cultivados no parque da Água Branca, onde tudo era feio e pouco atraente, um almoço serviu para experimentar o que havia sido comprado mesmo assim, e para revalorizar um pouco mais a vida pura.

A receita seguida foi bem tradicional: cubos de maminha temperados com sal e pimenta, selados no azeite, retirados do fogo ao qual se junta cebola e tomates picados, acrescidos algum tempo depois do molho de tomate e manjericão (orgânicos, R$ 5) comprado na feira. Fervura e então voltam os cubos de carne, o molho está pronto.

A massa que acompanha não é orgânica, mas pelo menos é fresca. Um fusili, comprado na rotisserie na esquina de casa. Caro, um quilo custa R$ 15, mas a massa é excelente, saborosa, num bom ponto de corte, e já vem pronta, precisando apenas esquentar no molho.

Disposta numa travessa, a massa é coberta com o molho e com pequenas fatias de mussarela, só para fazer a graça. O almoço serve a quatro pessoas famintas.

O molho orgânico tinha mais sabor, de fato, mais adocicado, forte, parecendo natural de verdade.


A combinação final parecia com um prato comido no Famiglia Macini, o fusili ao molho Mamma de Lucca, mas o caso deles era de carne co molho de tomate, creme de leite e queijo gorgonzola, que ficaram de fora do feito em casa (o deles custa algo como três vezes mais caro).

Ah, e depois de muito bem preparados, os feios legumes orgânicos se tornaram um belo prato.

Os protocolos da gastronomia

Não sabia, mas parece que agora há regras na alimentação. A novidade chega por e-mail. Um release de pauta recebido pela esposa diz que um “chef e sushiman (...) comenta os principais erros do brasileiro na hora de comer sushis e sashimis”.

Erro? Sim, o tal do Daniel Hirata, que trabalha no MoriSushi, diz que há regras e erros no “protocolo” da gastronomia japonesa, e que “comer segundo a tradição é muito complicado”. (!?) Assim também não deve ser bom.

O principal equívoco, segundo ele, é a “quantidade de shoyu e wasabi que o brasileiro usa em sushis e sashimis”. Tudo bem que em sushis de rodízio é comum todos terem apenas o gosto de shoyu, mas, até onde eu sei, ninguém erra ao comer o que quiser do jeito que quiser.

O mais curioso é que a tradição culinária japonesa, pelo que dizem pesquisadores, não tem nada a ver com o que pregam esses chefs “puristas”. Em meu segundo post nesse blog, fiz uma provocação trazendo uma entrevista com Sasha Issenberg, norte-americano que traçou a trajetória da expansão do sushi do mundo.

Sua conclusão foi contra o que diz o senso comum e os "chefs cabeças duras". O sushi surgiu como comida de rua, sem afetação ou etiqueta, ganhou o formato atual a partir de trocas internacionais, e precisa mudar, se transformar, pois esta é a tradição, esta é a verdadeira “regra”, a subversão.

Num dos trechos da entrevista do “chef” à assessora que fez o release ele usa, sem cerimônia, a expressão “é errado” para uma combinação. Ou seja, se uma pessoa gosta de peixe cru com molho tarê, não pode comê-la, pois o paladar não diz nada, só a regra.

Assim que puder, irei, sim, ao MoriSushi. Aí peço um sushi e um copo, para poder mergulhar o sushi no molho de soja e depois beber a mistura. Pode até não ficar bom, mas, regra por regra, eu prefiro a regra da subversão.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Natureba

Alimentos orgânicos são feios. Chego à conclusão enquanto caminho pelas pequenas vendas montadas na feira do parque da Água Branca, zona oeste da cidade e a cerca de 1 km de casa. Pensamos num dia de vida saudável e caminhamos até o local, onde os tomates são pequenos e sujos, as cebolas não se destacam, as cenouras parecem deformadas, esses alimentos é que parecem ter algo de errado.

Procuro produtos processados e tenho que me contentar com um molho de tomate orgânico com manjericão feito em Minas Gerais e me obrigo a rejeitar um queijos Reblochon produzido na Paraíba!!! Os naturebas podem até fazer a festa, mas os locavores (palavra do ano em Oxford, volto a eles em breve), não têm espaço aqui.

Saímos e seguimos então para a feira do Pacaembu (cerca de 2,5 km de caminhada agradável no sol da manhã de sábado). Aqui, sim, produtos com a devida quantidade de agentes químicos brilham em prateleiras atraentes de verdade. Tá certo que o sabor não é o mesmo, mas precisamos de um meio termo entre visão e paladar, e uma feira comum fica entre o supermercado e o orgânico.

Compramos o almoço: uma anchova de 1,3 quilos. Cara, R$ 14, mas fresca, bela e tratada. Em casa, ela ganha um recheio de ervas misturadas: manjericão, tomilho, alecrim, salsa, cebolinha, louro, tudo muito fresco, além de limão e sal. Vai à chapa com azeite até ficar no ponto perfeito. O peixe não se quebrou, o recheio não saiu e passou o gosto forte e verde para toda a carne.

O acompanhamento são batatas ao forno com um sal especial à Jamie Oliver. Num pilão, amasso alecrim, pimenta do reino, sal e tomilho frescos, junto com cascas de limão. A mistura, passada numa peneira, fica verde e cheirosa. Nem precisava acompanhamento, na verdade, o peixe, grande, já seria refeição suficiente e saudável para o sábado de encontro a alimentos naturais.

Verdade que a primeira experiência com orgânicos pode ter sido ruim por ter chegado tarde (11h) na feira, ou por não ser a melhor época, ou por uma série de outros fatores. Na próxima vez, confesso que vou preferir a feira de produtos artificialmente plantados e amadurecidos, bonitos, e ainda com algum sabor...

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Na paz


“Vocês não gostariam de conhecer a nossa adega?”

Foi com este convite que fomos recebidos na noite de quinta no ótimo bistrô Café de la Paix, que fica no fim da nossa rua (a Tupi, próximo ao Pacaembu). Já conhecíamos e gostávamos do local, que tem pratos simples, muito bons e a preços bastante convidativos.

Descobrir que eles tinham uma nova adega já foi bom, mas melhor foi a surpresa da frase seguinte: “Lá vocês podem escolher os vinhos, que saem pelo preço da loja”... Com essa ele ganhou a freguesia.

Descendo pela escada por trás do pequeno sobrado, a nova adega com mais de uma centena de rótulos, bons, variados e muito, muito baratos para o custo de restaurante. Eu já era fã da Brasserie Erick Jacquin, onde os vinhos da Expand são acrescidos apenas de 20% ao serem servidos no restaurante. Poder ir num restaurante menor e mais acessível sem acréscimo no preço foi mais que sensacional.

Na estréia, fomo low profile. Escolhemos um vinho argentino, de uma região menos comum na produção, a Patagônia. Escolhemos o Diego Murillo, Rio Negro, ano 2006, que nos custou R$ 26. Produzido com uvas merlot, ele veio climatizado e estava muito saboroso, leve, sem excessos (falando sério, em que restaurante se toma um bom vinho por este preço?).

Depois de umas pequenas entradas (chèvre com geléia de damasco, ratatuille de berinjelas e pimentões, e manteiga) com um ótimo pão bem quente (coubert básico, R$ 6 por pessoa), fomos aos pratos principais: quiches com salada.

Fui de três queijos e não me arrependi. Bem quente, com a massa sequinha e leve, ela tinha um sabor forte de queijo, com uma camada de cobertura de parmesão perfeita. A salada era bem leve, de folhas com tomate cereja, que se encaixou perfeitamente com a quiche. (Experimentei também a de alho poro da minha esposa, que também estava muito boa).

Cada uma das tortas custou R$ 22, e eram grandes o suficiente para serem divididas. Na próxima, dispensaremos o couvert, pediremos uma entrada mais consistente com o cardápio e dividiremos uma quiche. Junto com um vinho barato, pode ser uma ótima opção a cerca de R$ 50.

Em tempo: Na primeira visita ao restaurante, pedi um couscous marroquino com frango ao molho de mel (R$ 36): fantástico e também suficiente para duas pessoas. Ah, e também têm umas sobremesas próprias sensacionais, se alguém ainda agüentar comer ao final.

Comida de cinema

Assim como o livro "O Cinema Vai à Mesa", dos críticos de cinema Rubens Ewald Filho e de gastronomia Nilu Lebert, volto a tratar da relação entre filmes e gastronomia, mas num nível que foge das grandes receitas de filmes clássicos.

Em vez disso, depois de falar de "Desventuras em Série", comento a combinação simples de espeguete, tomate e manjericão, único prato que o protagonista da comédia francesa "O Closet", François Pignon (Daniel Auteil), sabe fazer neste filme de Francis Veber (foto ao lado).

Aproveitei que a esposa (que não gosta de massa sem carne) não ia almoçar em casa para fazer este almoço.

Comecei refogando bem poucos cubinhos de cebola em bastante azeite e logo depoid adicionei dois tomates bem picados, que ficaram refogando por mais algum tempo. Depois foi só salgar, pôr um pouco de pimenta do reino e juntar o manjericão (usei seco, mesmo), e está pronto o molho mais fácil e ainda assim clássico e muito saboroso.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Aussie barbie


Afeito a grandes restaurantes, à prática da alta gastronomia francesa, ao tradicionalismo italiano, ao detalhismo japonês e à variada gama de opção de alta qualidade de todo o mundo presente em São Paulo, confesso algum receio em admitir, mas um dos meus lugares preferidos é uma franquia norte-americana de casual-dinner, o Outback.

Com seu serviço e pratos padronizados, repetidos em todas as lojas da rede no mundo, sua decoração forçada, seu clima que tenta recriar algo perdido na Oceania, empurrando o "tradicional australiano", este restaurante, criado há quase 20 anos nos EUA e presente no Brasil há dez tem pratos como nunca consegui reproduzir, ou comer parecido em nenhum outro lugar. Tudo isso sem delicadeza, a criatividade, a ligação com a moda culinária ou a pompa e a afetação de chefs que comandam os restaurantes estrelados de guias como o prestigioso Michelin... E com preços mais acessíveis também.

É para ele que tento ir com uma certa regularidade, especialmente em dias de folga durante a semana, no fim da tarde, quando, das 17h30 às 20h, seu magnífico chopp fica pela metade do preço, no Billabong Hour (muito mais interessante de que qualquer "zeca hora", por mais que seja com chopp da Brahma também).

E acaba sendo difícil até mesmo fugir do pedido clássico. Já tentei e gostei de outros. Já comi entrada de asa de galinha, de camarão, já fiquei só na salada, já experimentei o T-bone, o Rib eye, sanduíches, mas nada se compara a começar com um chopp, seguir com a Blooming onion e pedir a costela campeã. Com mais gente e mais tempo, dá até para pedir também a batata com queijo e bacon... Para duas pessoas, com bastante comida e bebida não se paga uma conta de mais de R$ 100.

Começamos, então, na segunda, com amigos e chopp pela metade do preço. No Outback, ele vem gelado, tanto que chega a congelar algumas partes por dentro. Mais uma vez, com a licença da alta gastronomia, que sugere que a cerveja seja bebida acima de 5ºC, para bom bebedor, bebida fria vale, sim. No Billabong hour (referência a pequenos lagos em língua aborígine), a caneca sai por menos de R$ 3, uma pechincha em termos de São Paulo.

Veio então a grande cebola empanada, Blooming Onion (cerca de R$ 20), no formato da tradicional flor waratah, aberta em pétalas, bem temperada, com um molho também apimentado, só ajudando ao consumo da bebida.

Pedimos então as Aussie Cheese Fries (também em torno dos R$ 20). A batata frita, temperada com pimenta do reino, vem coberta de queijo derretido e pequenos pedaços de bacon.

Então, o favorito, as Ribs on the Barbie (R$ 40), um enorme pedaço de costela suína inteiro, perfeito, coberto com molho adocicado de churrasco, acompanhados normalmente por batata (eu prefiro a assada). A carne solta do osso com uma facilidade incrível. Sai suculenta, cheia de sabor, forte, inigualável.

Supera qualquer grande restaurante de churrasco a que já tenha ido, incluindo a picanha que experimentei no Figueira Rubayat (outro tipo de comida. Bom, mas não tão surpreendente) ou na Fogo de Chão (já comentei anteriormente e um dia volto a atacar os rodízios).

Claro que isso não se repete em todas as redes de casual dinner, uma proposta interessante, mas que muitas vezes não pode sequer ser considerada uma ida ao restaurante, ficando entre ele e o fast food. Já experimentei muitas outras, algumas que até tentam ser parecidas, mas nenhuma tem o efeito Outback: restaurante em sistema fordista de produção que funciona melhor de que muito artesanato.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Reinventando o churrasco caseiro

Todo mundo sabe fazer churrasco. Vai a um supermercado, compra lingüiça, picanha, maminha, sal grosso, junta tudo em cima do carvão até achar o ponto certo da carne. Simples, ótimo, mas óbvio.

E a idéia do fim de semana do feriado era justamente a de fugir da obviedade, do churrasco lugar-comum. Não precisava inventar demais, mas era preciso fugir da combinação previamente citada, e, em frente à churrasqueira devidamente munida de carvão em brasa, com a ajuda do primo “cuiabano”, tentar reinventar o churrasco caseiro.

Eram 10h quando seguimos para o açougue, onde, por R$ 57, compramos tudo o que precisaríamos para a tarde, com cerca de 15 pessoas. Às 11h o fogo estava aceso, e a principal atração, uma belíssima costela gaúcha de 1,5 kg, já estava, devidamente temperada com alho, sal grosso e azeite, embrulhada em papel alumínio e descansando sobre a brasa.

A festa começou, naturalmente, com algumas lingüiças, essenciais para reforçar o fogo do carvão e boas para enganar o estômago enquanto os pratos mais valiosos são preparados.

Tínhamos também pães de alho, de cebola, na verdade, preparados em baguetes com sopa pronta de cebola e creme de leite (só misturar, fatiar o pão, rechear e colocar na brasa).

Depois vieram os hambúrgueres, quase uma especialidade, receita que adoro repetir. Preparados com carne moída, cebola frita com bacon, um ovo, mostarda dijon, e farinha de rosca, tudo é misturado e moldado na mão ante de ir ao fogo (seja chapa, brasa, forno, sempre funciona).

O começo ainda incluiu coxas de frango. Temperadas desde cedo com shoyu e cebolinha, não tinha muito como dar errado também.

Teve uma fraldinha tratada e preparada por Júa.

A brincadeira seguiu com um excelente peixe na brasa. Comprei a tainha de quase um quilo, tratada, temperei com limão e sal grosso algumas horas antes, embrulhei no papel alumínio e foi para a brasa... Ao sair, tentamos pôr direto na brasa para ganhar mais gosto, o que tirou a beleza do prato, mas não o sabor.

Depois veio a costela (foto do alto), que ficou quase 6 horas no fogo e ficou molinha, dissolvendo na boa e muito, muito boa.

Aí teve a picanha do dia, suína, para ficar diferente (foto aqui de cima). Temperei mais cedo com alho, alecrim, tomilho, pimenta calabresa, sal grosso e molho barbecue. Ficou suculenta, no ponto, com a gordura crocante como torresmo, excelente.

O que deu menos certo foi o mais arriscado do dia, o cupim (foto do lado). Confesso que pesquisei bastante antes de tentar fazer essa “corcova” gordurosa e deliciosa do boi. Descobri que deveria deixar, como a costela, por seis horas sobre o fogo, mas preferi apelar para a panela de pressão. Antes do churrasco, deixei a peça de 1,2 kg de cupim na pressão por uma hora, a fim de amaciar a carne, com o tempero básico de alho, alecrim e sal. Depois disso, ainda embrulhei e deixei por quase uma hora sobre a brasa, mas não teve jeito. Por fora a carne até estava macia e saborosa, mas por dentro ficou um pouco dura, e só funcionou quando fomos cortando aos poucos e devolvendo ao fogo.

Já num nível alcoólico mais elevado veio o prêmio da diretoria, que estava em frente ao fogo desde a manhã: um belíssimo corte de prime rib de cordeiro, temperado desde cedo com tomilho, alho, sal, pimenta e bastante vinho tinto.

Foi também já tarde assim que grelhamos umas sardinhas, temperadas com sal grosso e limão, postas direto sobre a brasa até ficarem no ponto da perfeição... Mas aí já era noite, o churrasco já tinha funcionado do começo ao fim, e já se tinha comido e bebido em demasia...
PS – minha máquina fotográfica voltou a falhar, não permitindo o devido registro e imagens de todo o dia.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

'Dois caféres'

Eu não sinto fome pela manhã. Tenho o hábito de não comer nada ao acordar e esperar apenas o almoço. Sabendo que é errado, às vezes tento mudar e acabo comendo algo figurativo. Em outras ocasiões, especialmente fins de semana e feriados, tento fazer do café um mergulho dirferente em experiências gastronômicas. Esses dois exemplo tratam exatamente disso.

Com um pouco mais de tempo em dois dias, acordei e fui direto para a cozinha, organizar algo interessante para comer.


Na primeira oportunidade, preparei uma massa fina de panqueca, para rechear com o doce de leite diluído (aquele mesmo doce de leite que eu havia comprado para a sobremesa do jantar argentino). Primeiro eu pus um pouco de doce para esquentar no microondas (35 segundos), e, ao tirá-lo, adicionei leite e mexi, tornando ele mais cremoso e menos doce. Preparei então as panquecas (ovo, farinha de trigo e leite, no liqüidificador), assei-as bem fininhas e, ao tirá-las da frigideira, já recheava com o doce e dobrava uma única vez. A combinação funcionou muito bem para um café simples e rápido.


Na segunda situação, neste domingo (segunda-feira de folga, na verdade), aproveitei uma baguete que havia sobrado do fim de semana para preparar duas versões de um dos cafés que eu mais gostava quando morava no Recife e comia como se fosse uma (ótima) obrigação familiar: torradas francesas.


Bati três ovos com leite e sal, pus as torradas de molho e em seguida as assei numa frigideira. A primeira parte eu cobri com queijo parmesão, fazendo-as salgadas. A segunda foi com açúcar mascavo e canela, como uma sobremesa da primeira refeição do dia. Mais uma vez, bem-sucedida.


O maior problema é que quando como pela manhã, acaba influenciando na diminuição do meu apetite por um bom tempo no dia, atrapalhando horários de almoço.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Retratos

Faz tempo que eu comecei a montar, mesmo que de forma pouco organizada, um slide show com as fotos de comidas que preparava e comia na rua. Isso foi muito antes de levar a cabo a idéia de fazer um blog, então as informações às vezes estão desencontradas e sem detalhes.

Depois de ver muitas vezes o link para fotos em outros blogs, finalmente conseguir colocar um no Monstro na Cozinha. As fotos podem ser acessadas no link abaixo, ou no que aparece à direitan, na lista de fotos do Flikr... Tem muita coisa legal.

CLIQUE AQUI PARA VER OS SLIDES

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Comida bruta


Costela é comida bruta, com osso e tudo, cozida, com molho temperado, forte...

Escrevi tempos atrás sobre a presença de homens na cozinha. Gente como eu, que prepara comida sem frescura, mas com qualidade. Citava a revista “Esquire”, uma espécie de “VIP” gringa, que tem uma seção especialmente dedicada à culinária.

Pois foi deles que roubei esta receita (na foto original, ao lado), usada no domingo à noite para estrear a panela de ferro que comprei na rua Paula Souza, quando comemorei o meu dia das crianças.

O prato é norte-americano, típico da influência francesa em Nova Orleans, e dizem ter forte componente cultural. Lembra o boeuf bourguignon francês, mas substitui elementos, usa carne mais bruta, fica com sabor muito mais forte de que a versão da Borgonha.

A costela (que comprei por R$ 6, o quilo no Extra) temperada e selada vai à panela de ferro (dizem não funcionar tão bem em outras) junto com bastante vinho tinto (eles sugerem zinfandel, mas a uva típica da Califórnia não é tão comum por aqui, então usei cabernet sauvignon mesmo), açúcar (usei mascavo), extrato de tomate, caldo de carne, alho, louro, cebola, cenoura e salsão.

Tudo isso fica cozinhando em fogo baixo por pelo menos duas horas, até o caldo ficar grosso e encorpado, a carne macia, os legumes bem curtidos (como a cenoura fica sensacional!). A receita original sugere que também sejam incluídos cogumelos, mas eu dispensei (A receita original pode ser vista aqui, em inglês).

Como acompanhamento, preparei algo que comi feito pela minha mãe e que soou diferente, original e muito bom. Não sei se há nome, mas seria algo como nhoque assado. A receite é igual à do nhoque tradicional: purê de batatas, manteiga, ovo, farinha de trigo... mas depois de preparar a mistura, ela vai ao forno, em vez de ser cozida, e fica muito boa com queijo parmesão.

Como havia sobrado bastante da massa, fiz também umas panquecas na frigideira com ela. Tudo ficou muito bom, mas a que foi no forno, coberta com queijo, ficou bem melhor.

Acompanhados novamente daquele Salton Cabernet Sauvignon 2005, melhor relação custo benefício dos vinhos nacionais quando encontrados por R$ 9,90 como aconteceu comigo.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

O resultado

Ganhou a competição de que falo abaixo o famoso bar do justo (este é o nome, famoso), de Santana, que concorria com uma cesta de pernil que acabei não comendo por achar que era comida demais.

Dos 13 pratos que comi, apenas o bolinotti, de que falei mal, ficou entre os três primeiros (3º lugar). A academia da gula ficou em segundo.

Pelo menos o sobrevalorizado, que se acha melhor de que é, bar do luiz, também não ganhou nada...

Maratona ao álcool e óleo

Sabe aquela festa, aquela data, que a gente fica o ano inteiro esperando que chegue? Carnaval para uns, natal e reveillon para outros... Para mim é a festa da saideira do Boteco Bohemia: uma explosão de baixa gastronomia e cerveja com música e ambiente legal e um clima de total perdição etílica.

Na festa, a produção da Bohemia reúne os 31 bares que participam do concurso no moinho, na Mooca, uma espécie de fábrica do Tacaruna muito bem cuidada. Cada um desses bares serve apenas o petisco que concorre naquele ano. São 31 petiscos a serem experimentados.

É uma grande oportunidade de comer opções que vão além do bolinho de arroz e de experimentar bares fora do circuito que se costuma frreqüentar. Claro que há problemas naturais na organização, que naturalmente deixa de fora uma série de bons bares que servem apenas chopp, ou apenas não serve Bohemia. Há o lado negativo de alguns grandes petiscos que perderam em anos anterirores não poderem estar de volta. Mas a festa vale.

E a minha experiência neste ano incluiu 13 petiscos diferentes ao longo da tarde de sábado, acompanhados por 12 latas de cerveja... comecei avaliando e dando nota a cada experiência, mas não confio mais tão bem na minha avaliação do que foi comido no final.

Comecei bem, pela ótima asinha do avesso na grelha, do bar Santa Clara, no Brooklyn. O osso da asa é enrolado com uma fatia de frango, tomate, queijo coalho e calabresa. Para ser comido de uma vez. Ainda bem sóbrio, dei nota 8,5.

O segundo já decepcionou bastante: casadinho de camarão, do Ao bar Guanabara, no centro. Nada mais que uma coxinha sem graça recheada com um único e pequeno camarão. Mal merece uma nota 5,0.

Logo ao lado (essa é a grande maravilha do evento, tudo reunido), fomos ao stand do bar Valadares, da Lapa. Eles serviam um ótimo risólis de calabresa com queijo minas, sequinho, que fugia do gosto óbvio que a calabresa pode ter. Nota 7,5.

Seguindo para uma opção um pouco mais diferente, especialmente para os bares de São Paulo, comemos a cabritada bem-sucedida, do Pirajá, que fica em Pinheiros. Simples, o prato é um frango a passarinho de bode, ou um cabrito à passarinho, que estava bom, sem aquele gosto ruim que um bode mal feito pode ter. outro 7,5.

Hora de um pequeno intervalo para descansar o estômago...

A retomada se deu com uma das melhores surpresas do dia (provavelmente teria o meu voto para ganhar a disputa): O filé amigo, do bar Penha Lapa, em Moema. Num palito, vem uma fatia de filé bem macia recheada com queijo coalho e empanada com amendoim, castanha e gergelim. tudo com um molhinho de mkostarde. Valeu um 8,8.

Logo ao lado dele havia uma outra proposta interessante, o pastel de polenta recheado com rabada do bar Birô, na Vila Mariana. A massa de milho estava deliciosa, bem sequinha, mas o recheio também estava seco demais para uma rabada. Muito bom, mas poderia ser ainda melhor. 8,3.

Depois veio o mais óbvio dos petiscos, mas o que acabou tendo uma nota alta na avaliação do momento, por estar realmente bom. A costela no prato servida com chips de mandioquinha [e pão]. Não tem como dar errado se a costela estive molinha, bem temperada, e vale um 9,0, com a ressalva da obviedade. O bar que fazia o petisco era a Cervejaria Patriarca, da Vila Madalena.

E não acabou...

Depois dela veio a maior frustração do dia: o bolinotti, do bar Amigo Giannotti, do Bixiga. Fomos pelo olhar, o bolinho de calabresa e ricota curada empanado com macarrão cabelo de anjo lembrava o sputinik, bolinho de queijo servido pelo Pé pra Fora na primeira edição do Boteco Bohemia, que foi o preferido naquela ocasião. Aqui, o bolinho ficou com um gosto forte demais, mas sem ser excepcional, e ficou devendo. Nota 7,0, pela ousadia.

Atrás de uma compensação, comemos o bolinho de arroz com queijo, do Assembléia, que fica no Paraíso. Meio pesado demais, ele é um bolinho de arroz feito com risoto de gorgonzola. Muito bom, mas também pouco criativo, levou um 7,8.

A partir daqui a avaliação já não era tão detalhista. E o que veio em seguida foi outro dos mais sem graça do dia: rabo escondido. Bem pensado, o escondidinho de rabada com angu servido pelo Bar da Vila, na Vila Mariana. Muito decepcionante por não ter uma rabada bem feita escondida numa cobertura igualmente sem graça. Na hora eu dei nota 7,0, mas agora acho que fui bondoso.

Veio ainda o bolinho de camarão cremoso do Bar Veloso, da Vila Mariana. Um camarão empanado com queijo... Saudades dos bolinho de camarão do Recife, muito melhores. Nota 6,0, pela decepção.

A delícia da lelê, servido pelo bar Portella, por pouco não ficou em último lugar na minha avaliação. O bolinho tem gosto apenas de batata, e sem graça nenhuma. Nota 5,5.

A finalização, mesmo depois de várias cervejas foi com um petisco com cara de campeão: u qui há no play: ousado, diferente, criativo e muito bom. Dois palitinhos trazem o filé de tilápia que envolve bacon, provolone e uva passa e é frito. Para ser comido de uma vez só, uma ótima alternativa apresentada pelo bar do Plínio, na Casa Verde.

O saldo foi positivo e as notas acabaram sendo bem altas. Faltou experimentar um monte de coisa que tinha cara boa. O destaque negativo foi o bar do Luiz, vencedor em 2005 e 2006, e que teve sua melhor participação, para mim, em 2004, com um ótimo bolinho de carne. Concorrendo com uns pasteizinhos pouco atraentes, o bar se acha bom demais, e atende mal e apenas a quem quer. Depois de quase 10 minutos esperando, desistimos de sequer experimentar...

E se não teve nenhum dez é porque não há em São Paulo bar que chegue aos pés dos cinco ou dez melhores do Recife... Guaiamum Gigante, Boteco, Fiteiro, Bode Entre Amigos, Fava do Pina... Todos assim, em caixa alta mesmo. Eita saudade!

sábado, 10 de novembro de 2007

No stars

No dia mais importante do calendário etílico-gastronômico do ano, quando acontece a festa da saideira do Boteco Bohemia, com 30 bares reunidos em um mesmo lugar, preferi poupar-me do almoço para enfrentar a maratona de petiscos da tarde. Para enganar a fome de quem acordou às 6h da manhã para trabalhar, fiz um lanche diferente, experimentando ofertas do Starbucks.

Me surpreendi positivamente com a chegada deste McDonalds dos cafés ao Brasil. Por mais que esteja associado à padronização, plastificação do gosto, até, gostei bastante quando experimentei os cafés do local pela primeira vez, especialmente o Caramel Machiatto (R$ 6,50), que vem com leite vaporizado e xarope de baunilha, coberto com calda de caramelo, e nem precisa ser adoçado. Também já havia experimentado com felicidade o brownie de café, que também é muito bom.

O almoço improvisado na nova filial na alameda Santos, entretanto, foi um fiasco.

Comecei por um pão de queijo (R$ 2), murcho, sem graça, borrachento, até. Esquentado num forno elétrico, o pãozinho não chega aos pés de nenhum vendido em bodegas nas esquinas de São Paulo, e olha que pão de queijo é um dos meus vícios gastronômicos.

Passei então a uma das coisas que mais me davam curiosidade, um muffin salgado. Experimentei o de mussarela de búfala, tomate e rúcula (R$ 6,50), tal como a pizza da moda. O pãozinho veio quente e tinha uma massa leve e até gostosa, mas não dava para perceber absolutamente nada do suposto recheio. Mais um reprovado no teste do dia.

Finalizei a refeição com um biscoito, cookie (R$ 3), como costuma ser chamado na loja, coberto com pingos de chocolate (ou chocolate chips). Frio, meio seco e sem graça, o biscoito não conseguiu salvar o almoço.


Ainda bem que a tarde está garantida pelos bares da bohemia...